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Muito antes dos seres humanos, as térmitas criaram sistemas de ar-acondicionado em cidades com milhões de indivíduos, cidades satélites e autopistas que levavam para o trabalho. As abelhas podem ter ensinado os chineses como fazer papel, ou os indianos como construir em argila. Os pássaros constroem complexas e delicadas estruturas de ninhos para se proteger, seduzir e criar os recém-nascidos.
De tempos imemoriais os animais usam fibras, pedra, argila, cera como material de construção. Às vezes os materiais são até produzidos de forma fisiológica, com características de alta tecnologia enquanto estrutura e fabricação. Constroem abrigos, entradas, quartos, sistema de impermeabilização e até cidades inteiras de forma engenhosa. Soluções técnicas que superam em muitos casos os arquitetos humanos. O processo de design usado pelos animais é instintivo e sem ferramentas. Os animais usam patas, boca ou bico para chegar a resultados de brilhante complexidade e elegância arquitetônica.
Mas eles também evoluem as próprias arquiteturas e se adaptam ao ambiente externo em constante transformação, habitando não somente ecossistemas primários, mas também as nossas cidades. Pássaros que constroem ninhos usando plásticos; abelhas que criam casas dentro de tijolos, fendas, telhas; colônias inteiras de mamíferos que vivem adaptadas ao ecossistema das grandes cidades.
A exposição Arquitetos Animais foi apresentada pela primeira vez juntos ao equipamento bio-urbano NINHO como instalação conceito do evento CASACOR 2025 e apresenta processos e resultados de construções arquitetônica de uma seleção de animais, além de tratar da interação entre as arquiteturas humanas com as de outros animais, suas relações e inspirações.
Como parte do conceito geral de Cidade Floresta, um lugar multiespecífico, o Atelier Marko Brajovic considera fundamental colocar em evidência os grandes arquitetos não humanos e a importância de aprendermos com ele, pois são eles que estão construindo há milhões de anos arquiteturas altamente adaptáveis aos câmbios naturais. Também, em vista das nossas cidades futuras, que precisam aprender com a inteligência das florestas, projetar com e para outras espécies é uma estratégia fundamental de bio-urbanismo. Integrar múltiplos organismos no metabolismo das nossas cidades, através uma visão sistêmica, garante a nossa sobrevivência.
A exposição ARQUITETOS ANIMAIS está organizado em três áreas temáticas;
1. SOBRE NINHOS, LARES, CONSTRUÇÃO E COMUNIDADE
Os animais constroem majoritariamente pensando em um programa, que foi demandado pelo instinto evolutivo e que eles desenvolvem há milhões de anos: o NINHO, um espaço protegido, confortável e adequado para se reproduzir e abrigar suas futuras gerações - seja na forma de ovos, larvas ou filhotes peludos de mamíferos. Assim, a arquitetura dos ninhos animais se diferem do que os humanos imaginam como casa: para vertebrados como aves, mamíferos, répteis e anfíbios, além de aranhas e outros insetos solitários, os ninhos costumam ser abrigos temporários, muito sofisticados, que servem à proteção dos filhotes. Alguns deles retornam e reutilizam suas construções, mas muitos constroem um ninho a cada reprodução. As grandes colônias de insetos como formigas, vespas e cupins são diferentes pela sua escala coletiva e pela durabilidade das construções: seus ninhos duram inúmeras gerações e abrigam funções sociais complexas em seu interior, porém em última instância o programa arquitetônico é o mesmo: acomodar, proteger e garantir a reprodução da espécie.
Os projetos reunidos na Exposição Animais Arquitetos exemplificam como a arquitetura, ao se inspirar na observação e no entendimento de fenômenos naturais, pode romper com formatos e estratégias convencionais, ampliando suas possibilidades criativas.
Nessa áreas temáticas estão apresentados exemplares originais de ninhos de uma série de pássaros acompanhado de desenhos e diagramas e textos;
Ninho de Japiim (Cacicus cela) - O Japiim é um pássaro do Norte e Centro-Oeste do Brasil que vive em bandos, constrói ninhos suspensos em colônias e se protege ao se associar a vespas e formigas.
