Poucas dimensões da vida humana resistem tão profundamente à lógica da utilidade quanto a intimidade. Uma conversa sem objetivo específico, um silêncio compartilhado, o tempo passado ao lado de alguém sem qualquer produtividade aparente ou a simples presença de uma pessoa querida parecem, à primeira vista, atividades improdutivas. Entretanto, é justamente nessa aparente inutilidade que os vínculos mais profundos encontram sua condição de existência. A intimidade não floresce quando o tempo é administrado como recurso escasso; ela depende de uma disponibilidade que não pode ser inteiramente planejada, mensurada ou convertida em resultados.
A cultura contemporânea, entretanto, tornou cada vez mais difícil preservar esse tipo de experiência. O tempo livre passou a ser organizado segundo critérios semelhantes aos do trabalho. Agendas lotadas, compromissos sucessivos e a expectativa de aproveitar cada minuto criam uma sensação permanente de urgência. Mesmo os encontros afetivos frequentemente precisam justificar sua existência por algum benefício identificável: fortalecer relações, melhorar a saúde mental, ampliar redes sociais ou desenvolver competências emocionais. Pouco a pouco, o valor intrínseco da convivência cede espaço à necessidade de demonstrar sua utilidade.

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