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o que cantam as cigarras · Jun 20, 2026

Onde foi parar Lis Welch?

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lis welch · o que cantam as cigarras

🍂 Um retorno aguardado

Este texto abre um novo leque do meu processo criativo. Por isso, peço que leia até o fim com muito carinho. É uma forma de eu me comunicar com você, cigarra, no que estou trabalhando e investindo minha cabeça. Se você estiver me conhecendo agora, aproveite: aqui estão todas as minhas facetas, unidas em um só lugar.

Agradeço, de antemão, a todos os apoiadores pagos de o que cantam as cigarras. São vocês que permitem que textos como este — e muitos outros — permaneçam no ar. Caso minha escrita te toque, considere ser parte dessa cantoria conosco.

Em abril de 2026, eu resolvi sair do Twitter. Sim, do Twitter; ou X; ou Sete Além; ou Purgatório; ou Inferno; ou como queira chamar aquele umbral que tantas almas perdidas ainda insistem em usar. Eu sei, eu sei. Demorei. Fui garota, fui menina. Deveria ter abandonado o navio em naufrágio há muito mais tempo — e não nego, eu tentei repetidas vezes, mas falhei miseravelmente em cada uma delas. Para infelicidade geral da nação, aquela gruta de más interpretações é, no melhor dos termos, viciante. Por causa disso, por lá perdurei mais do que devia.

E que isso custou?

A minha sanidade.

Para quem já viveu um relacionamento abusivo, é nítido que as relações que estabelecemos com as redes sociais na contemporaneidade são permeadas por abusos — e, como em qualquer relação abusiva, normalizamos o que não é normalizável.

Primeiro, porque, em um curto período, há uma exposição ininterrupta a uma quantidade inebriante de informação que o nosso cerebrozinho — coitado seja — não consegue processar. Segundo, porque o algoritmo é pensado para nos manter em um ritmo autofágico, em que o nosso bem-estar se torna meio de escambo para se alcançar um suposto prazer imediato — ou, ao menos, um estado psicológico que te levará a ter um pouco de emoção na vida, seja ela qual for.

O que aparece na sua timeline é exatamente o que você precisa ver para permanecer mais um minutinho scrollando. E o que então era apenas mais um minuto, torna-se dez. E mais trinta. E mais cem. E mais quatro horinhas perdidas com você sentada no sofá, morrendo de ansiedade por estar sendo tirada de contexto ao tentar explicar para a usuária Vagina Despatológica que, sim, mulheres trans são mulheres — o que deveria ser o óbvio.

Com isso em mente, serei sincera: o dia em que eu sai do Twitter, eu quase morri. Eu já tinha escrito umas quatro cartas de suicídio e postado várias frases de autoeliminação antes de todo o caos que se sucedeu — que, sinceridades à mesa, eu não pretendo aprofundar aqui —, pois estava cansada não apenas daquela desgraça, mas da vida em si. Quem me acompanha há mais tempo, sabe que meu histórico com ideação suicida não é nada novo e que, em muitos momentos, já me afastei das redes no passado para cuidar da minha saúde mental.

Dessa vez, contudo, a decisão não foi feita como um cuidado temporário. Quando a discussão começou a ser tirada de órbita, eu estava sentada na cadeira de uma dentista, realizando um tratamento que negligenciava há mais ou menos uns dois anos por questões financeiras. Foi ali, bem ali, com a maquininha no meu dente fazendo bizzzz que eu tive uma revelação: minha vida não poderia se resumir mais àquele turbilhão de ansiedade.

Mas nem de todo mal era aquele umbral, certo?

As redes sociais eram ótimas ideias e funcionaram, por algum tempo, como espaços promissores de troca e socialização. Conhecer pessoas, compartilhar interesses e formar laços era um prazer tremendo na era de ouro do Orkut, do Facebook e dos fóruns. Quem não se lembra daqueles joguinhos flash da Vostu, como MegaCity, MiniFazenda e CaféMania? Ou da quantidade exorbitante de textos deliciosos aguardando serem jantados nos blogs? Hoje, contudo, essa é uma realidade distante, moldada pela nostalgia e pelas memórias das memórias de fatos que nunca mais se concretizarão.

Na atualidade, eu, você, este texto, uma foto no Instagram, um vídeo no Youtube e um vestido da C&A têm algo em comum: todos somos produtos em alguma medida. Podemos não estar vendendo algo de imediato, mas sempre existe um fim, uma troca, um capital a ser enunciado e conquistado.

