tem muitos anos desde a última vez que eu fui num museu. talvez tenha sido na frança, lá em meados de 2014. talvez eu até tenha visitado algum depois disso e só não me lembro. mas desde que cheguei aqui no canadá, pisei em diversos lugares novos, menos nos (muitos) museus da cidade.
ando pelos corredores do musée des beaux-arts de montréal me sentindo uma criança. as pinturas impressionistas são, de fato, impressionantes. elas brincam com cores, sombras, rostos e movimentos. as esculturas de mármore, decido, são as minhas favoritas. é chocante demais a maneira como o artista estudou o corpo humano e o material a ponto de representar à perfeição a pressão da mão sobre a coxa ou os altos e baixos de uma clavícula.
vejo um monet, ao vivo e a cores - e que cores! observo o quadro de um dos meus pintores favoritos por alguns minutos e concluo, meio surpresa, que aquele quadro me deixa feliz. ‘são as cores’, digo pra amiga que estava comigo. ‘as cores são muito alegres.’
refletindo sobre a experiência, mais tarde, percebo que, na verdade, não são as cores. aquela é uma pintura feliz, provavelmente pintada por um artista feliz à sua maneira, naquele recorte do tempo-espaço entre o final dos anos 1800 e o começo do século seguinte.
caminho pelos corredores tomada de curiosidade. como esse quadro foi pintado? quanto tempo será que levou? meses? talvez anos? uma das muitas versões ‘o pensador’, de rodin, tá aqui também. achei que fosse maior, mas não deixa de ser fantástico. olha a musculatura das costas, que loucura! quanto de observação humana o artista teve que fazer pra representar isso na pedra?
concluo, então, que as pinturas impressionistas são o meu tipo de arte favorita do momento. ‘é porque eu amo história’, comento, ‘e sinto que esses quadros contam sobre uma humanidade que eu nunca vi de perto’.
passei a manhã andando. certamente bati a tal meta dos 10 mil passos. mas, que engraçado, num tô cansada. pelo contrário, me sinto viva, empolgada, criativa! quero chegar em casa e escrever sobre o que vi. quem sabe finalmente me arriscar com o meu kit de giz pastel. terminar de montar o quebra-cabeça pela metade, talvez rever os primeiros capítulos do meu livro.
olha só. e eu, que um dia pensei que a arte não era pra mim e nem dava tanta bola assim pra visitar museu, me vi criando uma lista de todos aqueles que vão me inspirar no futuro.
afinal, entendi, quase envergonhada, que o objetivo era esse:
inspirar.

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