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MR Jobim | Branding Boutique · Feb 9, 2026

O que esperar das marcas em 2026

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MR Jobim, Maria Ruth Jobim · MR Jobim | Branding Boutique

Os últimos anos foram marcados por excesso de imagem, velocidade e performance constante, 2026 começa a apontar para um movimento diferente: menos superfície e mais profundidade.

Não se trata de uma ruptura dramática, mas de uma mudança de sensibilidade. Alguns sinais já são visíveis — no comportamento do público, na forma como experiências físicas voltam a ganhar valor e na crescente desconfiança em relação a discursos muito polidos, porém vazios. Acredito que este ano será o momento onde daremos boas-vindas à fricção, à imperfeição. Depois de anos tentando parecer impecáveis, marcas começam a perceber que o que realmente cria vínculo não é a perfeição — é a presença.

Presença tem textura, tem ruído e demanda tempo.

A seguir, compartilho cinco movimentos que devem orientar o posicionamento das marcas no próximo ano.

Durante um período recente, bastava parecer relevante: acompanhar tendências visuais, adotar o tom de voz do momento e manter presença constante nas redes.

Esse modelo começa a mostrar limites. Performance sem substância gera atenção, mas não constrói vínculo nem longevidade. O que cresce agora é a busca por coerência, consistência e densidade de pensamento.

Em outras palavras: menos marcas que apenas comunicam bem, mais marcas que têm algo real para sustentar.

Por anos, o digital premiou experiências sem ruído: interfaces suaves, discursos alinhados, narrativas impecáveis.

Mas o excesso de perfeição produziu distanciamento. Ainda quando acompanhamos o crescimento do IA que nos gera cada vez mais dúvida do que é real ou não.

E, por isso, o público começa a responder melhor ao que parece vivo, processual e humano. O humano tem arestas, ele não é liso. Em 2026, a fricção deixa de ser erro e passa a ser evidência de verdade. As texturas voltam, os processos aparecem e bastidores deixam de ser estratégia para ser, de fato, realidade.

A imperfeição deixa de ser erro e passa a funcionar como prova de presença humana.

Quanto mais digital se tornou a experiência, mais valioso ficou o que pode ser vivido com o corpo inteiro.

Espaços, encontros, rituais e experiências sensoriais voltam ao centro da estratégia de marca. Não como nostalgia, mas como resposta a um cansaço digital evidente.

Para marcas, isso significa criar mais experiências e oportunidades de convivência real. Além de investir em ativamente construir memórias positivas com o seu consumidor. Algo que vai além de métricas e alcance.

Porque comunidade não se constrói só com alcance. Se constrói com memória.

Talvez uma das mudanças mais importantes de 2026 seja silenciosa:
a volta do respeito pelo conhecimento profundo e especialização. Depois de anos em que opinião e autoridade pareceram equivalentes, começamos a distinguir novamente quem estudou, quem viveu e, quem construiu.

O especialista performático dá espaço para quem sustenta pensamento crítico ao longo do tempo.

Isso muda tudo para as marcas. Porque não será mais suficiente parecer sofisticado. Será preciso de fato ser.

A beleza não desaparece. Mas deixa de ser superfície.

Eu acredito que o design começa no processo. Ele é uma forma de enxergar o mundo. Acredito que em 2026, o design volta a ser entendido como linguagem estratégica e não apenas como acabamento visual.
Forma, materialidade, intenção, estudo, narrativa e contexto passam a ter peso equivalente ao impacto estético imediato.

Talvez a nova sofisticação seja justamente essa: menos espetáculo, mais intenção.

Enxergo esses sinais como um convite para desacelerar a perfomance, para aprofundar o pensamento. para criar com mais verdade do que pressa.

Marcas que aceitarem esse convite talvez cresçam mais devagar. Mas crescerão com raiz. E raiz sustenta o que o algoritmo nunca sustentou:
relevância ao longo do tempo.

No fim, talvez a pergunta não seja
“o que esperar das marcas em 2026?”

Mas sim:

quais marcas estarão dispostas a voltar a ser humanas?

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Read the original on mrjobim.substack.com

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