Ninho de Beija Flor tesoura (Eupetomena macroura) - O Beija-Flor Tesoura, comum nos centros urbanos do Brasil, alimenta-se de néctar, é atraído por bebedouros artificiais e tem fêmeas que constroem pequenos ninhos e defendem agressivamente seus filhotes.
Exemplares de ninho de vespas Vespidae (família que abrange diversas espécies)- As vespas sociais constroem ninhos eficientes e leves com fibras vegetais e saliva, moldando estruturas variadas e resistentes cuja defesa se baseia no comportamento coletivo da colônia.
2. BIOMIMÉTICA: A NATUREZA COMO FONTE DE INSPIRAÇÃO
Para solucionar problemas complexos da atualidade, que envolvem diversas escalas e a interconexão de áreas do conhecimento, existe uma abordagem que se baseia em um sistema que evolui, se adapta e resiste aos maiores desafios — a Natureza.
Trata-se da Biomimética, prática interdisciplinar que busca soluções sustentáveis e inovadoras inspiradas em processos naturais, estruturas e sistemas vivos que a natureza aperfeiçoou ao longo de bilhões de anos de evolução.
No contexto do design e da arquitetura, a biomimética vai além de uma simples imitação estética; ela envolve a aplicação de princípios naturais para resolver desafios complexos enfrentados pelo ser humano em relação ao seu entorno ecológico. No coração da biomimética está a observação de como organismos e ecossistemas funcionam. A premissa básica é que a natureza já desenvolveu estratégias eficazes e eficientes para enfrentar desafios como o aproveitamento de recursos, a construção de habitats e a adaptação a diferentes ambientes. Ao estudar essas soluções, designers e arquitetos podem inovar em seus projetos, seja construindo estruturas eficientes e inteligentes, propondo formas adaptativas que respondam melhor às funções imaginadas ou desenvolvendo materiais que atendam a novas necessidades estéticas, de conforto e de sustentabilidade.
Os projetos reunidos aqui exemplificam como a arquitetura, ao se inspirar na observação e no entendimento de fenômenos naturais, pode romper com formatos e estratégias convencionais, ampliando suas possibilidades criativas. Essas obras não apenas respondem de maneira inovadora aos desafios projetuais, mas também reafirmam a importância de um pensamento integrado à natureza, demonstrando que inovação e sustentabilidade podem — e devem — caminhar juntas.
Nessa áreas temáticas estão apresentados projetos de arquiteturas biomiméticas em formato de maquetes, diagramas e textos;
Mick Pearce e o edifício Eastgate Centre no Zimbábue, cuja ventilação natural foi inspirada nos cupinzeiros africanos.
Marko Brajovic com a Casa Macaco, em Paraty, que utiliza estruturas baseadas na palmeira Juçara para se adaptar ao relevo da Mata Atlântica.
Warka Tower, da Architecture and Vision, uma torre que coleta água do ar, inspirada na anatomia de besouros do deserto da Namíbia.- 2015
Atelier Marko Brajovic com o Ninho equipamento Bio Urbano- 2025
3. MULTISPECIALTY - A CIDADE PARA GENTE HUMANA E NÃO HUMANA
A cidade do futuro é uma cidade para multiespécies, projetada para uma convivência harmônica entre a espécie humana e outros seres vivos, os quais se beneficiam mutuamente. A prática de mutualismo é o fundamento de um ecossistema resiliente e próspero. Numa floresta, várias espécies coexistem e cooperam, trocando nutrientes, informações e conhecimentos, garantindo a existência da mesma floresta por milênios.
Da mesma forma, uma cidade que mimetiza os processos das estratégias naturais, trazendo grande diversidade de formas de vida que operam em rede de relações e processos cíclicos, pode potencializar padrões operacionais adaptativos. Estratégias de design biomimético e o uso de novos materiais biotecnológicos podem garantir a resiliência das nossas cidades em um planeta em constante transformação.
Como parte da seleção curatorial nessa área temos exemplos de produtos e estratégias de projeto para as futuras cidades Multi-específicas;
Ornilux Glass (Dinamarca) – Vidros com tecnologia invisível aos olhos humanos, mas visíveis para os pássaros, evitando colisões.
Bee Brick (Reino Unido) – Tijolos com cavidades que servem de abrigo para abelhas solitárias.
