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Marco de Abreu · Jun 21, 2026

8 Perspectivas sobre AI

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Marco de Abreu · Marco de Abreu

Cartaz de apresentação do filme A.I., 2001, projecto do realizador Stanley Kubrick e terminado pelo realizado Steven Spielberg, talvez um dos filmes mais importantes sobre a IA e que antecipa praticamente todas as visões que apresento aqui. David não é apenas uma máquina que quer ser humana. É um espelho que nos obriga a perguntar se nós próprios estamos a agir de forma verdadeiramente humana.

Depois da experiência que vivi na primeira pessoa como engenheiro informático em Portugal entre 1996 e 2016 — pioneiro na Internet e em sistemas baseados na internet (e.g. homebanking, ecommerce) — e particularmente com a emergência da Web 2.0, dos motores de pesquisa e das redes sociais, aprendi a cultivar uma perspetiva mais abrangente da tecnologia.

É nesse contexto que partilho algumas das grandes visões que, para mim, ajudam a enquadrar a IA enquanto momento histórico — um momento onde ainda podemos fazer escolhas.

Hoje identifico pelo menos sete perspectivas sobre o tema, que não podem, nem devem ser ignoradas.

A visão pragmática, matemática e económica de Michael I. Jordan, que nos lembra que muito do que chamamos “AI” continua a ser sobretudo engenharia e estatística — e não consciência. Sociedade de Mercado*.
Link:

A visão transhumanista, representada por D. Scott Phoenix, que vê a IA como o próximo passo evolutivo da inteligência e da integração homem-máquina. Aqui podemos incluir também vozes como Marc Andreessen e Sam Altman, com o seu tecno-otimismo. Sociedade de Mercado a puxar para um versão tecnocratica das Sociedades Tradicionais*.
TED: https://www.ted.com/talks/d_scott_phoenix_why_humans_should_merge_with_ai

A visão crítica de Tristan Harris e do Center for Humane Technology, alertando para os riscos de manipulação da atenção, polarização e concentração de poder. Geoffrey Hinton aproxima-se parcialmente desta perspetiva, sobretudo na dimensão existencial do risco tecnológico. Sociedade de Impacto*.
Link: https://www.imdb.com/title/tt39150120/

A visão ética e de governança global de Matthew J. Bailey / AI Ethics World, centrada na necessidade de enquadramentos institucionais, responsabilidade coletiva e maturidade civilizacional. Sociedade de Impacto a puxar para as Sociedades Regenerativas*.
Link: https://crestcom.com/blog/2020/09/25/episode-40-ethics-in-the-era-of-ai-with-innovator-author-and-ai-expert-matthew-james-bailey/

A visão pós-colonial e crítica de Abeba Birhane e Timnit Gebru, focada nos impactos reais da IA sobre desigualdade, discriminação, concentração de poder e colonialismo algorítmico. Sociedade de Impacto*.
Link:

E a visão humanista e espiritual de Gregg Braden, que recorda que talvez o maior risco não seja criar máquinas inteligentes, mas esquecermos aquilo que é profundamente humano: consciência, empatia, presença e sabedoria interior. Sociedade de Impacto a puxar para as Sociedades Regenerativas*.
Link:

Para mim, a questão já não é:
“O que conseguiremos construir com IA?”

A questão é:
“Que tipo de humanidade queremos preservar e cultivar enquanto o fazemos?”

Neste contexto, a visão do passado, histórica (sociedade tradicional*), neste caso nuclear, vale a pena ser revisitada, por exemplo através de:
• Filme Oppenheimer (Christopher Nolan, 2023)
• O Manifesto Russell–Einstein (1955)

Talvez o desafio central continue a ser o mesmo:
”Como desenvolver maturidade ética ao mesmo ritmo que desenvolvemos poder tecnológico?”

Pessoalmente subscrevo e noto a emergência de uma oitava visão integradora - que segue as estruturas meméticas das sociedades regenerativas - que o ServiceSpace, Integral Institute, Presencing Institute e Possibility Management cultivam (observa o www.askclinton.info), abaixo sistematizado a partir do Presencing Institute e Otto Scharmer.

Segundo Scharmer, a humanidade poderá estar a entrar numa Segunda Era Axial, comparável à que ocorreu há cerca de 2.500 anos, quando surgiram as grandes tradições filosóficas e espirituais que aprofundaram a consciência individual e a reflexão ética.

Hoje, perante a policrise planetária — alterações climáticas, fragmentação social, guerras e inteligência artificial — somos chamados a dar um novo salto evolutivo: passar da interioridade individual para uma consciência coletiva capaz de responder aos desafios globais - interioridade colectiva.

Para isso, Scharmer distingue três formas de inteligência que precisam de ser integradas:

  • a Inteligência Artificial, baseada em dados e padrões;

  • a Inteligência Orgânica, própria dos seres vivos e das relações humanas; e

  • a Inteligência de Fonte ou de Campo, que emerge da perceção do todo e da consciência partilhada.

A Segunda Era Axial consistiria precisamente em desenvolver esta terceira dimensão, regenerando o “solo social” de onde podem surgir novas formas de colaboração, democracia, economia e convivência humana. Sociedade Regenerativa*.

(*) Ver mapa dos 4 sistemas operativos das sociedades

Os meus serviços…

Segurar espaço é a competência transversal que, ao nível individual, se manifesta como trabalho emocional; ao nível cultural, como trabalho memético; e ao nível relacional, como trabalho de equipas.

“We have paleolithic emotions, medieval institutions, and godlike technology”

Edward O. Wilson, biólogo

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