outra vez a história da velocidade. ele
disse que precisava pensar no futuro o quanto
antes. o futuro é exangue. um rosto solto
com cachorros e aves fora de gaiolas. carros
limpos e negros. cílios violentos a golpear o
meu destino. cantos ecoando como um cajado
acompanha um pé depois do outro. observo
pela janela como se arrasta comigo
a liberdade com que a sombra das andorinhas
voa e volta ao lar. trocam o óleo do automóvel
enquanto choro. com este fogo injetamos
em todos os olhos a rapidez da mira.
fugimos e destroçamos a carne de um homem
junto aos gatos dos motores.
juntos à demora com que nos olham
ao espelho bicando a nossa imagem
até sarar o primeiro filete que escorre
de uma face que é inteira
silêncio
e partida.
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