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A nova economia do Micro-SaaS · Dec 10, 2025

Lucas Montano Revela Como Criou o Persua (Passo a Passo)

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Bruno Okamoto · A nova economia do Micro-SaaS

👋🏼 Olá!

Seja bem vindo(a) a mais uma edição da Nova economia do Micro-SaaS.

Hoje vou contar a história do Lucas Montano. Um desenvolvedor Android, criador de conteúdo, que trabalha full time na Disney+ e decidiu criar um assistente de IA por pura curiosidade.

4 meses depois, está com 4.400 usuários ativos e €2.200 de MRR. Competindo diretamente contra o Cluely, que captou $18 milhões com a A16Z.

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Se você não conhece Lucas Montano, a história longa-curta é: ele é programador desde os 12 anos, trabalha como lead engineer no time de Android da Disney Plus, tem um canal no YouTube e criou apps paralelos durante toda a carreira.

Em 2010, lançou um app de Finanças Pessoais que chegou a 1 milhão de downloads e faturava R$20 mil por mês.

Depois transformou esse app numa startup, captou investimento, rodou por 2 anos e fechou as portas.

Atualmente, toca o Persua — um assistente de IA em tempo real — que está com 211 assinantes pagantes, gerando €2.200/mês de MRR, 100% bootstrapping, enquanto trabalha full time na Disney.

Antes de contar a história, os números do Persua hoje:

Tempo de projeto: 5 meses (de julho a novembro de 2024)

MRR: €2.200/mês (~$2.400)

Assinantes: 211 pagantes

Usuários ativos: 4.400 nos últimos 30 dias

Preço: $12/mês (vs Cluely que cobra $20-70/mês)

Churn rate: 40% (!)

Equipe: 1 pessoa (Lucas) + esposa na parte comercial/conteúdo

Custo principal: $0 em tokens de IA (usuário conecta a própria API)

Investimento: Zero

Tempo dedicado: Noites e finais de semana + canal YouTube paralelo

O mais legal de tudo é que o Lucas criou este produto em um final de semana. E que o concorrente direto dele acabou de captar $18 milhões.

Lucas Montano programa desde os 12 anos. Começou com Visual Basic, migrou pra PHP criando sites, depois Java quando o Android surgiu.

Em 2010, quando a loja da Google ainda se chamava Android Market, ele lançou um app chamado “Finanças Pessoais”.

O app bombou.

Não por ser revolucionário, mas porque Lucas foi o primeiro a usar esse nome. App Store Optimization na prática.

O aplicativo chegou a faturar R$20 mil por mês. Paralelamente ao emprego como arquiteto de soluções móveis na HP.

E aí aconteceu o plot twist que todo empreendedor teme: no primeiro dia de emprego numa nova empresa (uma grande firma de comunicação no sul do Brasil), Lucas foi demitido - a empresa estava fechando a operação de tecnologia.

“Tenho esse app que fatura bem. Vou transformar isso numa startup.”

Captou $50 mil com duas aceleradoras. Depois mais uma rodada com investidores anjos.

Rodou por 2 anos como fintech. Até chegou a receber propostas de aquisição.

Nenhuma fez sentido — era aquele modelo clássico de “compro sua empresa e vocês vêm trabalhar pra mim”, um acqui-hiring disfarçado.

No final, seu app não deu certo.

E aprendeu algo crucial: “O app que me dava dinheiro paralelo virou uma empresa que fracassou.”

Depois disso, Lucas saiu do país. Os sócios foram pros Estados Unidos e Uruguai. Ele jurou que nunca mais montaria uma startup e captaria investimento.

E que só criaria produtos como fonte de renda extra. Sem pressão. Sem meta absurda de crescimento. Sem precisar vender a alma pra VC.

Em 2024, Lucas estava fazendo o que sempre fez: reagir a vídeos de tecnologia no YouTube.

Ele viu o caso do Roy Lee, criador do interviewer.ai — um software que ajuda programadores a passar em entrevistas técnicas de código.

Basicamente, a ideia nasceu como “roubar” em entrevistas. Roy tinha sido expulso da faculdade por usar o próprio software. E já tinha faturado $200 mil.

“Cara, eu faço isso num final de semana. É só stealth mode + integração com OpenAI.” - Ideia do Lucas

E foi lá e fez. No final de semana, criou o app.

Duas funcionalidades principais:

  1. Ficar invisível durante compartilhamento de tela (usando Content Protection do MacOS/Windows)

  2. Ler a tela, mandar pra OpenAI e trazer a resposta

Lucas lançou, mas bateu um conflito moral.