NINHO (São Paulo) – Equipamento bio-urbano que une arquitetura e sustentabilidade, promovendo a convivência entre pessoas e animais no meio urbano.
Paisagismo que regenera e acolhe as multi-espécies - plantas que promovem a biodiversidade no Parque da Água Branca ao atrair polinizadores, regenerar o solo e beneficiar tanto a fauna local quanto os seres humanos.
Fotos da exposição:
Informações para visitação:
Onde: Parque da Água Branca - Rua Dona Ana Pimentel, s/n portaria G4 do PAB
Quando: de 27 de maio a 03 de agosto de 2025
Horário de funcionamento do evento: de terça-feira a domingo, das 11h às 21h
Horário bilheteria: de terça-feira a domingo, das 11h às 19h
[ENG]
Ninho – Animal Architects
Long before humans, termites created air-conditioned systems in cities with millions of individuals, satellite cities, and highways leading to work. Bees may have taught the Chinese how to make paper or the Indians how to build with clay. Birds build complex and delicate nest structures to protect, seduce, and raise their newborns.
Since time immemorial, animals have used fibers, stone, clay, and wax as building materials. Sometimes, these materials are even physiologically produced, with high-tech characteristics in structure and fabrication. They build shelters, entrances, rooms, waterproofing systems, and even entire cities ingeniously. Technical solutions that often surpass human architects. The design process used by animals is instinctive and tool-free. Animals use their legs, mouths, or beaks to achieve results of brilliant complexity and architectural elegance.
But they also evolve their own architectures and adapt to the ever-changing external environment, inhabiting not only primary ecosystems but also our cities. Birds that build nests using plastics; bees that create homes inside bricks, crevices, and tiles; entire mammal colonies living adapted to the urban ecosystem.
The exhibition Animal Architects was first presented alongside the bio-urban equipment Ninho as a conceptual installation at the 2025 CASACOR event. It showcases architectural processes and outcomes of a selection of animals, as well as the interaction between human architectures and those of other animals, their relationships, and inspirations.
As Part of the General Concept of the Forest City, a Multispecies Place
Atelier Marko Brajovic considers it essential to highlight the great non-human architects and the importance of learning from them, as they have been building highly adaptable architectures to natural changes for millions of years. Also, in view of our future cities, which need to learn from the intelligence of forests, designing with and for other species is a fundamental strategy of bio-urbanism. Integrating multiple organisms into the metabolism of our cities, through a systemic vision, ensures our survival.
The Animal Architects Exhibition is Organized into Three Thematic Areas:
About Nests, Homes, Construction, and Community
Animals primarily build with a program demanded by evolutionary instinct, developed over millions of years: the NEST, a protected, comfortable space suitable for reproduction and sheltering future generations—whether in the form of eggs, larvae, or furry mammal offspring. Thus, the architecture of animal nests differs from what humans imagine as a home: for vertebrates like birds, mammals, reptiles, and amphibians, as well as spiders and other solitary insects, nests are usually temporary, highly sophisticated shelters serving to protect offspring. Some return and reuse their constructions, but many build a new nest with each reproduction. Large insect colonies like ants, wasps, and termites differ in their collective scale and the durability of their constructions: their nests last through numerous generations and house complex social functions within, but ultimately, the architectural program is the same: to accommodate, protect, and ensure the reproduction of the species.
The projects featured in the Animal Architects Exhibition exemplify how architecture, by observing and understanding natural phenomena, can break away from conventional formats and strategies, expanding its creative possibilities.
This thematic area presents original examples of nests from various birds, accompanied by drawings, diagrams, and texts:
Japiim Nest (Cacicus cela): The Japiim is a bird from Brazil's North and Central-West regions that lives in groups, builds suspended nests in colonies, and protects itself by associating with wasps and ants.
Beija-Flor Tesoura Nest (Eupetomena macroura): The Beija-Flor Tesoura, common in Brazilian urban centers, feeds on nectar, is attracted to artificial feeders, and has females that build small nests and aggressively defend their offspring.
Vespa Nest (Vespidae family): Social wasps build efficient and lightweight nests with plant fibers and saliva, shaping varied and resistant structures whose defense relies on the collective behavior of the colony.
