Ontem apareci na televisão, ora vejam.
Esta sou eu (de olhos fechados, claro!), há muitos meses atrás, a fazer tempo com uma simpática menina da produção enquanto o programa não começava. Pela primeira vez na minha vida, participei num concurso de televisão!
Lugar comum nº 1: adoro concursos de cultura geral! Desde os Quem Quer Ser Milionário, à Casa Cheia, passando pelo Elo Mais Fraco e outros que tais, adoro testar aquilo que sei. E adoro pensar que sei alguma coisa, ou não fosse sempre eu a ganhar mais queijos nas partidas de Trivial Pursuit. Lugar comum nº2: não tinha muita coragem para participar numa coisa destas. Eu gosto de ver e de responder mas estar ali? Sentar-me naquela cadeira e ser o foco das atenções? Não era para mim. Mas um dia, de forma completamente espontânea e contrária àquilo que sou, inscrevi-me. E depois nunca mais pensei nisso. Meses passaram e, quando finalmente recebi a primeira chamada de casting nem sequer me lembrava que era eu que me tinha inscrito [inserir riso nervoso].
Portanto, o primeiro casting correu bem mas sinceramente nunca pensei que fariam avançar uma mulher de meia idade que mora no final do Mundo: pensei que não ia preencher requisitos demográficos para ser uma concorrente interessante e descansei. Só que mais tarde veio a nova chamada para uma nova fase de casting e eu pensei que as coisas até não estavam a ir mal. Passei por tudo sem nunca acreditar que estaria alguma vez sentada num estúdio daquela produtora, prestes a poder ganhar uma soma interessante! Mas, hélas, alguém achou que eu estaria bem nesse lugar e abriu-me as portas para uma experiência inusitada mas muito divertida.
A participação no programa obedece, como é claro, a imensas cláusulas de confidencialidade, sendo uma das quais não revelar nada sobre a nossa participação antes da emissão do programa. E eis a inconfidência que guardei durante alguns meses, estranhamente tranquila, muitas vezes esquecida de que tinha realmente acontecido, esperando pacientemente pelo dia combinado. Que foi ontem, em pleno Dia do Trabalhador e em que, correndo o risco de parecer mentira, estava mais nervosa do que no próprio dia da gravação!
Não odiei a minha imagem em televisão, acho que passei uma imagem de calma e segurança que provavelmente não era 100% verdade e não me senti tão burra como quando saí do estúdio e caí em mim: como poderia não saber onde raio fica o apêndice cecal?! Se não viram, vão lá agora ver e descubram se trouxe alguma coisinha para casa 😏
Este texto foi escrito para responder a um desafio que partilho com algumas pessoas que admiro nesta internet, em que escrevemos sobre o mesmo tema todas as semanas. Esta semana escrevemos sobre inconfidências no nosso Largo.

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