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Mint Equities · Jul 7, 2026

Mar Aberto

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Mint Equities · Mint Equities

O fundo Mint Global Small Caps FIA (“Global”) começou a operar no dia 3 de junho deste ano e tem quase um mês inteiro completo de atividade. O objetivo desse relatório é falar um pouco mais do fundo e como ele pode ser um veículo muito interessante ao investidor brasileiro para que ele acesse o mercado global de ações. Para um entendimento mais aprofundado da tese de investimento do Global, veja nosso post Além do Horizonte, onde contextualizamos o mercado brasileiro de ações dentro da realidade mundial e falamos em detalhes da estratégia de investimento do Global.

É a atividade humana que gera valor. Empresas nada mais são que formas de organização de trabalho que permitem a geração de valor para acionistas, dirigentes e funcionários. Os acionistas tomam o risco de capital (podem perder tudo) na expectativa de que a atividade da empresa terá sucesso e gerará valor. O mercado de capitais é uma forma de os acionistas entrarem e saírem das empresas. Neste mercado, o capital circula, novas atividades são financiadas via capital e o sucesso ou insucesso dos investimentos se materializa.

O risco de perda de capital é sempre uma constante na atividade empresarial e no mercado de ações esse risco é potencializado pela volatilidade das oscilações diárias de preço e pelo comportamento dos investidores diante dessa oscilação (sobre esses temas ver os posts Cada um no Seu Quadrado e A Vida Como Ela É e o Risco Como Ele Não É). Neste sentido, a diversificação é chave.

Costuma-se dizer que diversificação é o único almoço grátis no mercado financeiro. Afinal, o investidor a obtém pela montagem da sua carteira, sem precisar gastar dinheiro especificamente para isso. Os mesmos recursos, devidamente alocados, podem levar a uma forma de diversificação maior, diminuindo a volatilidade da carteira de um investidor e permitindo que ele possa ficar mais confortável com as oscilações de mercado. Sobre investimentos pessoais, veja o Substack da Mint Investimentos, onde tratamos de temas mais amplos de formação de portfolio.

Como alcançar a diversificação no mercado de ações? Talvez a forma mais intuitiva e eficiente seja através do investimento em mercados diferentes, como no Brasil e no exterior e, além disso, o investimento em setores diferentes (sobretudo quando consideramos os poucos setores presentes no mercado brasileiro de ações).

O mercado brasileiro de ações é historicamente pequeno, sobretudo quando visto em um contexto global. Com base em dados de janeiro de 2026, a capitalização de mercado total do Brasil era de aproximadamente 900 bilhões de dólares, enquanto a capitalização somada da Nasdaq e NYSE era de 38 trilhões de dólares1. Considerando o universo das bolsas mundiais, a capitalização de mercado da B3 representa apenas 0,6%, enquanto a Nasdaq e NYSE somadas representam 44,7%.

O Brasil tem tido um cenário crônico de juros altos, o que desestimula o investimento em ações. Esse tipo de situação fez com que o mercado brasileiro tenha passado por diversos anos de baixos retornos, notadamente inferior aos principais indicadores do mercado norte-americano.

Normalmente se fala que o mercado de ações brasileiro é muito concentrado em poucos setores da economia, o que é verdade. O Ibovespa tem uma concentração de aproximadamente 61% em instituições financeiras, petróleo e gás e utilities (energia, água e saneamento e telecomunicações)2. Essa pesada concentração setorial pode ser vista de uma outra forma. Se considerarmos as classificações subsetoriais da B3 para o mercado brasileiro e da Factset para o mercado da América do Norte, no Brasil temos 41 grupos e uma média de 9 empresas por subsetor e na América do Norte temos 32 subsetores e uma média de 210 empresas por subsetor. Mesmo que as empresas brasileiras fossem divididas em 32 grupos, teríamos apenas 11 empresas por grupo.

Os números são bem claros no sentido de que o Brasil é um mercado que permite uma diversificação limitada e que o investidor tem mais opções se adicionar investimentos no exterior ao seu portfolio.

Se investir fosse nadar, poderíamos dizer que investir no Brasil é nadar em uma piscina olímpica. O investidor consegue ter uma dimensão total de onde está, tem como se movimentar na piscina com relativa segurança e, na pior das hipóteses, pode ficar preso à borda da piscina. Há o risco de afogamento, mas escapar dele é relativamente simples. Situação diferente é investir no exterior. Investir no exterior é nadar em mar aberto. O investidor não consegue ter uma dimensão completa de onde está. Não há uma borda para se segurar e o mar, sozinho, pode afastar o investidor de seu ponto seguro. O risco de afogamento é altíssimo.

