Bem-vindos de volta aO Sarcasmo de Sexta. O vosso final de semana mental começa oficialmente agora, com aquele abanão necessário para sacudir a poeira da hipocrisia que se acumulou nos últimos dias.
Hoje, vamos falar de mais um ataque de pânico da nossa gloriosa sociedade moderna. Um daqueles ataques tão absurdamente ilógicos que me faz questionar se a evolução humana não meteu a marcha-atrás e travou a fundo.
Vamos falar (outra vez) da nova caça às bruxas:
a febre de rotular tudo o que cheire a Inteligência Artificial.
Se andas atento ao manicómio das redes sociais (e pelos vistos até aqui o Substack já se meteu na brincadeira), deves ter reparado que agora há “detetores de IA” e etiquetas de aviso em todo o lado. As grandes tecnológicas, aterrorizadas com a turba de tochas na mão, prometeram enfiar “marcas de água ocultas” e códigos secretos nos seus modelos para garantir que o consumidor sabe exactamente que aquele texto, aquela imagem ou aquela música teve o dedo sujo de um algoritmo.
Ó pá, isto era tão porreiro há uns anos quando mentes bacocas copiavam o meu conteúdo ou o de outras pessoas e re-publicavam com outro nome!
Vem, como sempre, do eterno movimento dos Velhos do Restelo. Vem daquela praga de “artistas” sem rasgo, de criativos anémicos que não têm uma ideia original desde 1998, e que agora choram baba e ranho porque um miúdo num quarto escuro, usando a ferramenta certa, produz algo mil vezes mais apelativo do que eles (e na maioria das vezes MELHOR). O ego deles está ferido, tristonho, enraivecido e a babar mais do que nunca!
Mas vamos dissecar o grau de estupidez desta exigência, porque a matemática da coisa é digna de um sketch de comédia.
Reparem bem no ridículo da situação: a sociedade pediu aos engenheiros para criarem uma IA... que vai analisar ficheiros para detectar se foram feitos por uma IA... inserindo marcas ocultas geradas por IA... que, passados dez minutos, uma outra IA paralela de código aberto já sabe perfeitamente como remover e limpar.
É o equivalente digital a um cão a tentar morder a própria cauda, mas financiado com milhões de dólares no Silicon Valley, para agradar as massas de saquinho de pano na mão.
E enquanto esta malta bate no peito e rasga as vestes pela “pureza humana” contra a “máquina malvada”, o que é que eles fazem no seu dia-a-dia?
Acordam, desbloqueiam o telemóvel com reconhecimento facial (IA). Entram no carro e deixam o GPS calcular a rota para fugir ao trânsito (IA). Vão ao banco e o algoritmo aprova-lhes o crédito (IA). Escrevem tweets indignados contra o ChatGPT e deixam o corrector ortográfico do teclado prever a próxima palavra (IA).
A comodidade eles engolem sem mastigar; a evolução criativa eles querem queimar na fogueira.
Fazem-me lembrar certas organizações de fachada. O movimento anti-IA de hoje é como o Greenpeace... que, se olharmos bem para as suas acções, nem é green (verde) nem procura peace (paz), servindo apenas para fazer barulho mediático, atirar sopa para cima de quadros e encher os bolsos com donativos de gente de mente fraca. O rótulo é lindo; o conteúdo é uma farsa.
Eu passo a vida a pedir (e a ensinar nos meus podcasts e nas minhas mentorias) literacia digital e literacia emocional. Digo sempre que as pessoas precisam de compreender as ferramentas e gerir as suas próprias emoções para não serem engolidas pelo sistema. Mas, confesso-vos... há dias em que sinto que pedir literacia a esta humanidade é o mesmo que pedir a uma galinha que resolva uma equação de segundo grau.
A ferramenta nunca foi o problema. A IA não falsifica a realidade; ela apenas expõe a fragilidade dos egos de quem se recusou a evoluir. Se um texto feito por IA tem mais impacto do que o teu texto “100% humano”, o problema não está no computador. Está na tua falta de talento para comunicar.
É precisamente para não ter de aturar este rebanho assustado que eu blindei a nossa Versão 2.0 aqui no Substack. Este é o oásis dos que ainda não abdicaram de pensar.
Se tu não tens medo de usar o berbequim em vez da chave de fendas manual; se entendes que a tecnologia é a alavanca da tua criatividade e não o teu carrasco, o teu lugar é connosco. Subscreve. Lê. Partilha. E se tiveres uns euros a mais este mês, apoia a casa para mantermos as luzes acesas (e as nossas IAs bem alimentadas e a trabalhar a nosso favor).
A revolução não será rotulada. Será construída por quem sabe usar o martelo em vez de reclamar do prego.
E agora, o palco é vosso na caixa de comentários (garanto que não uso detetores de IA para vos ler até porque tenho mais o que fazer):
Qual foi a maior hipocrisia que já viram alguém cometer enquanto criticava a Inteligência Artificial?
Bom fim-de-semana!

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