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Quinta da Cruz da Pedra · Jan 23, 2026

Sair da bolha

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Marisa · Quinta da Cruz da Pedra

Ora aqui está uma coisa que eu preciso urgentemente de fazer. Para ontem mesmo, deixar de pensar que aquilo que leio, principalmente nas redes sociais, é uma representação fiel (e total) da realidade.

Sou uma grande fã de Twitter (desculpem mas nunca lhe vou chamar outra coisa) e acho que maior bolha não existe. E até diria: existem várias bolhas lá dentro, tudo depende do que o algoritmo vos servir. Nos últimos anos, tenho oscilado entre uma bolha em que existe respeito pelos mais básicos direitos humanos e em que palavras como empatia, justiça, cuidado ainda fazem sentido e outra bolha em que a violência é a resposta para tudo, mesmo as coisas mais inócuas - especialmente para essas coisas.

Então, o exercício de saber onde me encontro nunca acaba: será que estou rodeada de pessoas que valorizam a vida humana, que defendem as pessoas da tirania da xenofobia ou do racismo ou da homo- ou transfobia, o que me permitiria guardar uma réstia de esperança num mundo justo e sensível para os meus filhos? Ou, pelo contrário, estou rodeada de pessoas raivosas e profundamente doentes, que só encontram prazer em ofender e tornar miseráveis todas as pessoas à sua volta?

Um exemplo recente do que é viver numa bolha é ter agora descoberto que noutra bolha se vai votar no dia 8 de fevereiro com base num ódio ao socialismo, sistema político que nunca tivemos verdadeiramente em Portugal e cuja ideia central é a da igualdade social. Quando o candidato extremista brada nas infinitas entrevistas e demais tempos de antena que essa é a sua luta (derrubar, vencer, aniquilar o socialismo), eu penso: em que raio de bolha é que vivem as pessoas que acreditam neste homem? Não que eu ache que os governos socialistas tenham sido impecáveis nessa tal luta pela igualdade, mas poupem-me: o gritador-mor não tem solução para nada neste país.

Estou, pois, expectante e sinceramente desejosa que chegue dia 8: por um lado, porque já não aguento mais grandes entrevistas, mais modelos de debate, mais campanhas eleitorais. Mas principalmente porque quero perceber se a bolha em que vivo ainda existe e ganhará um democrata, que respeita a Constituição e que representaria bem o país aqui e lá fora ou um homem sem princípios nem escrúpulos, que nos quer castigar, calar e dominar a todos, custe isso o que custar. A esperança ainda existe mas esta bolha pode ser frágil demais para aguentar.

Este texto foi escrito para responder a um desafio que partilho com algumas pessoas que admiro nesta internet, em que escrevemos sobre o mesmo tema todas as semanas. Esta semana escrevemos sobre coisas que nos ultrapassam e não nos deixam ver o mundo como ele é:

a Carla n’A curva - Sair da bolha

a Rita no Boas Intenções -

a Maria João n’A Gata Christie -

a Mariana no Gralha Dixit - Sair da bolha

a Joana n’O blog azul turquesa -

a Helena nos Dois Dedos de Conversa -

Read the original on marisamauricio.substack.com

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