“Como é que eu vou ganhar dinheiro dizendo pra galera roubar em entrevista, sendo que sempre falei pra estudarem de verdade?”

Pivotando a primeira vez

Então o Lucas decidiu pivotar sua ideia e a transformou em um assistente genérico de IA em tempo real.

Não só pra roubar em entrevistas. Mas pra ajudar profissionais de vendas, marketing, suporte... qualquer um que precise de contexto em tempo real.

E no mesmo momento, Roy fez a mesma coisa. Pivotou o interviewer.ai pra Cluely — um assistente genérico, e captou $18 milhões com a A16Z - um dos maiores fundos de investimento do mundo.

Mas para Lucas, isso é só sinônimo de pura validação. A ideia do Lucas nunca foi ser o maior. Ele só quer continuar trabalhando na Disney+ e tocando seu projeto paralelo nas noites e alguns finais de semana.

Aqui é onde a história fica divertida e surpreendente. Lucas criou o Persua 100% em Vibe Coding.

“Com IA, se no final de semana você não conseguir criar algo e colocar em produção, é porque você não quer.”

A única parte que não delegou pra IA foi segurança. Isso representa uns 5% do código. O resto? IA fez.

Mas aqui vem a sacada mais genial (e bizarra) da história: Antes do Persua, Lucas criou o stupidbutton.club.

Um site com um botão na tela.

Você clica no botão. Paga $1. É isso.

Um botão estúpido que você paga pra clicar.

Mas com um plot twist: cada vez que alguém clica, o preço sobe $1.

Hoje o botão está em $336,99. E essa “piada” virou o modelo de validação perfeito. Lucas criou uma comunidade fechada no Discord. Quem clicava no botão entrava automático.

Quando ele fez a primeira versão do Persua, compartilhou primeiro com essa comunidade. Eles testaram e deram vários feedback brutal - ajudando a moldar as features.

E em troca, ganharam acesso gratuito pro Persua pra sempre. E essa comunidade de 50-100 pessoas, acabou virando o laboratório de produto do Lucas.

Ele até organizou um evento presencial em Porto Alegre só pra eles — trouxe Head de Design da Apple Developer Academy, CEO da AbacatePay, etc

Cá entre nós aqui. Este é o modelo mais estranho e criativo de early adopters que eu já vi.

O Persua faz basicamente a mesma coisa que o Cluely:

→ Conecta áudio (microfone + output do computador)

→ Captura imagem (screenshots sob demanda)

→ Manda pra uma LLM e te dá respostas em tempo real

→ Pode ser usado em reuniões, calls, estudos, qualquer coisa

Diferença crucial: o Persua cobra pela experiência (UI/UX), não pelo token.

O Cluely cobra $20-70/mês e repassa o custo do token.

Se você usar muito, ele vai nerfar a potência da IA ou te cortar. Porque ele usa a API da OpenAI.

O Persua deixa você conectar qualquer modelo.

  • Quer usar OpenAI? Coloca sua própria API key.

  • Quer rodar modelo local? Conecta no Persua.

Sua empresa tem LLM fine-tuned com dados internos rodando num servidor? Conecta no Persua. Isso resolve 3 problemas:

  1. Custo variável: Lucas não depende do preço de token subir

  2. Privacidade: Empresas podem usar modelos locais sem mandar dados pra nuvem

  3. Flexibilidade: Você escolhe a melhor LLM pro seu caso (GPT, Claude, Llama, etc.)

Enquanto o Cluely queima os $18 milhões em tokens, subsídio de preço e aquisição de usuários.. O Lucas compete cobrando $12/mês sem assumir custo de infraestrutura de IA.

É o Micro-SaaS vs Startup VC clássico.

Nem tudo são flores. O Persua está com 40% de churn.

Isso significa que de cada 10 pessoas que assinam, 4 cancelam no mês seguinte. A matemática é foda: Lucas deveria estar faturando ~€5.000/mês, mas tá em €2.200 por causa do churn.

Ele identificou os principais motivos:

  1. Barreira técnica: O usuário precisa configurar a própria API key da OpenAI. Muita gente não sabe fazer isso e desiste.

  2. Expectativa errada: Pessoas assinam sem testar a versão free (100 perguntas/dia) e descobrem que não é o que esperavam.

  3. Transcrição imperfeita: Se a transcrição erra, a sugestão da IA vem errada. Isso frustra.

O que o Lucas está implementando para resolver:

→ Opção de pausar a assinatura ao invés de cancelar

→ Botão pra agendar call direta com ele

Ele abriu alguns horários na agenda pra falar com quem iria cancelar.

