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Somos Nós, por Paola Z.Behs · Jul 30, 2026

#65: Trabalho de formiguinha

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Paola Z. Behs · Somos Nós, por Paola Z.Behs

Apesar de já ter mais de 15 anos trabalhando com marketing, tenho minhas restrições com métodos de marketing digital. Essa coisa de vender fórmulas, colocar as pessoas em caixinhas, respeitar mil regras que mudam o tempo todo e que nos faz sentir constantemente atrasadas, seguir um script que todo mundo “precisa” pra bombar na internet, viver em um ritmo sempre acelerado em que “todo mundo” está fazendo 6 em 7 (menos você), nunca me convenceu.

Às vezes penso se não é uma crença limitante minha, talvez um medo de fazer, ou até uma preguiça de aprender. Não sou a fada perfeita (óbvio que não rsrs), então até pode ser que tenha um pouco dessas coisas nesse mix. Mas, quanto mais eu trabalho o meu autoconhecimento, sento semanalmente no divã da minha psicanalista, eu entendo que a resposta está mais nos meus gostos e desejos.

O que eu gosto mesmo, cada vez mais, é de trabalhar com pessoas reais. Com conexões reais e autênticas. Entendendo e respeitando que cada pessoa é seu próprio país. Tem as suas próprias referências, vivências, experiências, relações, e que isso tudo compõe quem ela é e sua visão de mundo. Isso me fascina, de verdade.

Quando entrei na Uber como marketing manager, lá em 2016 (10 anos atrás, senhor rsrsrs), eu fiquei encantada quando conheci a prática dos 1:1s. Basicamente, meu chefe (ou meu manager, como era chamado por lá), dedicava 30min da sua semana para sentar individualmente comigo (e com meus pares, que também respondiam pra ele), para discutir, basicamente, o que eu quisesse. O espaço era meu. Eu levantava os tópicos que precisava de ajuda, orientação, ou até mesmo só de um desabafo, e colocava na mesa. Ele escutava e trazia suas ponderações. Eu saía com mais clareza de como tocar meu trabalho nos próximos 7 dias, e me sentindo feliz e amparada. (ps: leia até o final que deixei como bônus 5 dicas para fazer bons 1:1s).

Na Tramontina, a minha experiência anterior, em que eu tinha passado 5 anos, falar individualmente com meu chefe era um evento. Só acontecia quando eu realmente não tinha alternativa e precisava chamar ele “na salinha”, ou a cada 6 meses quando tínhamos avaliação de performance. Como eu estava me sentindo ou como estava sendo a minha experiência de trabalho, se eu tinha dúvidas ou inseguranças, em geral, não era um tópico relevante ou valorizado.

Ao chegar no mundo da tecnologia e ver um estilo diferente de gestão acontecendo na prática, em que as pessoas são muito mais vistas, eu comecei a entender o poder que isso tem. O poder que gera em nós quando percebemos que somos escutados. Que alguém super atarefado prioriza parar por meia hora, toda semana, pela gente. Que isso inclusive faz parte do trabalho de um bom gestor.

Pouco depois, quando eu comecei a liderar pessoas, também, naturalmente, adotei o hábito. E logo, esses momentos individuais de conexão 1 a 1 se tornaram os meus momentos preferidos de trabalho. Era ali que a magia acontecia, semanalmente. Que pontes de confiança eram criadas entre mim e meus liderados, que questões importantes eram destravadas, que a conexão era de fato, promovida e sustentada. Ali eu aprendi que eu não podia, inclusive, usar a mesma forma de liderança para todas as pessoas do meu time. Que cada um era diferente e que, por isso, eu também precisava ser diferente e me adaptar a cada necessidade.

Por exemplo, tinha uma pessoa que era super criativa e vinha frequentemente com ideias perto de geniais, mas que tinha dificuldade de executá-las e de prioriza-las. Para ela, eu tinha que fazer algo que não costumo gostar, mas que se fazia necessário: entrar mais no detalhe. Fazer o tão temido microgerenciamento. Mas minha liderada não se importava com isso, pelo contrário: até rendia mais.

No mesmo time, tinha outra que era super estratégica e inteligente, mas que tinha pouquíssima paciência para construir relações que eram importantes na sua posição. Com ela, eu não precisava entrar em detalhe de nada, as entregas vinham sempre no prazo e normalmente acima da expectativa. Mas eu precisava sempre direciona-la sobre como se comunicar e criar relacionamentos com pessoas de outras áreas, reforçando a importância disso.

Tinham mais outros perfis, mas acho que com esses dois já dá pra pegar a ideia. Ao me moldar a eles, eu consegui fazer com que cada uma fosse mais longe, recebesse boas avaliações de performance e que nós todos crescêssemos como time.

Não vejo muito como fazer isso no marketing digital, que tende a colocar todo mundo no mesmo balaio.