O Global nasceu exatamente para permitir ao investidor brasileiro uma forma guiada de investimento no exterior em ações. O conceito do Global é levar ao investidor brasileiro a diversificação geográfica e setorial de seu portfólio e, ao investir no exterior, ter exposição a companhias a que ele geralmente não teria acesso caso investisse por conta própria, seja porque não há BDRs (Brazilian Depositary Receipts) dessas companhias negociados no Brasil ou porque elas não são seguidas/recomendadas pelos bancos e corretoras que os investidores brasileiros normalmente usam para investir no exterior.

Entendemos que as limitações do mercado brasileiro não deveriam ser um impeditivo ao investidor brasileiro para ele se aproveitar do potencial gerador de riqueza que o investimento em ações tem. O investimento em ações no exterior é uma forma de investidor brasileiro participar da riqueza que as empresas podem gerar, além de ser uma maneira de diversificação de riscos do seu patrimônio, seja porque o investimento é em dólares ou porque as empresas estrangeiras não estão sujeitas ao ambiente de negócios brasileiro e os riscos que ele representa.

A construção da carteira do Global segue uma abordagem quantitativa que combina cinco famílias complementares de fatores, cada uma capturando uma dimensão distinta do que torna uma ação atrativa: Value, Quality, Growth, Sentimento de Mercado e Volatilidade. Em vez de se apoiar em uma métrica isolada ou no julgamento discricionário sobre uma empresa específica, a estratégia cruza sinais de precificação, solidez operacional, consistência do crescimento, percepção dos diferentes participantes do mercado e perfil de risco, reduzindo a chance de uma leitura distorcida por um único indicador. Essa combinação é especialmente relevante no universo de small caps, no qual a estratégia atua, dado o maior grau de dispersão e volatilidade típico do segmento. Os parágrafos a seguir detalham cada uma dessas famílias e os critérios que as compõem.

Value. Esta família reúne os fatores que medem quão atrativamente precificada está uma empresa em relação aos seus fundamentos, com o objetivo de pagar pouco por cada unidade de faturamento, geração de caixa e resultado operacional entregue pela companhia. Como “barato” pode ser lido sob diferentes óticas (uma empresa pode parecer cara pelo lucro contábil, mas estar barata pelo fluxo de caixa que gera, por exemplo), a análise combina múltiplas métricas, incluindo faturamento em relação à capitalização de mercado, EBITDA sobre Enterprise Value, fluxo de caixa livre líquido de dividendos em relação ao preço e crescimento do fluxo de caixa em relação ao preço.

Quality. Complementa a análise de Value ao avaliar se a empresa barata é, de fato, uma empresa sólida, já que descontos de preço podem refletir problemas operacionais reais. O foco está em duas características centrais: capacidade de geração de caixa e uso eficiente dos ativos fixos e do capital circulante. Entre os itens analisados estão a geração de caixa em relação aos ativos, a eficiência na alocação de capital e indicadores como ROA (retorno sobre ativos) e ROE (retorno sobre patrimônio).

Growth. Avalia a consistência do crescimento da empresa, partindo da premissa de que nem toda expansão de vendas se traduz em lucro real ou em geração de caixa. O crescimento considerado saudável é aquele que avança de forma coerente em múltiplas frentes simultaneamente: faturamento, EBIT (lucro operacional), lucros e fluxo de caixa. Quando essas quatro dimensões evoluem em conjunto, o crescimento é interpretado como genuíno e sustentável.

Sentimento de Mercado. Analisa, de forma disciplinada, os sinais emitidos por diferentes grupos de participantes do mercado sobre uma ação, organizados em quatro frentes: a visão dos analistas (estimativas de lucro, surpresas de resultado e recomendações), o short interest (grau de aposta na queda do papel por investidores mais sofisticados), o volume de negociação (interesse e liquidez em torno da ação) e o comportamento do preço em diferentes horizontes temporais. O cruzamento dessas frentes permite diferenciar movimentos de preço bem fundamentados de movimentos isolados e menos confiáveis.

Volatilidade. Reconhece que o universo das small caps tende a ser naturalmente mais volátil, e a abordagem não busca as ações mais “calmas” do mercado, mas sim evitar os extremos - tanto de volatilidade muito baixa quanto muito alta. Os critérios utilizados incluem o turnover das ações no médio e longo prazo, que indica a estabilidade da base acionária, e o beta de longo prazo, que capta a sensibilidade da ação em relação aos movimentos do mercado. O objetivo é manter um perfil de risco disciplinado dentro de um universo reconhecidamente mais volátil.

