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O Substack do Sasha · Jan 22, 2026

Diagnósticos e Prognósticos do Substack do Sasha

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Sasha Stemler · O Substack do Sasha

🎵 E nessa casa tem goteira… Pinganimim… Pinganimim… Pinganimim…🎶

Eu tô aqui há uma semana tentando escrever.

Desde semana passada, eu já sabia:
tudo o que eu tinha agendado acabou.
Os textos antigos do blog foram, os posts saíram, o Substack andou sozinho por alguns dias.

E aí veio aquele silêncio meio constrangedor que aparece quando acaba a gordura e sobra só você, o teclado e a pergunta que ninguém gosta de responder:

E agora?

Escrever uma vez por semana, pra mim, é difícil.
Não difícil no sentido romântico — “ah, o sofrimento do artista”.
Difícil no sentido banal mesmo: cansaço, cabeça cheia, vida acontecendo, 5 crianças gritando e boleto pago (o que já é um privilégio enorme)…

mas energia mental em débito.

E, ainda assim, eu tô tentando persistir.
Não sei exatamente por quê. Talvez por teimosia. Talvez porque parar dói mais do que continuar.

Esse texto tá sendo escrito meio no improviso mesmo, 21:48 dessa quarta, só pra não começar a parada saindo do hábito de cara, estilo quem faz matricula na academia e mata o primeiro dia pra ir comer um BigMac.

Diagnósticos e Prognósticos

Nos últimos dois meses, esse Substack teve cerca de 1500 visualizações.

Yey! 🎉🥳😂🤔⚠️🥴🫠💀

Eu não faço ideia do que isso significa. Podem ter sido mil pessoas curiosas. Podem ter sido as mesmas quinze pessoas voltando cinquenta vezes. Podem ter sido leitores que chegaram no título e pensaram “sai doido” antes de ir embora.

Tudo isso é possível — e tudo bem.

O fato é que esse lugar aqui virou uma maçaroca amorfa de texto.
Sem nicho. Sem estratégia. Sem “pensamento projetual” (o que é irônico, vindo de um designer). Tem texto sobre a bolha de IA, sobre meu problema de pele, sobre pane de aluno (coitados, têm aula comigo só pra serem expostos…), tem até texto em que eu finjo ser o poeta do design…

A real é que, assim como em casa de ferreiro, o espeto é de pau…
em casa de designer, o projeto não existe.

Existe improviso, gambiarra emocional e uma certa culpa por ensinar método enquanto escreve sem método nenhum.

Eu prometi, lá no começo, escrever pensamentos soltos.
Cumpri.
E, ainda assim, dá vergonha.

Porque existe um mito silencioso de que escrever precisa ser consequência de clareza. E, pra mim, quase sempre é o contrário: eu escrevo porque não sei. Escrevo porque alguma coisa não fecha. Escrevo porque tem uma rachadura no teto pingando água (e incomoda pra cacete quando pinga na sua testa).

Cachaça Pinga Ni Mim 670ml Amburana - Cachaçoteca
E nessa casa tem goteira… Pinganimim… Pinganimim… Pinganimim…

E aí entra uma regra que eu tô começando a levar mais a sério do que qualquer conselho de produtividade:

Se o texto nasce de uma rachadura, publica.
Se nasce de uma síntese elegante, desconfia.

Isso vale pra escrita.
Vale pra projeto.
Vale, infelizmente, pra vida.

De volta à caixa.

Eu sou designer — a profissão de resolver problemas, o tal do “pensar fora da caixa” e propor caminhos.
Mas, ironicamente, minha vida inteira parece um problema mal definido, sem briefing claro, sem deadline e sem cliente satisfeito.

Às vezes, tudo o que eu queria era voltar pra caixa e ter sossego.

E aqui vai uma verdade meio indigesta, que eu demorei pra aceitar:
👉 a caixa também é uma tecnologia de sobrevivência.

Why Do Cats Love Boxes So Much? | WIRED
Como diria o Chorão: Só os gatos sabem…


Nem toda saída da caixa é libertadora.
Às vezes, ela é só exaustão com verniz de inovação. Às vezes, é utopia demais virando distopia no dia seguinte.

Pensar bonito não garante projetar bem.
E projetar o tempo todo cansa.

Talvez por isso eu até esteja confortável nesse caos.
Escrevendo do meu MacBook, sob ar-condicionado, com boletos pagos, família amorosa, e ainda assim me sentindo meio mal por reclamar.
Privilégio não anula cansaço, mas também não autoriza cinismo.

Esse equilíbrio é instável…
e eu tropeço nele o tempo todo.

O Substack, no fim das contas, não virou produto, nem plano, nem método.
Virou um lugar onde eu penso antes de saber. Onde eu escrevo sem garantir síntese. Onde eu tento não transformar ironia em armadura (e falho), nem esperança em ingenuidade (e falho de novo).

Não sei se vou conseguir manter constância.
Não sei se isso “vai dar em alguma coisa”.
Não sei se alguém acompanha, entende ou se importa.

Mas eu sei disso: parar agora seria fingir que a rachadura fechou e não tem mais goteiras.
(E ela não fechou… E, ainda, pinganimim.)

Então eu fico.
Escrevo.
Me exponho (e exponho os outros) um pouco.
E sigo tentando — sem promessa elegante, sem pitching, sem solução definitiva.

Se fizer sentido pra alguém, ótimo.
Se não fizer, tudo bem também.
Hoje deu.

(Eu juro que semana que vou tentar que tenhamos mais…)

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Read the original on sashastemler.substack.com

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