Eu também sou o meu próprio país. Eu sou cheia de Nós, de laços. Tudo isso compõe quem eu sou. E se eu seguir uma fórmula, tentar me espremer pra caber, acho que vou simplificar demasiadamente quem sou. E eu entendo que simplificar pode ser importante, às vezes, mas acho que o que realmente causa impacto real é a profundidade. Essa que a gente constrói, em geral, com conexões individualizadas e reais.

De uma forma análoga, eu também não uso inteligência artificial nos meus textos (vale dizer, o Substack agora tem até uma funcionalidade “como eu faço isso” para a gente registrar, como escritores, como e se costumamos usar a IA, e já fiz meu registro), e praticamente em nenhum outro conteúdo. Eu quero ter a experiência do processo de escrever - de elaborar enquanto cada letra sai da mente (ou do coração), passa pelo dedo e aparece na tela. Eu quero que o que eu escreva saia sempre com a minha voz, com as minhas referências “completas”, que IA nenhuma poderia pegar, por mais prompts que eu incluísse. Eu quero seguir fazendo meus posts “mais ou menos” no Canva. Eu não quero pedir para o gpt ou para o Claude gerar as artes que ficam com aquela cara igual a de qualquer outra que se vê por aí, que já não chamam atenção de ninguém.

Se eu fosse seguir as regras de ouro do marketing digital, esse e meus outros textos seriam muito mais curtos. Objetivos. Mas não seriam, de fato, meus. Não trariam a profundidade que eu quero trazer. E até talvez por isso, eu perca leitores no caminho. Mas os que ficam até o final são os que mais importam pra mim (e se você for essa pessoa, me conta depois nos comentários? vou amar saber!)

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Em tempos de IA e de fórmulas prontas, eu quero, cada vez mais, uma vida real e menos virtual. Eu quero ser cada vez mais eu, mais autêntica, e incentivar outras pessoas que façam o mesmo.

E isso, senhoras e senhores, tem me dado trabalho. Seria mais fácil usar IA. Seria, talvez mais fácil, lançar um infoproduto. Fazer um ebook. Escrever textos mais curtos e rápidos. Promover mentorias coletivas. Não digo que nunca farei nada disso. Talvez eu faça. Mas hoje, o que mais faz sentido pra mim, é a profundidade - ainda que muitas vezes ela aconteça em uma sala do Google Meet.

Boa parte do meu dia hoje é dedicado a conexões 1:1 - fazendo aquilo que eu mais gostava de fazer quando estava no corporativo. Ora estou atendendo mentoradas, ora estou fazendo bate papos de networking, ora estou discutindo sinergias com candidatos a mentoradas, o que me deixa bem cansada pois em cada um desses momentos tenho atenção plena. Escuto e entendo a realidade individual de cada um, e como essas realidades podem se aproximar da minha. Como meu repertório e minha experiência podem se entrelaçar com as dores e demandas do outro. Como posso impactar e transformar cada pessoa que confia no meu trabalho.

E isso, não acontece do dia para a noite. Não se resolve em uma reunião.

Por isso, meu programa de mentoria não promete resultado rápido, promete 6 meses de profundidade, autenticidade e individualização. Começamos pela pessoa e discutimos como ela se vê e o que precisa melhorar, passamos pelo contexto do tabuleiro e do jogo que ela está jogando e quais as suas complexidades, discutimos onde ela quer chegar e quais os passos para chegar lá. São sim, alguns passos, que dão a base. Mas não tem fórmula. Tem escuta. E atenção.

Prestar atenção genuína, interessar-se verdadeiramente por alguém e pelo que aquela pessoa diz, escutar o raciocínio até o final sem interromper, talvez seja a forma de causar mais impacto na trajetória de alguém. É um trabalho de formiguinha, mas muito valioso.

Será que estou louca querendo trabalhar assim? Será que estou deixando dinheiro na mesa ao não querer escalar meu negócio e aumentar drasticamente a quantidade de pessoas que eu impacto?

Não sei. Eu até posso mudar no futuro. Mas, neste momento, para mim o que vale mais é mudar o mundo a partir de uma pessoa, por mais idealístico que isso soe. É ir na contramão da escala, e caminhar cada vez mais na direção do trabalho artesanal. Talvez buscar a profundidade e respeitar os processos, em um mundo de superficialidade e promessas de resultado rápido, seja a minha forma de protesto. Trabalhar como formiguinha em um mundo que a maioria prefere criar uma colmeia de abelhas.

Eu posso até ganhar menos dinheiro com isso, mas acho que ganho mais como pessoa. Acho que no longo prazo, vai se pagar.

Alguém mais por aí trabalhando dessa forma? Ou pensando desse jeito? Me deixem saber nos comentários.

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Se você atua em posição de liderança e ainda trava na hora de conduzir um 1:1, talvez essas dicas possam te ajudar:

  1. Deixe claro, desde o primeiro agendamento, que o espaço é do liderado. A pauta é dele, ele que coloca na mesa os pontos de discussão. Isso não significa que você não possa levantar assuntos, mas só faça isso no final, caso ainda haja tempo e ele tenha esgotado os pontos. A prioridade do 1:1 é do liderado, e não do líder. E esta é uma premissa importante.

