Talvez tudo tenha começado na pandemia, quando eu me trancava no meu quarto e não saia para nada além de pegar comida e água. Não. Isso é muito mais profundo do que aí.
Com certeza tudo começou, pelo o que eu me lembro, aos meus sete anos quando eu entrei para escola. Minha mãe começa a faculdade de direito de manhã e meu pai trabalha de manhã e de tarde. Eu era deixada na casa da babá até ser levada para a escola pelo meu pai.
Meus pais nunca tinham tempo para mim. E eu entendo agora, mas ainda sinto falta do que eu não vivi. Eu lembro de como eu implorava para minha mãe, que fazia algum trabalho da faculdade, para brincar comigo. E meu pai? Eu nem tenho memórias daquela época, sempre que chegava em casa se trancava no quarto. E eu não o culpo ele também, já que ele estava convivendo com uma depressão severa e tentando superar o luto da minha avó. Mas novamente, uma criança de sete anos não entende nada disso.
Então eu cresci guardando tudo para mim. Passei três anos da minha vida escolar sozinha sendo excluída pelos meus colegas? Nunca contei para os meus pais. Escutava os problemas dos meus pais, como descobrir que meu pai tinha depressão? Nunca falei nada sobre. Me sentia sozinha sem eles? Não me importava.
Me lembro perfeitamente de como minha felicidade era voltar para casa, sentar no sofá e mofar assistindo desenhos do cartoon network. Eles eram meus únicos amigos e confidentes.
E acredito que logo depois disso, vem o efeito Alex Dunphy. Você cresce sozinho, sem a supervisão dos seus pais e descobre sozinho sobre o mundo. Guarda tudo para você, se sente superior nas únicas coisas que é bom (e não aceita ninguém ser melhor) e se cobra muito porque é sua única maneira de chamar atenção. Mas não é suficiente.
Me lembro de contar como era a minha infância para os meus pais. Minha mãe faz piada com isso até hoje, e acredito que faz um ano que eu contei minha experiência. Qualquer coisa é motivo de “ah, daqui alguns anos esse vai ser o motivo do drama de mais um novo trauma na sua vida”. Eu amo minha mãe, mas algumas vezes eu não queria ser filha dela. E meu pai? Ele não fala nada.
Algumas vezes, quase sempre, eu me sinto de lado. Eu sempre escuto da minha mãe “mas você teve todos os brinquedos que queria, a gente te deu de tudo”, mas nunca presença emocional. Eles me falam que sempre tive muito afeto físico, e isso é realmente, eu me lembro e eu sempre tive. Mas eu nunca tive emocional, algum tipo de suporte. Isso nunca existiu.
E eu ainda me sinto assim. Toda vez que eu converso com minha mãe, a gente acaba brigando e nenhuma das duas pede desculpas. E eu nunca converso com meu pai, é estranho até conversar com ele, é como se fosse forçado.
E isso tudo pode soar bem ingrata, mas é o que eu sinto. Eu sinto falta de algo que nunca existiu.
Eu só não queria ser uma Alex Dunphy, eu queria ser a Hailey deles.
Ninguém nesta família realmente se importou comigo. — Alex Dunphy.
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