Crianças com doenças dermatológicas crônicas costumam chegar ao consultório com duas fragilidades ao mesmo tempo: uma barreira cutânea comprometida e uma caderneta vacinal frequentemente incompleta.
Esse encontro é mais importante do que parece.
Dermatite atópica, epidermólise bolhosa, psoríase e outras dermatoses graves não tornam a vacinação menos necessária. Em muitos casos, fazem exatamente o contrário: aumentam a vulnerabilidade a infecções, complicações cutâneas e disseminação de patógenos.
O problema é que ainda existe uma sequência perigosa na prática clínica: a criança apresenta lesões visíveis, algum profissional hesita em vacinar, a doença progride, surge a indicação de imunobiológico ou imunossupressor e, quando alguém finalmente revisa a caderneta, a janela ideal já foi perdida.
Esse foi o tema da aula "Vacinas e Dermatologia” do PedPlay, ministrada pela Dra Juliany Estefan.
A pele funciona como órgão de barreira e também como parte ativa da resposta imunológica. Quando essa barreira está comprometida, aumenta o risco de infecções bacterianas, virais e de disseminação cutânea.
Na dermatite atópica, por exemplo, a alteração da barreira e a disbiose favorecem impetigo, molusco contagioso e erupção variceliforme de Kaposi. Na epidermólise bolhosa, doenças exantemáticas como a varicela podem assumir evolução muito mais grave devido à extensa área de pele vulnerável.
Lesões ativas de dermatite
Conduta incorreta:
Adiar todas as vacinas.
Conduta adequada:
Manter o calendário, desde que não exista contraindicação específica.

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