  2. Não desmarque! Na correria da agenda corporativa, muitas vezes a tentação de pedir pra pular ou mudar de horário, ao ver aquele 1:1 previsto e uma lista de tarefas imensa para resolver, pode ser grande. Só que aí você passa a mensagem de que aquele espaço não é tão importante. Evite ao máximo. Respeite o combinado.

  3. Defina e mantenha a frequência. Para realmente conseguir dar um bom suporte e não deixar os temas se acumularem, o ideal é o 1:1 semanal ou no máximo quinzenal. Vejo muita gente fazendo mensal, e aí muitas vezes ou não flui, por falta de hábito, ou tem muitos tópicos e não se consegue cobrir tudo. Lembre-se, como líder, sua maior responsabilidade é cuidar do time. Este é um espaço de cuidado e precisa acontecer frequentemente para ter impacto verdadeiro.

  4. Desligue notificações. Se o 1:1 acontecer remoto / via call, jamais fique em outras abas, respondendo mensagens ou fazendo outras coisas. A pessoa percebe se você desfoca, vê a direção que seu olho está mirando, e não se sente não priorizada, diminuindo em muito o impacto do momento. Além disso, você obviamente não escuta direito se não está totalmente presente.

  5. Destrave a timidez e crie conexão. Muitas vezes, no início do processo, temos liderados mais retraídos, que não sabem muito bem como trazer as pautas ou só dizem que “está tudo bem”.. Nesses casos, tome a frente com quebra-gelos e puxe assuntos que geram conexão, como os pets, os filhos, a academia, viagens.. Entenda o que aquela pessoa se interessa e comece por aí, traga a sua visão sobre aquele tópico, construindo confiança. Se o assunto não fluir, faça perguntas abertas, como “o que mais te trouxe dificuldade nessas últimas semanas?” ou “o que eu poderia fazer para facilitar o seu trabalho?”.

Se quiser trocar mais sobre tudo isso, me chama! Hoje meu trabalho passa muito por trocas e conexões com pessoas em cadeira de liderança de marketing e negócios que enfrentam desafios semelhantes aos que eu enfrento ou já enfrentei e adoro falar sobre tudo isso.

Você decide tudo. A estratégia, a campanha, quem entra e quem sai do time, como administrar os pitacos que vem de todos os lados, o que falar pro CEO quando a meta não bate. E decide sozinha.

Eu passei mais de 15 anos em cargos de alta liderança em empresas como Tramontina, Uber e Warren. Sei como é duro decidir sob pressão, sem tempo, e sem ninguém com quem trocar de verdade sobre isso.

Para isso, criei a Mentoria Liderança Escuta & Impacto 2026: 6 meses de um acompanhamento tático e humano, para transformar o dia a dia de quem decide o futuro de áreas de marketing e negócio, como a Denise, Diretora de Marketing e Vendas na Picsel que me deixou muito honrada com esse depoimento do nosso trabalho juntas.

Se fizer sentido para você, me chama ou se inscreva aqui para agendar uma sessão gratuita de escuta comigo para que você comece a ser escutada de verdade, por alguém que já sentou na sua cadeira e entende o que você está falando (e se não fizer, mas você conhece alguém que precisa de um apoio no mercado corporativo, agradeço a indicação 🙂).

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E pra fechar, vale dizer: como acho que ficou claro no texto, eu não busco escalar o meu negócio de mentoria, eu busco entender a realidade individual de cada mentorada para, juntas, causarmos o máximo de impacto! Por isso, não consigo nem quero atender muitas pessoas por vez.

No momento, restam apenas 2 vagas na oferta de mentoradas fundadoras, uma proposta que criei com valor mais acessível para quem acredita na minha visão e precisa de uma entrega como a minha para esse terceiro trimestre de 2026, e que vai me ajudar a validar o programa como um todo. Isso não é papo de vendedora. É real. Prefiro atender menos, pelo menos neste início, e atender melhor. Trabalho de formiguinha, mas com muito impacto :)

Me chama para garantir a sua vaga pra eu te acompanhar nos próximos 6 meses .

Com carinho e atenção,

Paola.

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  • Me siga no instagram no @paolazbehs.

  • Leia o texto uma carreira em 3 tempos, em que eu conto como divido a minha trajetória corporativa em 3: o mercado tradicional, o mercado tech e startupeiro e a vida autônoma, e os highlights de cada um desses tempos.

  • Compartilhe ou comente este texto! Você também prefere trabalhar como formiguinha ou prefere a escala e o volume? E se você é uma das pessoas que, como eu, valoriza a profundidade e leu até aqui, me deixa saber logo ali nos comentários! Eu amo encontrar minha turma <3

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Read the original on paolazbehs.substack.com

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