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maisquesenior.dev · Aug 1, 2025

Leonardo Rifeli

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Elton Minetto · maisquesenior.dev

Nesta entrevista vamos conhecer um pouco da trajetória do Leonardo, que seguiu um caminho que eu já trilhei por um tempo: o do empreendedorismo. Vamos conhecer seus desafios como CTO de uma startup em crescimento.

Sou CTO e Co-fundador da Harmo, uma plataforma Martech AI-first que transforma feedbacks e dados operacionais em decisões inteligentes. Minha atuação é dividida entre frentes estratégicas e operacionais (cerca de 60/40), com foco em tecnologia, produto e dados.

Co-lidero a arquitetura de sistemas e lidero diretamente três especialistas, incluindo um Tech Manager que conduz o time de engenharia, atualmente com sete profissionais de diferentes níveis. Acompanho de perto o roadmap de produto e continuo atuando com código, especialmente em Golang, Python e aplicações de IA, áreas em que tenho mais profundidade.

Também estou à frente da integração de LLMs, IA generativa e pipelines de dados em larga escala. E sigo como revisor técnico ativo: nossa média gira em torno de 50 pull-requests por sprint, com cerca de 60 microsserviços em produção, rodando em K8s e Airflow.

Hoje meu impacto é sistêmico: construo os alicerces técnicos que permitem escalar o negócio com inteligência e sustentabilidade. Diferente de posições anteriores, onde o foco era na entrega individual, agora meu papel é potencializar a performance do time como um todo, garantindo alinhamento entre tecnologia, produto e estratégia.

Hoje minha atuação está quase equilibrada, com cerca de 40% dedicada ao código e 60% voltada à liderança. Sigo atuando tecnicamente por afinidade e por necessidade, especialmente nas frentes de IA, NLP e arquiteturas de dados mais complexas, mas meu foco principal está nas decisões estratégicas, no acompanhamento próximo dos times e na estruturação de processos técnicos que sustentem nosso crescimento.

Minhas semanas são marcadas por cerimônias técnicas, revisões de arquitetura, mentorias, revisões de código e bastante atividade prática, sigo codando em frentes estratégicas, especialmente em features e arquiteturas voltadas a NLP, IA, LangChain e ML.

Reservo blocos de tempo para deep work técnico e acompanhamento próximo do roadmap de produto e dados. Também mantenho cadências com os especialistas do time, garantindo fluidez técnica, alinhamento com o negócio e evolução contínua da equipe.

Além disso, tenho rotinas regulares com os demais sócios, conselheiros e investidores, equilibrando a visão técnica com a visão de negócio e crescimento da empresa.

Sim, mudou bastante. Mesmo no inicio de carreira, já buscava enxergar sucesso além de horas trabalhadas, commits ou linhas de código, mas foi com o tempo e com a experiência que essa visão amadureceu.

Antes, eu media meu sucesso por entregas concretas: features lançadas, melhorias de performance, soluções técnicas. Hoje, minha métrica é o impacto técnico e estratégico que consigo gerar: a performance do time, a sustentabilidade das decisões de arquitetura, a velocidade de aprendizado da organização e, principalmente, o valor que a tecnologia entrega para o negócio. Além, de avaliar o impacto em custos vs crescimento comercial.

Sim, participo ativamente das decisões de tecnologia e arquitetura. Costumo guiar o time em discussões técnicas, sempre priorizando debates estruturados e incentivando o ownership das decisões. Evito ser o gargalo ou o "dono da verdade", busco atuar como facilitador, tomando decisões quando necessário, mas sempre com base em construção coletiva.

Mesmo com o crescimento exponencial do negócio, acredito que a visão estratégica precisa estar presente também no nível técnico. É essa presença que garante que as decisões do dia a dia estejam alinhadas com nossa bússola de médio-longo prazo.

Costumo enxergar habilidades técnicas ou comportamentais em dois grupos: as treináveis e as que vêm de forma mais natural. Me esforço para desenvolver continuamente as treináveis que geram impacto direto no negócio, mas também aprendi a valorizar e canalizar as que já fazem parte do meu perfil, como criatividade e empatia.

Com a maturidade profissional e como empreendedor, percebi que as soft-skills passaram a ter um papel central. As que mais fazem diferença para mim hoje são: escuta ativa, clareza e objetividade na comunicação, gestão de conflitos e leitura de cenário. Antes, meu foco era resolver problemas técnicos diretamente. Hoje, minha principal missão é criar os contextos certos para que outras pessoas consigam resolver com excelência, e isso exige inteligência relacional e liderança com propósito.

