Junior Magalhães,
12 de Agosto, 2026
🐇 Olá de novo ;)
Trazendo uma edição mais espaçada novamente por aqui e aproveitando pra perguntar também se sentem falta das edições semanais ou se gostam mais desse formato quinzenal ;)
Na terça 04/08, a Decade saiu do stealth mode com a maior rodada seed da história da América Latina. US$ 85 milhões, dois fundadores ex-Nubank, designers que fizeram parte da mesma história e um produto de finanças pessoais com AI.
Nesses último meses, coincidentemente a gente encerrou o Gasto Diário e queria compartilhar aqui com quem acompanha a news sobre nossos aprendizados ;)
Como fui documentando durante a news, entramos em um momento em que ter ideia virou a parte fácil e barata do trabalho. Todo mundo tem uma tese, um protótipo feito em uma semana, um post de thread com as ideias do futuro. Quase ninguém leva até o fim ou realmente se dedica a mostrar algo para o mundo.
Parte do que queria compartilhar com a criação do Gasto Diário no Coelho Branco tem a ver com esse processo: o que você descobre depois de conversar com investidores, olhar números de waitlist, se animar com isso e entender o que realmente importa na construção de produto hoje.
Além disso, bastante coisa legal também nessa edição. A rodada da Decade, tem o que a gente aprendeu encerrando, uma seção sobre o Framer de 2015 que eu queria escrever faz tempo e os melhores links de AI e Craft desse ano na minha visão.
A Decade foi fundada em setembro do ano passado por Vitor Olivier, que passou quase 12 anos no Nubank e saiu como CTO, e Felipe Meneses, cofundador da Hyperplane, a startup de AI pra crédito que o Nubank comprou em 2024.
Na terça 04/08 eles anunciaram a rodada de US$ 85 milhões, cerca de R$ 440 milhões. Benchmark, Diffusion e Greenoaks do lado americano, Atlantico e Norte Ventures do lado brasileiro. É a maior seed já levantada na América Latina, bate o recorde anterior da Pax, de US$ 40 milhões. O anúncio só veio agora, junto com a abertura da lista de espera.
Para quem é designer na news, queria dar destaque a quem está construindo também a experiência. O time também fez parte da construção da primeira conta do Nubank e é bem relevante acompanhar o background do time pra quem for designer e tiver interessante. Definitivamente, vem algo feito com a atenção merecida pro problema ;)
O Vitor descreveu a tese pro Brazil Journal de um jeito que eu acho que todo founder brasileiro deveria copiar: a receita do Nubank foi cruzar uma dor grande com uma onda tecnológica. Lá foi acesso a produto financeiro mais smartphone e nuvem. Aqui é gestão de patrimônio mais AI. O dado que ele usa pra dimensionar a dor: só 7% dos brasileiros conseguiriam se aposentar com recursos próprios.
Mas o detalhe que me pegou não foi o cheque. Foi o modelo: R$ 200 por mês, com um consultor humano acessível por WhatsApp. Num momento em que todo mundo tá tentando tirar o humano do loop pra baratear, eles colocaram o humano de volta e cobraram por isso. Tenho a sensação que essa é a decisão de produto mais interessante da rodada inteira.
→ Brazil Journal: Ex-Nubank levanta seed histórico
Ninguém precisa somente de mais informação sobre o próprio dinheiro.
Primeiro o mais importante: o Gasto Diário não foi um produto construido sozinho. A ideia surgiu de uma conversa em casa com o Rodrigo Torres e depois de um tempo o Humberto Castro chegou para construir isso conosco do primeiro rabisco até a decisão de parar. Obrigado, de verdade. Esse tempo de construção foi muito divertido e valioso e tem muita coisa que me orgulho do que fizemos ;)
A gente anunciou a waitlist do app aqui em novembro, com a tese de simplicidade radical: um número por dia, sem categoria, sem planilha, sem fricção. Chegamos a 600 pessoas na lista de espera, sentamos com as maiores VCs do Brasil e passamos meses dentro do problema. Um pouco sobre o que criamos:
Construir do zero é uma habilidade que não se aprende lendo sobre. A gente fez um produto inteiro, começo ao fim. Isso muda o que você enxerga em qualquer produto pelo resto da vida. Muito do que você aprende está nas conversas que tem ao longo da construção e não somente da solução ou da exploração do problema.
Distribuição também se entende criando. Todo mundo repete que distribuição importa. Uma coisa é saber, outra é ver a curva da waitlist e sentir na mão o que custa cada assinante.
E o principal: O problema como sempre mencionei como a principal fonte de inspiração. Concluímos que a dor do Gasto Diário não é somente um problema de informação. Talvez o melhor exemplo é que ela segue a mesma dinâmica de uma academia ou do exercício físico. Todo mundo sabe o que precisa fazer pra ficar saudável e em forma, e mesmo assim nem todo mundo faz. Saúde financeira funciona igual.
