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Quebra-Cabeça · Aug 14, 2026

135 - GOING TO CALIFORNIA

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Mario Cau · Quebra-Cabeça

Oi de novo! Faz um tempo que não escrevo, mas é porque estava de férias. Quer dizer, eu nunca estou de verdade de férias. A Monica está, mas ainda trabalhando em coisas importantes, e eu, sempre fazendo mil coisas. Isso não impediu a gente de viajar e passamos uns bons dias visitando lugares muito especiais. Enquanto eu não tenho atualizações substanciais de trabalhos meus, vamos de férias:

I’M GOING TO CALIFORNIA… With an aching in my heart

Esse trecho da música do Led Zeppelin sempre vem na minha cabeça quando penso em viajar pra lá. Bom, não que eu sempre vá, mas já fui 3 vezes até agora. E o doido é que eu não viajo de férias com dor no coração, é bem o contrário. Só que dessa vez, sendo a última, foi um pouquinho agridoce. Mas só um pouquinho, porque na balança das coisas, tudo que foi bom pesa muito mais.

San Diego

Estive em San Diego, para a Comic Con, em 2008. Foi meu primeiro evento grande de quadrinhos, minha primeira viagem internacional solo e algo que cimentou o desejo de viver do que vivo hoje. Daquela vez, entrei no evento de graça com uma credencial de profissional, fiquei num hostel, contei com a companhia do André Freitas, fui na praia e fiz passeio turístico, comi bem no Gaslamp Quarter, comprei gibis e conheci pessoas muito especiais.

Apenas um rapaz latino americano 18 anos atrás

Esse ano, foi basicamente tudo igual!

San Diego é uma cidade bem bacana. Tudo é ótimo: clima, pessoas, comida, passeios, paisagens… Mas deixa eu focar no que tem relação com meu trabalho, senão eu me perco contado os outros causos.

San Diego Comic Con

Não quero me estender demais nisso, mas queria dizer que achei a SDCC mais legal do que a NYCC! Desde o visual do Convention Center por fora, por dentro, a decoração do evento, o valor de produção dos estandes e lojas, tudo parece mais vivo, bonito e agradável do que NY.

Em uma coisa, SD perde: o Artist Alley. Na SD, a área onde ficam as mesas dos artistas é bem pequena, um corredorzinho no canto do pavilhão. Deu até dó. Tem outros artistas com mesas melhores, mas eles estão mais dentro do showfloor, entre editoras, lojinhas e outras coisas. É uma posição de mais prestígio e respeito, eu acho. Deve custar bem mais caro, também.

Em NY, o Artist Alley é em outro espaço do lugar, separado do showfloor, mas um salão gigante com centenas de mesas. Parece o da CCXP em termos de escala. Tem muito mais artistas que SD.

No meio daquela overdose de estímulos (incluindo os consumistas), encontrei muita gente legal.

Encontros

André Freitas, parceirão dos quadrinhos brasileiros desde que comecei minha jornada na cena, em 2006-7. Ele já era parte da Front quando entrei e desde então, nosso caminhos sempre se cruzam, inclusive fora do Brasil!

Tiago Palma, quadrinista que desenha atualmente APENAS OS X-MEN PRA MARVEL, e personagem crucial na minha história do “Dia em que ‘esnobei’ a Marvel”. Com ele, encontrei também o Adriano di Benedetto e o Gustavo Camargo.

Elliott Mondry e Alicia Madden: Roteirista e ilustradora, respectivamente, de You Never Know e donos do selo independente Calamity Comics. Acho que já falei do Eliott aqui antes, nos conhecemos nos eventos de networking da NYCC e viramos amigos instantaneamente. Um cara gente fina demais, cheio de energia boa e dedicado demais em tudo que faz. Estou fazendo uma capa variante pra edição 3 da HQ deles, logo te mostro. Eles conseguiram uma mesa no evento meio que por sorte, e fizeram bom uso disso: pra autores iniciantes, ter um espaço desses pra expor seu trabalho e fincar o pé na cena é um passo enorme. Abraço também pro Danny, o namorado da Alicia, que participa da aventura com eles.

