Que inveja de quem é feliz onde se está. Que vê a beleza e os problemas causados por outros como condição inevitável da vida e que nada há de tentar fazer para consertar ou melhorar.
Ah! Que inveja!
Daquele que não almeja mais do que pode alcançar. Do realista. Daquele que sabe da importância do ser normal e não tenta ser extra o ordinário.
Que inveja dos que se sentem enraizados onde vivem, falam sua língua e comem sua comida.
Que inveja de quem tem amigos de infância adentro a adultez. De quem compartilhou histórias e memórias. Foi a casamentos e aniversários, nascimentos e batizados. Foi madrinha, padrinho e babá. De quem é permanência de alguém.
Ah, que inveja!
De quem achou paz no caos. Que não achou que podia mudar o mundo e achou um jeito de viver do jeito que tudo está. Que inveja de quem sabe onde está. Que não luta e sabe aproveitar, sabe se cuidar sem a divisão entre o lá e o cá.
Ah, que inveja.
— disse o imigrante num dia onde nada deu muito certo.
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por Maíra Metelo em Agosto de 2026
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O Arquitetura da Mulher é um refúgio para o desenvolvimento da inteligência humana. Aqui, poesia e lógica se misturam para uma reflexão com empatia e crítica para desafiar as normas que nos impõe nesse mundo acelerado. De quebra, você aprende uma coisa ou outra sobre publicação, processo de escrever e arquitetura.

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