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MR Jobim | Branding Boutique · Jul 20, 2026

Por que sentimos, a todo momento, que estamos perdendo tempo?

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MR Jobim · MR Jobim | Branding Boutique

Vivemos na era do imediatismo. Um vídeo de poucos segundos costuma entregar problema e resposta, ganchos de atenção, estímulos sonoros, visuais e psicológicos, tudo ao mesmo tempo. Ele pode tentar vender algo, informar sobre um problema real, gerar sensacionalismo, entreter ou simplesmente compartilhar uma opinião (tudo isso em poucos segundos). No fim, pouco importa qual dessas intenções está por trás, porque sequer há tempo para formular individualmente cada conteúdo que aparece na tela. O scroll já nos leva ao próximo, numa sucessão infinita de informações em excesso que somos incapazes de assimilar.

O Tempo Transfixado – René Magritte | O Grito – Edvard Munch

Um estudo da University of California traduziu esse hábito em um número curioso (lê-se assustador): a capacidade média de atenção caiu de dois minutos, no início dos anos 2000, para 47 segundos em 2023. E olha que já estamos em 2026.
De fato estamos reeducando nosso cérebro a consumir o mundo em fatias cada vez menores, e essas fatias, por mais numerosas que sejam, nunca se somam a nada que pareça inteiro.

Persistência da Memória - Salvador Dalí

Nunca fizemos tanta coisa ao mesmo tempo, nem tanta coisa em tão pouco tempo. Multitarefas, respostas instantâneas, automação, chats generativos e consumo ilimitado de conteúdos digitais. Ainda assim, nunca sentimos com tanta intensidade que o tempo escapa por entre os dedos. É um paradoxo mesmo.Quanto mais rápido tudo acontece, mais rápido esquecemos que aconteceu. O filósofo Byung-Chul Han chama esse estado de sociedade do cansaço, um presente tão saturado de estímulos que perdemos a capacidade de simplesmente permanecer em algo. Vivemos em hiperatenção, e talvez seja exatamente a velocidade, e não a falta dela, que nos rouba a sensação de presença.

Nighthawks – Edward Hopper

Terminar uma série chata, sustentar um hobby que você não desempenha bem ou voltar para algo que ficou pela metade são coisas que pedem insistência e continuidade, aspectos que podem ser contra intuitivos no mundo contemporâneo. A sensação de “perder tempo”, como se o tempo fosse uma moeda, trata a produtividade como regra em todos os setores da vida. O fato é que quando multiplicamos tarefas e reduzimos cada experiência a poucos segundos, deixamos de estar inteiros em cada uma delas, nos descolamos dos processos e nos habituamos a não prestar atenção.
Talvez, retomando Byung-Chul Han, a atenção seja mesmo o ponto-chave nesse dilema moderno: é só estando inteiro em alguma coisa que a gente deixa de sentir o tempo escapar.

A Desintegração da Persistência da Memória – Salvador Dalí | Mulher à Janela – Caspar David Friedrich

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