💌 Hoje tem a nossa terceira e última aula aberta (gratuita): Saúde Social pelas lentes do Design. Venha aprender com a gente e com as nossas principais descobertas sobre saúde social dos últimos 2 anos. Às 19h no link.
Deixa eu te contar um dos principais achados nas minhas pesquisas sobre saúde social. Eu descobri que a história que vivemos nas nossas relações começa do nosso corpo.
O nosso sistema nervoso precisa de conexões para se ancorar na segurança, caso contrário o nosso corpo entra no modo sobrevivência.
Quando entramos no modo sobrevivência, entramos em alerta e nosso corpo se fecha para as conexões porque vai privilegiar fugir, brigar ou se fechar.
Quando estamos nos sentindo seguras, nossos comportamentos sociais ficam disponíveis e conseguimos escutar, empatizar, comunicar, entrar em conflito, ler as intenções e se abrir de verdade para a conexão.
Esse é um ciclo que se retroalimenta, percebe?
Quando estamos nos sentindo desconectadas ou isoladas nos fechamos para conexão e não conseguimos sustentar comportamentos e habilidade sociais. E assim, ficamos ainda mais desconectadas e isoladas já que nosso corpo não está aberto para conexão.
Quando estamos nos sentindo conectadas, nos sentimos seguras e assim nos abrimos para conexão e conseguimos sustentar comportamentos e habilidades sociais. E assim, ficamos mais conectadas, e progressivamente mais seguras com nossos vínculos.
Ficar no estado de sobrevivência por muito tempo tem consequências para todo o nosso corpo. É por isso que nossa saúde física e mental sofre quando estamos nos sentindo sozinhas.
O nosso sistema nervoso se regula em relações seguras. A corregulação é um imperativo biológico, precisamos de outras pessoas para que nosso corpo se sinta seguro.
Para que a gente se sinta segura em uma relação, nosso sistema de apego busca principalmente relações com responsividade, presença e atenção. É preciso confiar no vínculo para nos sentirmos seguras.
Todo esse processo começa na infância, e muitas vezes chegamos na vida adulta com uma neurocepção prejudicada, ou seja, com dificuldade de ler o ambiente e as relações podendo ver perigo onde não tem (e vice versa). E assim fica mais difícil se sentir segura nos relacionamentos .
Mas nossos padrões de apego não são fixos e podem ser reorganizados ao longo da vida. É possível se mover desse lugar de sobrevivência para um estado mais seguro.
A gente precisa dessa segurança que normalmente começa do nosso círculo mais íntimo, para caminhar no mundo a partir desse lugar de abertura para conexão.
É por isso que começamos a cuidar da nossa saúde social fortalecendo vínculos nos quais conseguimos nos sentir seguras. É a partir daí que vamos construindo um sistema nervoso flexível, que se move entre os estados e não fica preso em um lugar de sobrevivência e proteção, e conseguimos sustentar comportamentos que criam, aprofundam, sustentam e regeneram conexões.
Quais companhias você pode buscar ou nutrir para construir essa base de segurança? Com quais relações você consegue relaxar? Onde o seu corpo te diz que é seguro e como você pode aumentar intencionalmente a segurança dessas relações que tem potencial?
É com essa base fortalecida que conseguimos chegar em círculos mais externos, e construir outras relações com mais segurança. Quando temos relações com quem conseguimos corregular, fica mais fácil sair da defensiva e da sobrevivência, o que facilita o fortalecimento de conexões a partir de um lugar de mais presença e abertura.
Uma outra possibilidade é buscar experiências que são intencionalmente desenhadas para facilitar conexões e segurança. Então pode ser uma imersão, um grupo, um espaço terapêutico ou não, mas que cuida da qualidade desse campo das conexões. Como você pode ampliar o repertório do que é estar em conexão e segurança?
A segurança não é um conceito fechado, não é fixa, não é estável, não é dada. Ela é construída, e vez ou outra algo escapa e vai ser preciso puxar um fio de novo para chegar na segurança que é possível agora.
A gente vai aprendendo a se movimentar para encontrar nossos lugares mais seguros possíveis, uma segurança que inclusive vai ter uma carinha diferente em cada relação, e em cada momento dentro dessa mesma relação. E é muito gostoso quando a gente descobre que tem a oportunidade de aprofundar essa segurança em cada encontro com o outro.
É aí que começa a surgir mais inteligência nas nossas relações. Podemos começar a nos perguntar: como se parece a segurança para mim, como se parece a segurança para nós, como se parece a segurança nessa relação, que vai ser diferente daquela outra relação? eu estou segura agora? você está segura aqui agora? o que a gente precisa para ficar segura aqui? Eu estou oferecendo uma experiência de segurança para você? a segurança dentro dessa relação é possível?
A segurança não é dada, é aprendida, e intencionalmente construída a cada encontro, a cada relação.
Quer conhecer um pouco mais teorias e práticas que sustentam saúde social?
Te espero hoje, às 19h, no link.
Até mais tarde,
Beijos, Marcelle Xavier
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