Disclaimer: essa newsletter pode ser incômoda e provocar reflexões. Não leve para o pessoal. A intenção é despertar consciência, não gerar (auto)crítica.
Há 5 meses tenho vivido em muitos mundos diferentes.
Viajando por outros países e cuidando de animais em casas de famílias que nunca conheci antes, percebo que cada porta que se abre é também uma porta para um novo universo. Um mundo inteiro dentro de uma casa, dentro de uma forma de viver.
Isso me fascina.
Ao mesmo tempo, me traz reflexões como essa:
A de transformar, moldar, manipular. Somos a única espécie capaz de manipular a matéria, outros humanos, a natureza e os animais.
Essa semana, eu estava observando o quintal dessa casa em que estamos. \
Parece lindo, né?
Então, me dei conta que uma visão que para mim era óbvia… simplesmente não é para muitos. Por isso, resolvi compartilhar aqui com você também.
Eu já comentei, nessa outra edição, sobre fazer com que a nossa presença melhore um lugar ou situação.
Percebo cada vez mais o quanto, como espécie, ainda costumamos colocar o nosso próprio bem-estar no centro, como se o mundo girasse apenas em torno do nosso conforto. Nossas escolhas, nossas ações, nossa forma de ocupar o mundo, quase sempre giram em torno de como EU me sinto.
Muitas pessoas decidem morar na natureza porque “amam a natureza”. Mas, uma vez lá, o que fazem?
Arrancam árvores para plantar grama.
Aplicam veneno para afastar insetos.
Matam aranhas, cobras, lagartixas, porque tem medo ou não gostam.
Deixam gatos e cães soltos, que caçam os animais silvestres.
Controlam, limitam, domesticam o espaço, para que ele seja “seguro, limpo e agradável” para elas.
O resultado? Uma contradição dolorosa: dizemos amar a natureza, mas a aceitamos apenas até o limite em que não desafia o nosso conforto.
A Terra não é nossa. Ela não nos pertence. Nós não “compramos” a Terra, compramos apenas a ilusão de posse. E, em posse de algo, o que fazemos? Queremos dominar, colonizar, repetindo os padrões que julgamos em outras situações.
A verdade é que tudo aqui é emprestado para nós: o pedaço de chão, a água que corre, o ar que respiramos. Estamos de passagem, e quando formos embora, a “sua” terra continuará.
Cabe a nós cuidar desse empréstimo com reverência, e não moldá-lo apenas para o nosso conforto.
Chegamos até a tentar domesticar animais selvagens do lugar onde vamos morar, apenas pelo nosso prazer. Esquecemos que eles vivem bem muito melhor quando permanecem livres, sem a nossa interferência.
Se você entra na casa de alguém, será que é justo mudar tudo até que só você se sinta bem?
Se você ocupa o espaço de árvores, rios e animais, o que faz para que eles também se sintam respeitados e acolhidos?
Quantos seres vivem realidades inadequadas porque atendem às necessidades humanas, e não às deles?
Porque EU gosto assim.
E eles? O que sentem, o que precisam, o que pedem em silêncio?
A vida não pode ser só garantir o meu conforto.
Não é mais: “O que eu ganho com esse relacionamento?”
Mas sim: “O que eu ofereço? O que eu transformo para que o outro também viva melhor?”
Pra mim, essa é a mesma raiz de tantos problemas que todos reclamam por aí. Brigas, discussões, corrupção, guerras, destruição…
Não se trata de controlar ou moldar.
Se trata de abrir espaço.Espaço para que o outro exista também — seja esse “outro” uma pessoa, um animal, uma árvore, um rio.
O que acha de compartilhar esse post e espalhar essa consciência pelo mundo?
Um abraço, e um carinho no seu pet (se ele gostar!)
Thais
Hoje o espaço compassivo é pelo planeta Terra, um recado dela para nós, uma nova consciência a ser espalhada.
Te convido a assistir esse vídeo SUPER inspirador e conhecer o Ernst Götsch, que - como ele mesmo diz - passou a confiar mais na natureza do que nos nossos próprios conceitos, regenerou centenas de hectares de terra seca, e revolucionou a forma de interagimos com a natureza ao nosso redor.
Podemos aprender COM a natureza, em vez de lutar contra ela. É um lembrete poderoso de que viver em sintropia é possível, e transforma o mundo inteiro.

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