Em conjunto, as cinco famílias formam uma lógica complementar: Value identifica o que está barato, Quality confirma se vale a pena comprar, Growth verifica se a empresa está crescendo de forma consistente, Sentimento de Mercado cruza sinais externos de confirmação, e Volatilidade cuida do perfil de risco da carteira.

Capitalização de Mercado

Em 30 de junho de 2026, o fundo tinha 29 companhias na sua carteira, com um valor de mercado entre USD1,8 bilhões e USD36 milhões. A tabela abaixo mostra melhor a distribuição das companhias por faixa de valor de mercado.

Para dar alguma cor ao investidor brasileiro do que cada faixa de capitalização representa, a tabela abaixo é bastante ilustrativa. Ela indica, para cada uma das faixas, algumas companhias brasileiras, negociadas na B3, que têm uma capitalização análoga e se encaixam nas respectivas faixas.

Setores, Subsetores e Indústrias

As classificações cobrem os ramos de atividade das companhias. Em geral, as classificações seguem uma ordem de (i) setor; (ii) subsetor; (iii) indústria; e (iv) subindústria, em que setor é a classificação mais genérica e subindústria a mais específica. Quanto mais granular a classificação, maior a correlação entre as companhias naquela classificação. Isso faz sentido. Afinal de contas, companhias na mesma indústria muito possivelmente são concorrentes, têm fornecedores em comuns ou parecidos, estão sujeitas às mesmas leis e regulações. Ou seja, essas companhias de fato têm grandes elementos factuais que as submetem aos mesmos riscos/recompensas.

A carteira do Global, apesar de ter apenas 29 companhias, expõe o fundo a 8 setores, 13 subsetores e 23 indústrias. Trata-se de uma exposição bastante pulverizada quando se compara com a quantidade de companhias na carteira. Segue abaixo o percentual investido em cada indústria.

O setor/indústria de uma companhia é apenas uma parte da figura do risco a que ela está sujeita. Há também o risco da geografia da companhia. As empresas do Global são de 8 países diferentes. Abaixo segue a distribuição geográfica do capital investido:

Companhias do Portfolio

Abaixo descrevemos brevemente 3 companhias investidas do Global.

Aveanna Healthcare Holdings Inc. (NASDAQ: AVAH): é uma plataforma de cuidados de saúde domiciliares (home care) que atende pacientes pediátricos e adultos nos EUA. Em vez de exigir internação, a empresa leva enfermeiros, terapeutas e outros profissionais de saúde até a casa do paciente, atuando em três frentes: enfermagem particular e terapia pediátrica (Private Duty Services), cuidados domiciliares de saúde e cuidados paliativos (Home Health & Hospice), e fornecimento de nutrição enteral e outros produtos médicos (Medical Solutions).

Com sede em Atlanta, Geórgia, a companhia opera em cerca de 39 estados americanos, atendendo mais de 80 mil pacientes por meio de uma rede de centenas de filiais espalhadas pelos EUA.

Pharming Group N.V. (Euronext Amsterdam: PHARM / NASDAQ: PHAR): é uma empresa biofarmacêutica especializada em doenças raras. Desenvolve e comercializa terapias de reposição proteica e medicina de precisão, com dois produtos principais: RUCONEST, um inibidor de C1 esterase recombinante para crises agudas de angioedema hereditário (HAE), e Joenja (leniolisib), um inibidor oral de PI3Kδ para a síndrome de PI3K delta ativada (APDS). A empresa também tem em desenvolvimento uma terapia gênica para HAE (OTL-105, em parceria com a Orchard Therapeutics) e ampliou recentemente seu pipeline com a aquisição da Abliva AB.

Com sede em Leiden, na Holanda (fundada em 1988), a Pharming atua comercialmente nos Estados Unidos, Europa e outros mercados internacionais - com lançamentos em curso do Joenja no Japão e em outros países além dos EUA - mantendo colaborações de licenciamento e manufatura com parceiros como Novartis e Sanofi.

Pangaea Logistics Solutions Ltd. (NASDAQ: PANL) é uma empresa de logística marítima que presta serviços de transporte de granéis sólidos (dry bulk) para clientes industriais ao redor do mundo - cargas como grãos, carvão, minério de ferro, ferro-gusa, bauxita, alumina, clínquer de cimento, dolomita e calcário. Além do transporte propriamente dito, a empresa oferece serviços portuários e de terminal (carregamento e descarregamento de carga, operação de portos e terminais), afretamento de navios (chartering), planejamento de viagens e gestão técnica da frota. A operação é dividida em um segmento de shipping (transporte marítimo) e seis segmentos de terminal/estivagem.

