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Pop Fantasma · Aug 12, 2026

Rough Trade encaixotada

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Ricardo Schott · Pop Fantasma

Uma reunião dos Smiths continua parecendo improvável, mas Morrissey e Johnny Marr encontraram uma rara ocasião para trabalhar em torno do legado da banda. Os dois participaram das decisões relacionadas a uma nova edição de The headmaster ritual, faixa de Meat is murder (1985), que estará na caixa de singles Volume 2, da Rough Trade, prevista para outubro.

Essa notícia saiu hoje no Pop Fantasma, deixando claro que não se trata de um reencontro dos dois - provavelmente nem sequer se falaram para decidir coisas sobre o tal single. Mas o que salta aos olhos no textinho que publicamos hoje é o baita capricho com que a Rough Trade trata seu próprio catálogo.

O Volume 1 já era maravilhoso, trazendo de volta o passado punk do selo (que lançou bandas como Stiff Little Fingers) e agora o período indie, dos anos 1980 - que inclui bandas influentes até hoje, como Smiths e Mazzy Star - ganha sua caixinha. Difícil vai ser achar esse material pra vender por aí, ainda mais a preços acessíveis. Mas só de saber que tem gente por aí tratando música como memória, já dá aquela alegrada básica.

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PARA SABER

O Howling Bells, uma banda que eu adoro, também está tratando seu material como afeto e memória: vasculhou até achar demos da época de seu primeiro disco, Howling Bells (2006) e fez um lançamento em vinil do disco, com um single de brinde - ainda vai rolar um show comemorativo de 20 anos do álbum.

O Spotify, que trata música como número mesmo, decidiu que vai criar um selo de “AI persona” para artistas de IA, e tirá-los das recomendações do aplicativo. Se isso vai mudar algo? Acho mais fácil imaginar que a IA vai ficar cada vez mais poderosa e sair burlando qualquer bloqueio que vir pela frente.

E tem show do New Order em SP vindo aí, como você já sabe - só que a Balaclava decidiu abrir mais uma data, já que a outra havia esgotado. Ingressos à venda a partir desta quinta (13) ao meio-dia. Há quem ande falando que se trata de um show “sabor New Order”, como aquelas bebidas sabor café - afinal é só o vocalista.

E quem estiver por SP no fim de semana não deixe de conferir o show Urro – 40 anos de Cabeça Dinossauro, uma releitura das músicas do disco dos Titãs pelas vozes de Juliana Perdigão, Sophia Chablau, Jonnata Doll e Danislau (Porcas Borboletas), além de um time de músicos. Vai rolar sábado (15) e domingo (16) no Sesc 14 Bis.

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O assunto hoje no nosso apoia.se/popfantasma foi... sabe quando um assunto vira assunto, mas acaba ocupando o lugar de outros assuntos? Tipo quando declarações infelizes viram meme e cancelamento, mas você adoraria que dessem o mesmo espaço também pra sons novos, ou pra memória da música? Aliás, sabe quando você percebe que tem menos gente interessada em música nova do que você gostaria? Pois é, falei disso.

E se você ainda não assina o apoia.se do Pop Fantasma, considere a possibilidade: por apenas dez reais por mês você ganha um conteúdo que vai além do que está no site e ainda ajuda a manter site e podcast (e tudo o mais que vem junto deles) de pé sem cair, e deitado sem cochilar. Ele é o nosso patrocinador.

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PARA OUVIR

Você tem que conhecer o peso punk + stoner + espacial da banda carioca Muzgo, que estreia com o disco Um lugar alguém - e já levou o som para o palco do Audio Rebel, nesta semana. E a MPB lo-fi e sonhadora do alagoano Bruno Berle, que lançou recentemente o álbum Sem fronteiras. Por outro lado, não fique sem conhecer o stoner francês da banda feminina Pussy Miel, com o EP Bee raged. E confira a volta da banda galesa The Darling Buds com o disco Same sun / Same sky, power pop + punk + new wave como antigamente, mas atualizado e novo.

Isso foi resenhado no Pop Fantasma nos últimos dois dias, ao lado de Picking petals, disco novo de Lucia and The Best Boys, total pop-rock de FM dos anos 1980. E também do “emo whatever core” do Moving boxes, com o ótimo disco Nothing so certain, rock emocional falando sobre dúvidas e perdas. Tem também o som altamente espacial de Dion Lunadon, com sua coletânea de raridades e hits (e inéditas) Rare gems vol.1. E o post rock do gaúcho Mau K, com o EP Cortejos.

Falando em emoção, se precisar dar aquela bela chorada, vá direto no single de doze minutos de Neil Young e seus Chrome Hearts, Second song, que anuncia o álbum de mesmo nome - tudo que já dá pra saber sobre o disco tá no Pop Fantasma. Do Brasil, o Azú une MPB e jazz no single Aonde vamos daqui. Luís Perdiz faz indie-MPB-rock da calmaria em Estadia. A banda Stereotrilhos encara a superação pós-pandemia em single triplo.

Sammliz transforma em imagens o dream pop de seu single Daqui, em 1976, acenei pra você. Giovani Baroni continua o ciclo de pré-lançamento de seu álbum solo blU com Fishy boy, canção marítima inspirada no Radiohead. E vale uma ouvida e uma acompanhada no Amigos Imaginários, projeto montado pelo músico Lucas Emanuel (da banda Zambrotta), que acaba de lançar o sonhador single Rua São Sebastião, um shoegaze feito de memórias.

Ainda de lá de fora, o ex-batera do Slayer, Dave Lombardo, uniu-se ao músico experimental Lustmord para fazer ambient satânico no Lustmord Lombardo, que solta álbum em breve e já lançou o sombrio single Paleomagnetic resonance.

Obrigado pela companhia!

Ricardo Schott (editor do Pop Fantasma)

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Read the original on newsletterpopfantasma.substack.com

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