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The Soho Club · Aug 25, 2026

[COPY] 🎧 Soho Notes: Rock in Rio, Dr. Dre, IA, GenZ, Madonna, Soundcheck Coffee, Soho Hangover, Elton John, OUT NOW! e muito mais!

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SMG · The Soho Club

Bonjour mes élèves!

Levei falta semana passada! Estamos de volta. Boa leitura!

Beijos,
Rodrigo Lampreia

📱 A indústria da música está vivendo dois movimentos ao mesmo tempo. E eles parecem apontar em direções opostas.

De um lado, a batalha pela inteligência artificial continua. A editora independente Round Hill processou a Suno e a Anthropic por até US$ 1 bilhão cada, citando milhares de obras supostamente usadas sem autorização. “Não somos contra a IA. Somos contra a ideia de que você pode construir um negócio bilionário em cima do trabalho alheio e não pagar nada aos criadores”, disse o CEO Josh Gruss.

Ao mesmo tempo, a Suno fecha acordos com a BMG, lança o Studio 2.0 e anuncia que vai prensar músicas geradas por IA em vinil. A Apple Music vai exibir selos “Made With AI” para os ouvintes ainda em 2026. E um estudo mostra que 93% das pessoas não conseguem distinguir música humana de música gerada por máquina.

Dr. Dre disse ao New York Times que já usa IA nas próprias produções e comparou a resistência atual ao ceticismo que existiu em torno das baterias eletrônicas e dos sintetizadores. Do outro lado, apenas 6,7% dos criadores aceitam conteúdo feito integralmente por IA.

A indústria não chegou a um consenso. Está negociando enquanto processa, licenciando enquanto litiga.

Mas existe um segundo movimento, menos barulhento e mais revelador.

A Geração Z está comprando toca-CDs. As vendas de CDs cresceram 16% no primeiro semestre de 2026, superando o crescimento do vinil. Blogs de música começam a reaparecer como resposta à descoberta algorítmica. Uma startup britânica organiza a descoberta musical em torno de cenas e comunidades de artistas, casas de shows e fãs, em vez de apenas algoritmos. E um compositor que decidiu abandonar o Facebook resumiu o problema numa frase: descoberta atrai atenção, cuidado cria continuidade, continuidade constrói uma carreira.

Quanto mais infinita e automatizada fica a oferta, maior seja a vontade de escolher, pertencer, colecionar e se conectar.

No Brasil, o Rock in Rio começa em menos de duas semanas com Foo Fighters, Gilberto Gil, Laufey, Ne-Yo, Elton John, Avenged Sevenfold, Stray Kids, Calvin Harris, Maroon 5, Jamiroquai, Twenty One Pilots e muito mais. O The Town já confirmou sua volta para setembro de 2027. O Estrelas da Casa estreia a terceira temporada apostando na formação de grupos. E meu mestre Marcelo Castello Branco defende que o momento para a música brasileira conquistar o mercado latino nunca foi tão favorável.

Enquanto isso, Madonna virou novamente um fenômeno entre a Geração Z. Seus ouvintes mensais no Spotify cresceram 33% entre fevereiro e agosto, impulsionados por novos acontecimentos e por um catálogo que uma geração inteira está descobrindo como se fosse novo.

Dois movimentos simultâneos. Um corre em direção à automação. O outro parece responder buscando intenção, comunidade, objeto, memória e conexão humana. Acho que não é coincidência.

O Soundcheck Coffee abre uma nova temporada nesta quinta-feira no Valentina Bar, em Pinheiros, SP. O tema é IA na música, com Felipe Vassão, Bia Song, Raquel e Hélio Leite no bate-papo e showcase acústico da Pilar. Os ingressos estão esgotados.

Na sequência, o Soho Hangover by Soho Sessions transforma a noite em happy hour, com show da Flor e DJ Bibiu. Para participar, você precisa estar em um dos grupos fechados do Soho: WhatsApp, canal do Instagram ou Soho Club. Os links para entrar estão no Instagram do Soho Sessions.

Fiz alguns vídeos em collab com a Billboard Brasil nas últimas semanas e tem bastante coisa legal por lá. Tem meu review da nova turnê Equilibrivm, da Anitta, uma reflexão sobre o prazer de ouvir um álbum inteiro e um papo sobre como a indústria da música trata novos artistas e músicos. Vale conferir lá no meu Instagram.

A música continua sendo palco, indústria e memória. Ao mesmo tempo!

🔗 [clique nos links para ler]

🔗 Round Hill processa Suno e Anthropic por até US$ 1 bilhão cada — e não está interessada em acordo

👉🏾 A editora independente Round Hill, gestora de US$ 1,1 bilhão em direitos incluindo “I Got You” de James Brown e “Total Eclipse of the Heart”, processa Suno e Anthropic por uso não autorizado de até 31 mil obras. “Não somos contra a IA. Somos contra a ideia de que você pode construir um negócio bilionário em cima do trabalho alheio e não pagar nada aos criadores”, disse o CEO Josh Gruss. A empresa escolheu um advogado de julgamento, não de acordo.