Fundada em 1996 por Edward Coll, Carl Claus Boggild e Anthony Laura, tem sede em Newport, Rhode Island (EUA), e abriu capital em 2014. É uma operação de transporte marítimo global - não tem uma base geográfica fixa de atuação, prestando serviço a clientes industriais em diversas regiões do mundo através de sua frota e rede de terminais.

Conclusão

O investimento em ações é uma das formas mais eficientes de participar, ao longo do tempo, da riqueza gerada pela atividade empresarial. Seus riscos são reais e exigem disciplina, e a diversificação é o principal instrumento para administrá-los. O mercado brasileiro, apesar de sua relevância para o investidor local, é pequeno e setorialmente concentrado, o que limita as possibilidades de diversificação de quem investe exclusivamente dentro do país.

O Global nasceu justamente para superar essa limitação, oferecendo ao investidor brasileiro uma forma guiada e disciplinada de navegar o mercado internacional de ações. Ao combinar diversificação geográfica e setorial com um processo sistemático e multifatorial de seleção de companhias, o fundo busca dar acesso a oportunidades que dificilmente estariam ao alcance do investidor por conta própria - seja pela ausência de BDRs, seja pela falta de cobertura dessas empresas no Brasil.

Estamos apenas no início dessa jornada. À medida que o histórico do fundo amadurecer, traremos mais informações sobre seu desempenho. Seguimos à disposição para guiar nossos investidores por esse mar aberto de oportunidades.

Performance

Esse fundo foi aberto há menos de 6 meses e não possui informações suficientes para serem analisadas. Após esse período, disponibilizaremos mais informações sobre sua rentabilidade.

Informações sobre o fundo em: mint-capital.com.

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Fatores de Risco e Avisos Obrigatórios

Este é um material de divulgação (material técnico) do Mint Global Small Caps FIA, elaborado pela Mint Capital Gestora de Investimentos Ltda. Leia o regulamento e demais documentos do fundo antes de investir.

Principais fatores de risco. O investimento no fundo envolve, entre outros: (i) risco de mercado — a carteira é composta preponderantemente por ações, inclusive small caps, segmento de maior volatilidade e dispersão, sujeitando o cotista a oscilações relevantes e à possibilidade de perda de capital; (ii) risco de investimento no exterior e risco cambial — o fundo mantém exposição a companhias e ativos denominados em moeda estrangeira, de modo que a variação do câmbio pode afetar positiva ou negativamente o valor da cota; (iii) risco de liquidez — o resgate observa conversão de cota em D+60 e pagamento em D+62, e o regulamento admite a adoção de barreira aos resgates, o que pode retardar a disponibilização dos recursos; (iv) risco de concentração — a carteira detém número reduzido de companhias; e (v) risco de crédito das contrapartes e dos ativos, quando aplicável. A descrição completa dos fatores de risco consta do regulamento.

Avisos obrigatórios:

• Leia a lâmina de informações essenciais, se houver, e o regulamento antes de investir.

• Fundos de investimento não contam com a garantia do administrador, do gestor, de qualquer mecanismo de seguro ou, ainda, do Fundo Garantidor de Crédito – FGC.

• A concessão de registro de funcionamento pela CVM não implica, por parte da Autarquia, garantia de veracidade das informações prestadas ou julgamento sobre a qualidade do fundo, de seu administrador ou de seu gestor.

• Este material não divulga rentabilidade do fundo, que se encontra em período de carência de 6 (seis) meses contado da primeira emissão de cotas (art. 55 da Parte Geral da Resolução CVM nº 175/2022).

Documentos e canais de atendimento. O regulamento e os demais documentos do fundo estão disponíveis em https://www.btgpactual.com/asset-servicing/administracao-fiduciaria. Administrador: BTG Pactual Serviços Financeiros S.A. DTVM. Gestor: Mint Capital Gestora de Investimentos Ltda. CNPJ do fundo: 66.813.649/0001-30. Central de atendimento do Administrador 4007-2511 (capitais e regiões metropolitanas), 0800-001-2511 (demais localidades) e (11) 4007-2511 (WhatsApp). SAC do administrador 0800-772-2827 (capitais e regiões metropolitanas) e 0800-047-4335 (deficiência auditiva ou de fala) e sac@btgpactual.com

1

Não consideramos nesse número as ações de mercado de balcão. No Brasil, o mercado de balcão é pouco expressivo, mas ele é considerável nos EUA.

2

Dados da Economatica, referentes a 19 de março de 2026.

Nenhuma publicação

Read the original on mintequities.substack.com

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