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“Will tem uma habilidade notável de assumir o ponto de vista emocional do assassino. Ele pode empatizar com eles.” — Hannibal Lecter.
Ao lidar com uma moral de uma amiga minha junto com outras amigas, percebi que grande parte do mundo, ou ele como inteiro, despreza sentimentos de outras pessoas e preza só pelo o ponto único de vista de quem a pessoa preferir. E isso me faz questionar onde eu, uma pessoa empática até demais e que se coloca em outras situações, tenho empatia suficiente para todos aqueles que não tem.
Acho que, como sempre em todo texto, isso começa na minha infância. Nunca fui uma criança de falar sobre meus sentimentos, eu nunca tive abertura para falar sobre eles, o que me fez ser uma criança observadora e a famosa pessoa “olheirão”.
Eu nunca fui inteligente com textos (dói admitir isso) e principalmente com contas, sempre fui mediana em tudo que já fiz em minha vida. Mas eu nunca fui mediana em uma coisa: inteligência emocional. Sempre fui a psicóloga das minhas amigas, aquela com os melhores conselhos e quase uma espécie de congressista em todos os meus grupos de amigos.
Cresci e me conheço assim, simplesmente como a pessoa mais empática que eu mesma já conheci. Sempre me coloco no lugar dos outros mesmo tendo me machucado e sempre busco algum motivo do porque as pessoas agem assim. E isso é uma dádiva pensando em como anda o mundo e as pessoas à minha volta, mas também é uma calamidade para mim.
E esse é um dos motivos onde eu fujo de qualquer tipo de conflito, já que para mim não faz sentido existirem conflitos tão fúteis quanto os que eu vejo. E também é um dos motivos pelo qual eu não sei agir em situações onde o conflito me envolve.
Isso me faz pensar como se meu cérebro fosse único e somente eu pensasse assim, e isso me assusta. Já que um mundo onde as pessoas não ligam com responsabilidade afetiva, mas vivem buscando relacionamentos de diferentes tipos, onde eu me encaixo?
Algumas vezes eu me acho tão diferente das outras pessoas e não é de um jeito legal, mas sim como uma praga que se espalha no meu corpo cada vez mais. Eu olho as pessoas à minha volta e eu vejo que eu não me encaixo e nunca vou me encaixar, que eu sou diferente e estranha, que existe algo de errado comigo.
E confesso até que é um tipo de egoísmo essa empatia eterna, somos narcisistas disfarçados de altruístas. Queremos agradar a todos, mesmo que isso nos destruía, porque não conseguimos viver com o peso de deixar uma pessoa minimamente decepcionada conosco.
E sendo uma bela observadora como eu sou, também consigo observar em que situações ser empática (apesar de algumas vezes não conseguir controlar). Eu sempre vejo os mínimos detalhes, eu sempre vejo tudo.
Acho que ninguém nunca percebeu isso sobre mim. Ninguém nunca prestou atenção suficiente sobre mim para saber isso. Queria ser vista sobre isso. E não de um jeito narcisista, mas sim… de uma maneira que nem eu mesma consigo descrever. Acredito que só é a consequência de nunca ser vista, só desejar ser vista sobre qualquer coisa sobre você, não é?
Essa vontade de ser vista é um desejo tão ardente, mas tão egoísta também. Mas eu me deixo ser egoísta assim, já que eu não aguento mais ter que falar comigo mesma sobre mim. Algumas vezes nós não nos aguentamos porque outras pessoas precisam nos aguentar por nós.
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“Nós somos semelhantes, Will. Foi por isso que você me pegou.” — Hannibal Lecter.
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