Toda exposição na internet permeia essa leitura, mesmo que não seja intencional. Veja, por mais que a Ciclana esteja postando artes despretensiosamente, eu, uma entusiasmada projeteira de jogos, irei chamá-la para compor a equipe do meu jogo e, por consequência, irei remunerá-la. Indiretamente, ela vendeu uma habilidade, arquivou uma grande quantidade de provas da sua qualidade e criou uma forma de acessá-la sem muito esforço. Por bem ou mal, ou bem mal hoje em dia, a internet se tornou uma vitrine em que estamos todos loucamente vendendo algo, nem que seja a nossa sanidade.

Semelhante à vida, tentamos tirar algum significado dessa loucura. Só que tudo aqui opera infinitamente mais rápido do que no mundo real — e é essa pressa que nos impede de apertar o freio. Quando vemos, já estamos descendo a ribanceira com direito à capotagem artística, cheia de explosões em CGI e um fundo dramático no meio dos [insira aqui o seu lugar favorito no cosmos] em tela verde.

Até o nosso sofrimento é artificializado em alguma medida — quem nunca viu aqueles vídeos de um “influenciador” reagindo a alguma violência enquanto força choro e expressões de tristeza diante da câmera? Pois é. Nessa distopia cibernética, quase nada é genuíno. Tá todo mundo premeditando movimentos a partir de calendários editoriais, análises de insight e planejando surfar na nova trend — ou “moda”, para os mais velhos.

E, bom, admito: também faço parte do problema. Afinal, como qualquer sistema opressivo, não há como fugir da lógica que gira as engrenagens da realidade. Não quando se é um mero grão de areia diante de tamanho caos. Mas, papo reto, eu tô meio que… cansada. Exagerada—, grandiosa—, infinita—, fodidamente cansada. E foi ao perceber tal cansaço que encontrei a minha salvação pessoal — que talvez não seja a sua, mas aposto que te curará em alguma instância.

Sim, arte. Boa e pura arte, em toda sua crueza expressiva, sem as facilitações de uma inteligência artificial ou de plágio desenfreado — pois é, pleonasmo. Mas sim, arte que nos força a botar a mão na massa, se isolar nos períodos de criação e, então, lançá-la ao mundo para ser absorvida, admirada, criticada, amada e odiada.

Embora pareça paradoxal, as redes sociais me distanciaram do fazer arte. Como eu bem disse, tudo aqui é conteúdo, um produto a ser consumido. A arte se perde diante de postagens feitas para roubar sua atenção e te forçar a ficar horas discutindo sobre os direitos básicos da sua existência para um maluco qualquer. Em redes ultrarrápidas, em que o tempo médio de vida de um post é de doze horas — como o Twitter —, essa realidade é ainda mais deprimente. “Se você não estiver lá, vai perder oportunidades” — quantas vezes não ouvimos essa exata mesma frase? Com o medo de perder algo que sequer se concretizou, você não solta mais o celular, não exercita hobbies e vende sua vida, indiretamente, para uma corporação que só quer te sugar.

Então, respondendo ao título: onde foi parar Lis Welch?

Eu voltei a ser artista. A fazer arte.

Mas… qual arte?

O texto que você lê neste momento é o pontapé inicial da minha humilde revolta artística. Um passo que darei como permanente daqui para frente e que centrará todo meu esforço: o meu ganha-pão virá exclusivamente das artes que crio e criarei. Por mais que o meu criar seja classificado, cedo ou tarde, como conteúdo pelo sistema, sempre cuidarei de cada peça — ensaio, conto, livro, vídeo, foto — como uma jardineira trata suas plantas: entes únicos, dignos de um zelo ímpar.

Lançada no início de 2025, o que cantam as cigarras servia como esse lugar — uma função que logo se perdeu conforme comecei a sentir que “ninguém me lia”; sim, eu sei, maluca — e que pretendo retomar agora, em meados de 2026. Quero que, além de um lugar para introjetar ideias, as cantigas sejam um espaço de troca com vocês. Quero saber quem vocês são, conhecer o que fazem e poder, como for possível, apoiar o que quer que esteja florescendo aí. Para isso, o chat agora estará disponível para qualquer seguidor conversar.

O crivo editorial não muda: ainda falarei de humanidades, arte, teoria queer e mais. Para alguns textos, ofertarei os dossiês de pesquisa aos assinantes pagos — afinal, essa será uma das formas de continuar pagando as contas por aqui.

