Ontem à noite tive uma insónia das grandes. Daquelas em que a cabeça decide fazer horas extraordinárias. E dei por mim a pensar nisto.
Passamos uma vida inteira a perguntar:
“Como estás?”
“O que é que andas a fazer?”
“Já jantaste?”
E quase nunca perguntamos:
“O que tens fingido que não te custa?”
“Quando foi a última vez que gostaste verdadeiramente de ti?”
“Que decisão mudou a tua vida?”
“Do que tens medo quando ninguém está a ver?”
Há perguntas que servem apenas para preencher o silêncio. E há perguntas que mudam a direção de uma conversa. Às vezes, até de uma vida.
As conversas mais importantes que já tive nunca começaram por uma boa resposta. Começaram com uma boa pergunta.
Perguntar é uma forma de dizer:
“Interessas-me. Quero perceber-te melhor.”
Talvez seja por isso que as conversas verdadeiras sejam tão raras.
Não porque nos faltem palavras.
Mas porque nos faltam perguntas.
Isabel Saldanha
P.S.: Foi precisamente por acreditar nisto que criei as Bee Mind Nights. Não são palestras. Não são debates. São mesas onde as pessoas se sentam para conversar a partir de perguntas que dificilmente fariam num jantar qualquer. Se estiveres por Cascais no próximo sábado dia 27 pelas 21h30, ainda há alguns lugares. Gostava de te encontrar por lá.
Se te apetecer juntar-te a nós, encontras aqui toda a informação.

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