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mensagem na garrafa · Sep 21, 2025

deixar ir

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Priscilla Pinheiro · mensagem na garrafa

oi, como vai por aí? se puder, pegue uma caneca de chá ou café pra ler essa crônica :`)

No dia a dia, muitas vezes temos contato com objetos ou lugares que nos transportam a uma fase da nossa vida que havia se perdido em algum momento. É como se até o cheiro de um perfume pudesse nos guiar a caminhos que há muito deixamos de percorrer.

E sabendo que as recordações podem ser importantes para nos lembrar de quem fomos um dia, passamos a nós mesmos fazer registros por meio de cadernos, documentos, fotos.

Minha mãe sempre me disse para anotar a data em tudo que escrevo ou desenho. Às vezes, logo na primeira infância, quando ia mostrar uma pintura, a primeira pergunta que ela fazia era se eu tinha escrito meu nome e anotado a data. Quando não, ela ia lá e colocava. É engraçado ver o tanto de coisas que fiz em papéis soltos ou caderninhos que levam o meu nome e o dia escritos com a letra dela.

Hoje, sempre que vou escrever, seja diário ou outro tipo de escrita, já começo colocando o dia. Agora mesmo, na tentativa de escrever essa crônica, comecei com “Domingo, 21/09/2025” no início da página. É quase como se o registro acontecesse antes mesmo da ação.

E o mais bonito é perceber que desde os tempos mais remotos da humanidade, registrar o que foi vivido ou sonhado sempre fez parte de nós. Tanto as mãos e os desenhos nas cavernas quanto as fotografias guardadas em álbuns de família preservam o desejo do ser humano de marcar seu lugar em um certo espaço-tempo e buscar formas de rememorar suas experiências no mundo.

Mas como lembrar de tudo quando a marca da tinta nas mãos começa a se apagar e os retratos se mesclam a falhas e lacunas? Nesse sentido, assim como a memória é um fio condutor entre o passado e o presente, o esquecimento aparece como um traço inevitável na narrativa. O esquecer permite que o lembrar continue existindo.

Quando lembramos, por exemplo, de um momento que nos marcou na infância, não sabemos mais como ele realmente foi, mas apenas o que mais ficou impresso na nossa memória.

Há uma imagem que se repete nas minhas lembranças em que eu, quando criança, corro entre várias flores rosadas em um grande campo verde. Várias vezes já perguntei pra minha mãe se isso aconteceu e, juntas, já chegamos a pensar se foi na casa de uma amiga dela ou na serra do interior, mas a maior possibilidade é a de que foi um sonho que tive e que ficou se repetindo como uma recordação de algo que não aconteceu.

Assim como a vida se transforma, as lembranças que parecem ser preservadas por um determinado período também vão ganhando ou perdendo cores, sentidos, detalhes e nuances. Quem nunca viu duas pessoas que já viveram muitas coisas disputando quem lembrava com mais veracidade algo que aconteceu há tanto tempo?

Ao contar nossas experiências e entendê-las também pela visão de outras pessoas, obtemos a oportunidade de não somente ampliar nossa perspectiva, mas também de criar novas memórias sobre o mesmo acontecimento.

As histórias que contamos são como as linhas das palmas das mãos, que ora se confundem, mudam de rota ou ficam mais amenas. Caso tivéssemos a memória como um grande armazém ilimitado, sem nos desvincular de nenhum detalhe do passado, seria inviável continuar caminhando no hoje.

Assim, deixar ir também é uma forma de olhar para o que passou e abrir espaço para abraçar os novos ciclos. Ao ressignificar algumas lembranças e compartilhar as histórias vivenciadas com outras pessoas, estabelecemos uma conexão entre o ontem e o amanhã, e ganhamos a possibilidade do presente.

estou participando de um projeto de crônicas de domingo e, depois de algumas semanas sem escrever, consegui fazer essa pra enviar hoje, e decidi compartilhar por aqui também.

o projeto, incentivado pela Oficinas Lume, reúne escritoras/es em um espaço de partilha, onde as palavras ganham forma, imagens e cenários.

para ver minhas crônicas e as de outras autoras pelo instagram também, veja o post por lá com todos os arrobas do projeto:

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  • descobri a cantora Ada Lea e estou simplesmente apaixonada pelo novo disco que ela lançou, chamado ‘when i paint my masterpiece’ <3

  • estou maratonando casamento às cegas brasil 50+ e tô bem mais impressionada com o que tá rolando do que imaginava (já estou animada pros últimos episódios, que devem ir ao ar nessa semana na netflix)

  • criei um canal no youtube e to amando a experiência de gravar e editar vlogs de rotina :’) se quiser acompanhar por lá e seguir também, é só clicar aqui! veja meu último vlog publicado (postei ontem):

por hoje é isso. muito obrigada pela companhia <3

uma ótima semana por aí e até mais!

beijo,

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Read the original on priscillapinheiro.substack.com

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