🔗 A indústria da música quer menos guerra e mais dinheiro com a IA

👉🏾 A Suno fecha acordo com a BMG, lança o Studio 2.0 e anuncia vinil por US$ 45. O Spotify cria o selo “AI Persona”. E 93% dos ouvintes não sabem se estão ouvindo música humana ou gerada por máquina. O presidente da NMPA resumiu a nova postura da indústria: “Processar maus players de IA e licenciar bons parceiros de IA não são coisas incompatíveis.” A guerra não acabou. Mas o objetivo mudou.

🔗 Apple Music vai exibir selos “Made With AI” para ouvintes ainda em 2026

👉🏾 A Apple informou gravadoras e distribuidoras que músicas com participação material de IA terão o selo “Made With AI” visível para todos os ouvintes. A obrigatoriedade cobre faixas, composições, capas e videoclipes. Spotify já tem o “AI Persona” para artistas. Agora a Apple Music fecha o cerco para os ouvintes saberem o que estão ouvindo.

🔗 Dr. Dre defende IA na música e revela que já usa a tecnologia nas próprias produções

👉🏾 Em entrevista ao NYT ao lado de Jimmy Iovine, Dre comparou a resistência à IA ao ceticismo inicial em torno das baterias eletrônicas e dos sintetizadores. “As únicas pessoas que veem isso como ameaça são as que têm dificuldade para criar”, disse. Iovine completou: “Há muitos produtores de IA escondidos por aí. Eles estão usando, só não querem admitir.”

🔗 Só 6,7% dos criadores aceitam conteúdo feito integralmente por IA, aponta relatório da Uppbeat

👉🏾 Pesquisa com 1.792 criadores mostra que a IA é bem aceita para tarefas técnicas como remoção de ruído e legendas, mas enfrenta forte resistência como autora. 46% temem que a tecnologia afete a originalidade do trabalho. E 38,9% passaram a valorizar mais bibliotecas com conteúdo produzido por humanos.

🔗 Como Madonna se tornou um ícone da Geração Z em 2026

👉🏾 Os ouvintes mensais de Madonna no Spotify subiram 33% entre fevereiro e agosto de 2026, chegando a 55,6 milhões. “Like a Prayer” apareceu em 564 mil vídeos no TikTok, alta de 319%. A Coachella com Sabrina Carpenter, o álbum Confessions II e o halftime show da Copa foram os gatilhos. A maioria da nova audiência não estava viva na primeira era dela.

🔗 A geração Z está comprando toca-CDs all-in-one. E isso diz muito sobre o momento da música

👉🏾 Buscas por toca-CDs subiram 96% no John Lewis desde julho. As vendas de CDs cresceram 16% no primeiro semestre de 2026, superando o crescimento do vinil. 46% da Geração Alpha já ouve CDs. Numa era de algoritmo e IA, jovens querem algo físico, escasso e intencional. O CD virou o antídoto para o streaming infinito.

🔗 Artistas independentes precisam de um sistema operacional, não de mais uma ferramenta

👉🏾 A última década construiu ferramentas excelentes para artistas independentes. O problema é que elas não conversam entre si. O artista independente hoje é responsável por marketing, financeiro, distribuição, branding e planejamento ao mesmo tempo. A proposta: parar de adicionar ferramentas e começar a pensar em sistemas que conectem tudo.

🔗 Depois do Facebook: como construir uma carreira musical além das redes sociais

👉🏾 O compositor Michael Whalen deletou sua conta do Facebook depois de dois anos de hackers russos e relevância zero. Mas o ensaio que escreveu vai além: fãs casuais aparecem no dashboard igual a superfãs que estão há 20 anos. Descoberta atrai atenção. Cuidado cria continuidade. Continuidade constrói uma carreira.

🔗 O app Fairground entende que a música ao vivo sempre foi sobre a cena, não sobre o artista isolado

👉🏾 Startup britânica lança plataforma que organiza descoberta musical em torno de “Scenes”: comunidades de artistas, selos, venues, promotores e fãs conectados por cidade ou gênero. Combina discovery, commerce, memberships e shows num só lugar. 11,3% dos primeiros usuários escolheram plano pago sem nenhum marketing pago.

🔗 ABMI lança serviço de licenciamento de fonogramas com prazo de até 20 dias úteis

👉🏾 Em parceria com a CulturaXchange, a ABMI cria um fluxo centralizado para licenciamento de fonogramas: triagem, intermediação com detentores de direitos, definição de ISRC e emissão de licença. Disponível para associados e não associados, com taxas a partir de R$ 55. Uma solução prática para quem produz de forma independente.

🔗 O Brasil não cabe mais no Brasil

👉🏾 Marcelo Castello Branco, um dos maiores executivos da indústria da música, defende que o momento para a música brasileira conquistar o mercado latino nunca foi tão favorável. O Brasil é o 8º maior mercado fonográfico do mundo, mais de 75% do consumo é de música nacional, e a barreira linguística já não é o que era.