A primeira call já deu insights valiosos, por exemplo uma pessoa reclamou da transcrição. Lucas passou uma semana melhorando.

Agora ele tá implementando outras ideias:

  • Trial de 15 dias sem pedir cartão

  • Onboarding com GPT: Um assistente que faz perguntas pro usuário e cria o prompt ideal automaticamente

  • Perguntas qualitativas: Entender na inscrição pra que a pessoa quer usar

É a fase mais crítica. Se ele resolver o churn, o MRR pode facilmente triplicar.

Lucas tem um canal no YouTube com audiência brasileira com +370 mil inscritos. Mas, ele decidiu testar outra abordagem: desde a semana passada, só tweeta em inglês.

O motivo é simples:

  • $12/mês no Brasil compete com Netflix.

  • $12/mês nos EUA é café com croissant.

  • E o Cluely cobra $20-70/mês. Tem espaço pra ser a alternativa mais barata.

Sua estratégia:

→ Bater de frente com o Cluely na audiência gringa

→ Posicionar como “mesma funcionalidade, metade do preço, sem depender do custo de token”

→ Viralizar no Twitter (já rolou 2 tweets virais na primeira semana)

Meta: 10 mil usuários ativos até janeiro. Hoje está em 4.400. Tem que dobrar. É agressivo, mas possível se a distribuição engatar.

1. Captar investimento te obriga a jogar um jogo diferente

Lucas já rodou uma startup venture-backed que fracassou. Agora ele tá tocando um projeto bootstrapping que gera renda todo mês.

Menos pressão. Menos ego. Mais sustentabilidade.

A diferença? Ele não precisa crescer 10x ao ano. Ele precisa pagar as contas e continuar melhorando.

2. Lançar rápido > Lançar perfeito

O Persua começou como uma cópia descarada do interviewer.ai feita em um final de semana. Depois pivotou. Depois melhorou. Depois encontrou o posicionamento.

Se Lucas tivesse esperado ter “tudo pronto”, nunca teria os 211 pagantes de hoje.

3. Early adopters pagantes > Beta gratuito gigante

O Clube do Botão Estúpido é genial porque criou um grupo pequeno, engajado e disposto a pagar.

Melhor ter 50 pessoas pagando $1-300 e dando feedback honesto do que 10 mil usuários free que somem.

4. Competir em custo estrutural, não em feature

O Persua não tem features revolucionárias.

Ele compete porque não tem custo de token.

Enquanto o Cluely precisa subsidiar cada usuário ativo, Lucas cobra pela UI e deixa o custo de IA com o cliente. Isso é vantagem competitiva estrutural. Não dá pra copiar sem mudar o modelo de negócio.

5. Conteúdo é distribuição (mas escolha o idioma certo)

Lucas tem canal no YouTube, mas percebeu que precisa mudar de idioma pra escala global.

A audiência brasileira é ótima pra atenção (awareness). Mas a audiência americana paga mais e tem menos fricção de preço. Escolher onde jogar é tão importante quanto o que jogar.

Essa história me lembra porque eu acredito tanto em Micro-SaaS. Lucas não largou o emprego. Não montou um time. Não captou investimento.

Ele criou um produto em 5 meses que compete diretamente contra uma startup de $18 milhões.

Porque? Porque ele não tá jogando o mesmo jogo.

O Cluely precisa crescer 100x pra justificar a valuation.

O Lucas precisa resolver o churn pra chegar em €10k/mês e ter uma renda extra confortável. São jogos completamente diferentes.

E a beleza do momento que estamos vivendo é que você pode escolher qual jogo quer jogar.

Quer captar $18M e tentar construir um unicórnio? Pode.

Quer criar um produto em um final de semana e gerar €2.200/mês enquanto trabalha full time? Também pode.

Não existe certo ou errado.

Existe o que faz sentido pra você e para seu momento.

Pra mim, e pro Lucas, faz mais sentido construir devagar, com lucro, sem pressão, sem ter que vender a empresa pra “sair”.

Só construir. Melhorar. E viver.

Porque no final das contas, empreender é sobre liberdade.

E não tem nada de liberdade em queimar $18 milhões tentando justificar uma valuation.

Se quiser acompanhar a jornada do Lucas:

→ Canal do YouTube: Lucas Montano

→ Twitter: @lucas_montano

→ stupidbutton.club (se tiver coragem)

Obrigado por ler até aqui :)

Carregando...

Read the original on microsaas.substack.com

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