Sim, e considero isso uma das partes mais gratificantes do papel de liderança. No dia a dia, as mentorias acontecem de forma natural, nos rituais, revisões técnicas e discussões de arquitetura. Além disso, mantenho momentos dedicados de 1:1 com os especialistas e apoio diretamente profissionais mais plenos e juniores, incentivando tanto o desenvolvimento técnico quanto o comportamental.

Acredito que as mentorias aceleram o amadurecimento técnico, cultural e emocional do time. Sou alguém que gosta de aprender, ensinar e trocar constantemente. Para mim, o verdadeiro motor da evolução é o exemplo, e liderar pelo exemplo é o que mais inspira e transforma.

Me vejo em uma posição híbrida, com forte raiz técnica e visão estratégica. Gosto de construir, resolver problemas complexos, transformar dados em decisões inteligentes e estruturar times de alta performance. Mesmo com o crescimento da Harmo, meu objetivo é seguir como uma liderança técnica que conecta engenharia ao negócio e impulsiona inovação com propósito.

Acredito que escalar também é saber colaborar. Por isso, visualizo uma parceria próxima com alguém na cadeira de VP de Engenharia, permitindo que eu mantenha o foco em arquitetura, IA e visão de produto, enquanto garantimos excelência na operação e na gestão do time.

Comecei a empreender aos 21 anos, após mais de cinco anos de carreira como desenvolvedor. O que aprendi até aqui é que não existe uma resposta certa ou um único caminho para o sucesso, mas sim autoconhecimento, consistência e coragem para se adaptar em cenários diversos.

Se você gosta de resolver problemas complexos com profundidade técnica, talvez o caminho de especialista seja o mais natural, e é totalmente possível crescer nessa trilha sem ir para a gestão. Se, por outro lado, você se interessa por liderar pessoas, estruturar times e facilitar o crescimento de outros, a trilha de gestão pode ser muito recompensadora. Deixando claro, que até mesmo um especialista, precisará ensinar e ser referência para outras pessoas e áreas.

Já a questão de empreender, exige um perfil diferente: é preciso ter visão de longo prazo, capacidade de lidar com incertezas, adaptação constante, apetite a risco e resiliência para errar e aprender rápido. Se você sente prazer em transformar problemas reais com tecnologia, não tem medo de sair da zona de conforto e quer gerar impacto direto, empreender pode ser um caminho transformador.

Minha dica é: teste, se observe e não tenha medo de mudar de rota (erre rápido e mude rápido). Já vi excelentes devs virarem grandes líderes, líderes voltarem a se especializar e até mesmo especialistas fundarem empresas de sucesso. O mais importante é ser intencional com seus passos.

Venho de uma cultura afro-indígena e, desde muito cedo, aprendi a ser meu próprio líder e a valorizar quem trilhou caminhos antes de mim. Isso moldou minha visão sobre liderança e me ajudou a entender que meu foco natural sempre foi a parte técnica e estratégica.

Ao assumir a cadeira de CTO, tomei uma decisão importante: treinei uma pessoa sênior com perfil de governança para assumir a liderança direta do time, cuidando da gestão de pessoas, carreira e cultura. Isso me permitiu atuar com mais profundidade técnica e arquitetural, onde realmente gero valor.

Um conselho que me marcou, e ainda guia minha trajetória, foi:

"Você não vai escalar se tentar ser o melhor em tudo. Foque em criar contextos para que outras pessoas brilhem."

Essa frase consolidou minha transição de desenvolvedor para uma cadeira executiva com consciência e propósito.

Comecei a estudar computação em 2008 e programar em 2010, aos 14 anos. Desde então, desenvolvi um perfil autodidata forte. Me aprofundo por meio de blogs técnicos (como Medium, Towards Data Science, dev.to e ByteByteGo), papers acadêmicos, documentação oficial e livros técnicos, especialmente nas áreas de arquitetura, dados e IA. Também acompanho canais no YouTube focados em engenharia de dados e exatas (matemática/estatística). Além disso, valorizo muito trocar experiências com profissionais da área, e busco ativamente conversas para benchmarking e aprendizado contínuo.

Sou acessível e ativo pelo LinkedIn, e também mantenho um blog técnico onde compartilho experiências com IA, golang, python, arquitetura distribuída e dados. 

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