A pessoa que precisa de acompanhamento diário não está esperando um gráfico mais bonito do quanto ela gastou. Normalmente, ela já sabe do problema que a afeta todos os dias. Pela nossa descoberta, o produto teria que tocar na ação do gasto, no momento em que ela acontece, e não gerar mais uma camada de informação em cima de quem já tá afogado nela.
Além disso, descobrimos junto que isso não é problema de quem ganha pouco. O problema existe para vários perfis econômicos, e um dos exemplos mais claros foi o de um médico: salário alto, em alguns casos zero controle da própria atividade financeira.
O Gasto Diário foi nossa tentativa de sair do mar de ideias e ir até o fim em algo que a gente acredita de verdade, que muita gente viveria melhor com controle da própria saúde financeira sem um conflito de interesse. Continuamos acreditando nisso. Só sabemos bem mais sobre o problema agora do que sabíamos em maio.
E o que acontece com o produto agora: A home do Gasto Diário continua live por enquanto, porém, iremos encerrar todas as atividades nos próximos meses. Queremos agradecer todos que testaram e fizeram parte dos feedbacks e da construção do produto.
O privilégio de tentar além do superficial é algo que queria inspirar as pessoas que estão a minha volta e os leitores do Coelho Branco. Ficamos muito felizes com toda a construção e sabemos que vamos ter ótimos retornos com todo o aprendizado que construímos nesse caminho. Denovo, queria agradecer mais uma vez ao Rodrigo e Humberto pela parceria na criação do GD.
Prototipar sempre teve muita relação com código. A gente só esqueceu por uns cinco anos.
O Framer que os designers usam hoje pra publicar sites não é o mesmo de 10 anos atrás. O protótipo abaixo foi criado por mim em 2019. Na época o Framer parecia mais uma IDE como o Cursor onde você transferia seus artboards do sketch para ele e conseguia via Typescript prototipar cada uma das interações. Parece complexo, porém, para quem testou ou usava achava bem divertido de prototipar com a ferramenta e na época era a melhor na minha opinião comparando com as outras ferramentas disponíveis.
O mais curioso é que poucas pessoas que conhecem a ferramenta hoje sabem desse histórico e isso pode ser relevante para o momento atual.
O Framer original nasceu em 2014, em Amsterdam, com Koen Bok e Jorn van Dijk. Era uma biblioteca JavaScript, e em 2015 virou o Framer Studio: um canvas colado num editor de código em CoffeeScript. Pra fazer uma transição com física de mola você escrevia a transição. Não tinha painel de easing, tinha função. Dropbox, Twitter, Microsoft e Amazon rodavam protótipo nisso, e o desktop chegou a uns US$ 4 a 5 milhões de ARR até 2019.
Em 2018 veio o Framer X e trocou o CoffeeScript por React com JavaScript e TypeScript. Ganhou poder e perdeu gente no caminho: o Adrian Zumbrunnen escreveu na época que no Classic o código era um meio pra um fim, nunca um fim em si, e que o Framer X tentou transformar todo designer em UX engineer. Entre 2021 e 2022 a empresa virou website builder e o capítulo com código na ferramenta como principal interface fechou.
Esse histórico me leva a pensar que provavelmente nem todos os designers irão aderir ao movimento de código, porém, que temos mais uma forma de construir e explorar as interações que queremos para nossos produtos mas que também não é totalmente nova se formos olhar como as ferramentas evoluíram nos últimos anos.
Pra quem gosta, com certeza vale conferir os próximos dois links da próxima seção ;)
→ Interface Craft, do Josh Puckett, que projeta na Iteration Design e antes liderou times na Dropbox, na Wealthfront e na Groupon. É uma biblioteca paga sobre desenhar interface com cuidado incomum: mais de 40 artigos, walkthroughs interativos, ferramentas próprias e, o detalhe que me pegou, arquivos de skill pra usar com seus agentes.
→ Devouring Details, do Rauno Freiberg, acho que é um dos materiais mais legais atualmente pra quem ta estudando Ai + Prototipação. São 23 capítulos de conteúdo sobre interações com código com 23 componentes React pra baixar, divididos em Princípios, Protótipos e Recursos.
→ Airbnb 2026 Summer Release. Lançamentos do airbnb de verão que já compartilhei por aqui mas que valem acompanhar todos os anos pra quem quiser se inspirar.
Obrigado a todos os leitores e amigos próximos, por acompanharem, compartilharem a newsletter e me apoiar por aqui 🇧🇷 🐇✨
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Junior Magalhães
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O Coelho Branco é uma newsletter brasileira sobre Design, AI e Produto. Toda semana, curadoria e análise para quem constrói o futuro. Para Founders, Designers, PMs & Devs.

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