Dave Baker e Nicole Goux: Essa dupla de quadrinistas com base forte no independente é foda. O Dave tem uma carreira incrível, escreve e desenha, tem um podcast e agora um canal no youtube, gente fina demais. A Nicole, parceira dele, desenha demais também e seu projeto mais recente, com roteiro da Mariko Tamaki, ganhou um prêmio Eisner! Conversar com eles sobre a experiência de fazer quadrinho independente, aqui e ali, é bem legal.

Dave Kellet: Um dos cartunistas mais importantes (que talvez você nunca ouviu falar). Com uma carreira nas webcomics iniciada no fim dos anos 90, esse cara já produziu muito, viu todas as mudanças do mercado e é um dos apresentadores de um dos podcasts mais interessantes sobre fazer quadrinhos autorais, o ComicLab.

Kelly Sue DeConnick: Roteirista espetacular e uma das grande vozes femininas dessa indústria tão lotada de homem, ela participou de um debate muito interessante sobre escrita e logo depis, muito generosamente, deixou que a gente fotografasse a página do seu caderno com dicas de livros sobre roteiro. Ela esteve no FIQ em 2018, se não me engano, mas não tive o prazer e falar com ela lá.

David Mack: sempre simpático, um dos artistas que mais me influenciam e inspiram. Dessa vez, pela primeira vez, não tiramos uma foto juntos. Mas conversamos um pouquinho.

Jeff Rider: Roteirista cheio de histórias (em todos os sentidos), nos conhecemos na NYCC, nos mesmo eventos de networking onde conheci o Elliott. A gente sempre se encontra nos eventos mesmo sem combinar e acaba trocando muitas ideias e vontades de fazer algo juntos. Quem sabe?

Jeff Smith e Frank Miller: dois ícones dos quadrinhos, cada um por seu mérito. Assisti a uma palestra com a presença deles, sobre a obra de Will Eisner e sua relação com Nove York. Foi bem legal, mas acho que se perderam em alguns momentos com o Miller falando mais da vivência dele, hehe. Depois da palestra, entreguei pra eles exemplares de Vincent in Pieces. O Jeff Smith me pediu pra autografar o dele!

Now or Never: um loja de quadrinhos muito simpática em San Diego, um dos pontos de encontro tanto durante o evento quanto no resto do ano. Conheci o pessoal que trabalha lá e deixei alguns exemplares - autografados! - de Teardrop.

Uma galerinha da pesada embarca em altas aventuras

…E TAMBÉM TEVE O COLORADO

Mas lá não foi sobre Quadrinhos, apesar das paisagens saídas da Terramédia.

Hanging Lake

E a contagem regressiva oficial já começou: Falta menos de um mês para voltarmos para o Brasil! Entre reunir documentos, vender/doar coisas da casa, organizar o que vai na mudança, e, pra mim, ainda estar trabalhando, fica uma mistureba de emoções.

Dito isso, inscrição para o FIQ feita!

IC3TOBER REVISITED

Lembra de outubro passado, quando encarei o desafio de desenho IC3TOBER e fiz uma série de ilustrações tradicionais com personagens de quadrinhos independentes (gringos, mas ainda assim)? Revisitei essa empreitada toda nesse vídeo, que você vê antecipadamente:

DA PRANCHETA:

O primeiro, um astronauta desenhado no verso de um envelope, que eu já tinha mostrado no Instagram. Astronautas continuam sendo um tema que eu volto a explorar às vezes.

O segundo, um tiozinho cafeinado desenhado a partir de um recorte de alguma propaganda que tinha esse padrão amarelo interessante. Aparecem também adesivo do evento CAF (o daqui, não o de Campinas), a pulseira de artista do IC3 Jacksonville e um trequinho-de-papelão-pra-café-que-eu-não-sei-o-nome.

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Para ler todas as edições anteriores: ARQUIVO QUEBRA-CABEÇA

Read the original on mariocau.substack.com

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