🔗 Rock in Rio 2026 libera horários dos shows no app; festival começa em menos de duas semanas

👉🏾 Com os dias 6 e 12 de setembro esgotados, o Rock in Rio liberou a programação completa no aplicativo oficial. Foo Fighters abrem no dia 4, Elton John fecha o primeiro fim de semana no dia 7 e Twenty One Pilots encerram o festival no dia 13. A Cidade do Rock abre em 10 dias.

🔗 The Town confirma datas para edição de 2027

👉🏾 O festival retorna ao Autódromo de Interlagos nos dias 4, 5, 6, 11 e 12 de setembro de 2027. Nas duas edições anteriores, o The Town reuniu 925 mil pessoas e gerou mais de R$ 4,1 bilhões de impacto econômico em São Paulo.

🔗 Estrelas da Casa estreia 3ª temporada com duelo entre pop e pagode e novas dinâmicas

👉🏾 A Globo reformulou o reality musical: agora o objetivo é formar grupos, não revelar um artista solo. Pop com Junior e Pagode com Belo como mentores, Anitta como conselheira e KondZilla como curador digital. Uma aposta clara da emissora no formato de grupo e na diversidade de gêneros da música brasileira.

🔗 Estamos assistindo ao retorno dos blogs de música?

👉🏾 O Wild Honey Pie voltou citando que “algoritmos e IA sequestraram a experiência de descoberta musical”. A pergunta é se a nostalgia dos blogs de 2009 pode se tornar algo novo. A autora defende que sim: menos saturação, mais opinião de verdade, mais comunidade. O antídoto para a fadiga de escolhas infinitas pode ser uma curadoria humana com ponto de vista.

🎧 Os melhores lançamentos semanais do Brasil e do mundo na Playlist Out Now! by Rodrigo Lampreia no Spotify.

Eis meu Top 5 | Semana 21 de Agosto

1️⃣ Moondance — Sam Smith, Feist (Hazel Eyes)
2️⃣ Love Me Through — Coco Jones (Love Me Through)
3️⃣ The Team — Central Cee (The Team)
4️⃣ Gentlewoman — Cleo Sol (Gentlewoman)
5️⃣ Sinto — IVYSON, Tuyo (ContraTempo)

Uma semana de sensibilidade e identidade. Sam Smith e Feist se encontram num groove gostoso, no novo álbum do Sam Smith. Coco Jones entrega um R&B maduro e cheio de presença. Central Cee confirma por que é um dos nomes mais consistentes do rap britânico atual. Cleo Sol chega com a elegância e profundidade que a tornaram referência no soul contemporâneo. E IVYSON e Tuyo fecham com uma faixa brasileira que carrega identidade e alma.

A playlist reúne os melhores lançamentos da última semana. Ouve tudo na minha playlist no Spotify. Atualização toda sexta-feira. Segue, salva e volta semana que vem!

💿 Alguns discos definem uma carreira. Outros definem uma era inteira.

Goodbye Yellow Brick Road — Elton John (1973)

Em janeiro de 1973, Elton John tentou gravar na Jamaica seguindo os passos dos Rolling Stones. Não funcionou. O estúdio estava cercado de arame farpado, havia homens armados do lado de fora e o equipamento era precário. A banda saiu às pressas para a França, para o Château d’Hérouville, um castelo do século 18 que já conheciam bem. Em doze dias de gravação intensa, Elton, Bernie Taupin e a banda criaram 22 músicas. Dezessete entraram no disco. O álbum duplo não estava planejado. Simplesmente aconteceu.

Goodbye Yellow Brick Road foi lançado em 5 de outubro de 1973 e transformou Elton John numa superestrela global. “Candle in the Wind”, “Bennie and the Jets”, “Saturday Night’s Alright for Fighting”, a faixa título. A abertura com “Funeral for a Friend/Love Lies Bleeding” era uma aposta ousada para um disco pop. O álbum atravessou gêneros, décadas e gerações, vendeu mais de 30 milhões de cópias e segue sendo considerado sua obra-prima.

No dia 7 de setembro, Elton John sobe ao palco do Rock in Rio para sua única apresentação na América Latina depois de encerrar a Farewell Yellow Brick Road Tour em 2023. Ele disse que é o fim da música ao vivo para ele. Mas antes de ir, passa pelo Brasil. E o Brasil vai cantar junto cada palavra.

👉🏾 Ouça aqui!

Nos vemos terça que vem. Até lá, ouça um disco inteiro, vá a um show e descubra um artista novo.

Beijos,

RL

💼 Eu sou Rodrigo Lampreia (@rodrigolampreia). Executivo da música, diretor artístico, curador e empreendedor cultural. Atuo há mais de 25 anos conectando criação artística, estratégia de negócios e desenvolvimento de talentos. Sou fundador do Soho Music Group, ecossistema que integra Soho Sessions, Soho Music Records, Soundcheck Coffee e Borogodó FM, e, escrevo esse Soho Notes a partir de quem vive a música entre palco, estúdio, bastidores e mercado.

📥 Se quiser trocar uma ideia, me escreve no oi@sohomusicgroup.com.br

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