O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, afirmou, este sábado, que a situação do ministro da Administração Interna, Luís Neves, "é um problema do Governo". Aproveitou também para comentar os tempos de espera nas urgências dos hospitais, apontando também o dedo ao Executivo ao dizer que "o acesso à saúde só se garante com o serviço nacional forte".
"A situação do ministro Luís Neves hoje não é um problema de Luís Neves, é um problema do Governo", começou por dizer, em declarações aos jornalistas, em Lagoa, quando questionado sobre qual posição terá o PCP relativamente à exoneração que será pedida pelo Chega na Assembleia da República.
E acrescentou: "O Governo vai ter de olhar para o seu próprio interior e perceber qual é a dimensão de um problema que está a criar".
Para Paulo Raimundo, "não é apenas com Luís Neves", salientando a "sucessão de casos que se vão conhecendo".
"Temos uma situação hoje onde temos os, se quiser, os grupos económicos sentados no Conselho de Ministros e cada ministro tem uma encomenda para resolver. Isto é um problema do Governo, não é um problema só de Luís Neves. Ainda que a situação do ministro Luís Neves é de forma particular evidente que está a arrastar o Governo e o Governo está a deixar-se arrastar", salientou.
Sobre o pedido de exoneração que o Chega vai apresentar, o secretário-geral do PCP notou que desconhece: "não conheço nada, não ouvi nada".
Tempos de espera nas urgências
"Mais urgências fechadas, a continuação dos tempos de espera e, portanto, a única coisa verdadeira que a ministra da Saúde disse é que há menos urgências fechadas este verão do que no ano passado. Por uma razão simples: é que já houve urgências que a ministra decidiu fechar e, portanto, como há menos urgências a funcionar, há menos urgências fechadas", salientou.
Paulo Raimundo apontou, no entanto, que a falta de médicos, enfermeiros, tempos de espera "continuam tal e qual e vão continuar". "O caminho de desmantelamento do Serviço Nacional de Saúde (SNS) que está em curso é para continuar esta situação".
"O acesso à saúde só se garante com um serviço nacional forte. Não é com parcerias público-privadas como o Governo quer fazer no Algarve que se vai resolver a questão. Vai piorar ainda", referiu.
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