Duas semanas atrás, quando entrei na Allianz Arena para ver o último show do Bad Bunny na América Latina, os Estados Unidos ainda não tinham invadido o Irã.
Foi a última semana antes que mais um evento catastrófico de escala global estourasse em nossas vidas. Mas, pensando agora, há algo de simbólico no fato do show ter acontecido justamente na véspera de mais um possível fim do mundo.
Historiadores, analistas de geopolítica e talvez o próprio tempo vão nos dizer se esse foi realmente o estopim de uma terceira guerra mundial, como alguns já afirmam por aí. E vamos ter que esperar um pouco mais para entender todas as consequências dessa nova guerra. Mas, mesmo antes de tudo isso, ali, dançando reggaeton aos pés da casita, enquanto aquele gostoso rebolava a raba, nós já nos agarrávamos a resquícios de passados, histórias e tradições das quais não estamos prontos para nos despedir.
Bad Bunny canta contra o fim de um mundo, o seu. E ao cantar contra a gentrificação e o imperialismo americano que destroem a Porto Rico que ele conheceu, ele acaba dando voz também a toda a América Latina e, de quebra, a todo sul global.
Ali, no meio do show, nós dançamos com ele contra o fim iminente das coisas. Contra ilhas que viram resorts, contra culturas que viram produto, contra a extinção de direitos, assassinatos, deportações, desaparições, neofascismo, crises climáticas e econômicas e contra o estágio final do capitalismo.
Tem um meme que vira e mexe ressurge por aí que diz mais ou menos isso: “Millenials atravessando outro desastre”. No vídeo, um rapaz com ali seus 40 anos canta e dança enquanto decide se surta com outra guerra, com outra recessão, ou se escolhe um bom restaurante para jantar.
Isso me lembrou aquela frase famosa que o Kafka escreveu em seus diários:
“Hoje a Alemanha declarou guerra à Rússia. À tarde, fui nadar.”
Sempre achei curioso como a vida consegue acomodar acontecimentos gigantes dentro de rotinas ridiculamente banais. O mundo entra em guerra e, algumas horas depois, a gente sai pra almoçar e falar da Ana Paula do BBB. Foi exatamente isso que eu fiz no último domingo.
Porque, sei lá vocês, mas eu estou exausta.
São tantos eventos, pontos zero, catástrofes e recomeços que a gente não parece viver uma época histórica, mas uma sequência delas. E, diante da fadiga do caos e a consciência da nossa insignificância pra mudar qualquer coisa, nos restou nos inebriar quando possível e rir da nossa própria desgraça.
Não é de se espantar que nossa geração tenha desenvolvido um senso de humor particular diante do colapso. Acho que poucas coisas resumem a experiência dos Millennials e Gen Z no mundo. Memes são nossos animais de suporte emocional.
E seria irônico, de um jeito nada divertido, se uma guerra mundial tivesse começado logo depois do carnaval, assim como foi na pandemia. Alguém viralizou esses dias (e aí vou citar mais uma produção humor&piadas para lidar com a catástrofe) dizendo que a Banda Eva fez a gente acreditar que o fim da aventura humana na Terra seria mais alto astral.
Acho difícil imaginar que, mesmo nos piores pesadelos de Giancarlo Bigazzi e Umberto Tozzi, os italianos que compuseram a música original, eles tenham previsto que milhões de pessoas cantariam essa canção em blocos de carnaval enquanto acreditavam que, de fato, estavam vivendo o fim dos tempos.
Talvez seja isso que resta a uma geração tão acostumada ao colapso: aguardar o pior ao som de uns batuques. Ser feliz nos intervalos entre uma crise e outra.
O mundo ainda vai acabar muitas vezes antes de acabar de verdade. Mas como cantou o Benito diante de um estádio lotado no outro dia… seguimos aquí.
Ando sumida das redes, mas não completamente parada.
Publiquei (e já faz um tempinho) os dois vídeos da minha viagem pra Chicago no ano passado, mas não divulguei aqui.
Esse ano, quero me organizar para voltar a aparecer lá no canal. Por enquanto, deixo vocês com algumas curiosidades da cidade mais cool dos Estados Unidos e com um passeio gastronômicos pelos restaurantes de The Bear.
Olá, Viajeros!
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Continuem explorando!
Nos vemos na próxima,
Até lá!

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