Biomimetics: Nature as a Source of Inspiration
To solve today's complex problems, involving various scales and interconnected areas of knowledge, there is an approach based on a system that evolves, adapts, and withstands the greatest challenges—the Nature.
This is Biomimetics, an interdisciplinary practice that seeks sustainable and innovative solutions inspired by natural processes, structures, and living systems that nature has perfected over billions of years of evolution.
In the context of design and architecture, biomimetics goes beyond mere aesthetic imitation; it involves applying natural principles to solve complex challenges faced by humans concerning their ecological surroundings. At the heart of biomimetics is observing how organisms and ecosystems function. The basic premise is that nature has already developed effective and efficient strategies to face challenges like resource utilization, habitat construction, and adaptation to different environments. By studying these solutions, designers and architects can innovate in their projects, whether by building efficient and intelligent structures, proposing adaptive forms that better respond to imagined functions, or developing materials that meet new aesthetic, comfort, and sustainability needs.
The projects presented here exemplify how architecture, by observing and understanding natural phenomena, can break away from conventional formats and strategies, expanding its creative possibilities. These works not only respond innovatively to design challenges but also reaffirm the importance of a nature-integrated mindset, demonstrating that innovation and sustainability can—and should—go hand in hand.
This thematic area presents biomimetic architectural projects in the form of models, diagrams, and texts:
Mick Pearce and the Eastgate Centre in Zimbabwe, whose natural ventilation was inspired by African termite mounds.
Marko Brajovic with the Casa Macaco in Paraty, which uses structures based on the Juçara palm to adapt to the Atlantic Forest terrain.
Warka Tower by Architecture and Vision, a tower that collects water from the air, inspired by the anatomy of desert beetles from Namibia (2015).
Atelier Marko Brajovic with the Ninho Bio-Urban Equipment (2025).
Multispecialty – The City for Humans and Non-Humans
The city of the future is a city for multispecies, designed for harmonious coexistence between humans and other living beings, benefiting each other. The practice of mutualism is the foundation of a resilient and prosperous ecosystem. In a forest, various species coexist and cooperate, exchanging nutrients, information, and knowledge, ensuring the forest's existence for millennia.
Similarly, a city that mimics natural strategies, bringing a great diversity of life forms operating in a network of relationships and cyclical processes, can enhance adaptive operational patterns. Biomimetic design strategies and the use of new biotechnological materials can ensure the resilience of our cities in a constantly changing planet.
As part of the curatorial selection in this area, we have examples of products and design strategies for future multispecies cities:
Ornilux Glass (Denmark) – Glass with technology invisible to the human eye but visible to birds, preventing collisions.
Bee Brick (United Kingdom) – Bricks with cavities that serve as shelters for solitary bees.
NINHO (São Paulo) – Bio-urban equipment that combines architecture and sustainability, promoting coexistence between people and animals in the urban environment.
Landscaping that regenerates and welcomes multispecies – Plants that promote biodiversity in Parque da Água Branca by attracting pollinators, regenerating the soil, and benefiting both local fauna and humans.
Curadoria exposição Animais Arquitetos; Atelier Marko Brajovic
Ficha técnica Ninho
Atelier Marko Brajovic
Exposição Animais Arquitetos
Formato| Exposição
Criação| Atelier Marko Brajovic
Diretor criativo: Marko Brajovic
Diretor de Operação| Bruno Bezerra
Coordenadora|Kelen Giordani Tomazelli
Arquitetos| Teresa Lima, Priscila Sati, Ailton Wenceslau
Assistente de curadoria| Teresa Lima
Comunicação |Mana Murphy
Design Gráfico| Estúdio Adriana Alves
Fotos| Roberta Gewehr e Mana Murphy
Apoio| Lar Center
Produção do projeto| Hybrida Production
Financeiro| Cristina Almeida
Produtor| Gabriel Tunes
Paisagismo| Ana Kamitsuji
Jardinagem| NC Jardins
Execução, Montagem e Elétrica| Paleta Stands
Projeto de Iluminação| Carlos Fortes
Instalações Elétrica (mobiliário)| Einstein Serviços Elétricos
Materiais de iluminação| Interlight
Expositivo e Comunicação Visual| Paleta Stands, Ratoroi Indústria e Comércio e Showmais Gráfica
Maquetes| Maquetaria Base e Rodrigo Queiroz

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