Em relação aos tópicos, haverá expansões. Pretendo abordar criação artística, sensibilidade na escrita e uma das minhas especialidades das quais mais sentia vergonha: criação de jogos (ou, como dizem por aí, game design) — tudo isso em uma nova linha de publicações chamada o que planta a jardineira. Lá, trarei mais das minhas facetas e permitirei que vocês também exponham mais das suas.

Aos bons observadores, alguns textos sumiram desta terra que chamo de jardim, mas não se preocupem: eles voltarão com uma nova roupagem, bem mais artísticos e bem editados. A mudança de layout — para quem me lê pelo site — já é prova nítida dessa transformação.

Nesse mês de junho, prometo comparecer todas as terças, a partir desta semana que vem, bem cedinho na sua caixa de entrada — e assim pretendo permanecer pelo resto do ano.

Sempre ouvi por aí que se você quer se expor, põe a cara no Instagram; quer ser autoridade num assunto, põe a cara no Youtube. Apesar do discurso tentador, rejeitei a possibilidade por muito tempo por:

  1. ser uma criatura disfórica;

  2. preferir o texto como expressão primordial da minha alma.

Até que, movida por um contrato, precisei gravar um vídeo e, para surpresa geral da nação, amei a experiência. Não que eu já não tivesse gravado antes, mas, como era material adulto, a diferença foi gigantesca. Então, por livre e espontânea animosidade — e como grande amante de fotografia —, decidi começar a criar vídeos para o Youtube e o Instagram. Eu já postei algum? Não! Eu já gravei alguns? Sim! E em breve vocês poderão me assistir nestas duas redes — pois, infelizmente, são o meio mais fácil de distribuir esse material.

Para o canal ainda não nomeado do Youtube (se você tiver uma sugestão de nome, por favor, me envie, eu imploro), quero elaborar vídeos-ensaios de 20 a 40 minutos de duração, com uma linha editorial que articula três tópicos que eu amo: cultura pop (cinema, jogos, livros, etc), humanidades (conhecimento é tudo!) e criação (imaginário, processos artísticos, tropos e muito mais). Lançamento planejado para início de julho — mais detalhes em um futuro próximo.

Já para o Instagram, a estratégia vai ser brincar de aesthetic — não que eu seja boa nisso, mas planejar fotos do feed acabou se tornando um hobby. Quero tentar trazer um material diferente, respeitando minhas próprias limitações diante da câmera e testando, conforme for possível, novos formatos. A primeira postagem sai semana que vem e eu espero que vocês gostem — ou melhor, sejam piedosos comigo pois é a primeira vez que vou expor a fuça dessa forma.

Em meados de 2024, um e-mail chegou na minha caixa de entrada procurando me contatar por interesse em um projeto em que, na época, eu estava envolvida. Era um dos membros da Lost in Cult, um premiado estúdio britânico de arte e jornalismo especializado em mídias físicas para jogos digitais reconhecidos pela indústria: artbooks, edições de colecionador, sistemas de RPG e jogos de tabuleiro.

O projeto infelizmente veio a desandar por motivos maiores antes de sair do papel, mas o contato com a Lost in Cult não. Após enviar um pitch de 20 páginas com uma ideia de sistema de RPG, eles piraram. “É, sem dúvida, o melhor jogo que eu já li na vida”, disse, na época, o meu atual superior e amigo, Dan. Pela primeira vez me senti reconhecida, ouvida e respeitada por uma pessoa com tanta expertise na indústria — e assim se sucedeu nossa relação profissional.

Hoje, trabalho com a Lost in Cult como escritora e game designer freelancer, ao lado da minha ex-noiva e parceira de projetos, Eve Lopes — que, quando vi a oportunidade de apoiar outra trava, convidei para trabalhar comigo. Juntas, fomos responsáveis por elaborar dois novos mistérios para o jogo de tabuleiro de World of Horror, um renomado jogo de terror baseado nas obras de Junji Ito. Também adaptamos um mistério rascunhado por um famoso mangaká de terror japonês — cujo nome, por enquanto, ainda não posso revelar.

World Of Horror: The Board Game — Lost In Cult
Sério, olha que LINDEZA esse board game!

Os dois mistérios que desenvolvemos partem de tópicos que nos preocupam em relação à atualidade, inseridos dentro de um contexto de horror japonês. O primeiro é uma narrativa intimista sobre os limites entre o público e o privado, identidade queer, disforia, moda e exposição corporal — tudo isso por meio de um body horror delicioso em que evitamos, a todo custo, revitimizar a criatura retratada. O segundo se centra nas nuances entre natureza e tecnologia, tradição e renovação, juventude e maturidade, acompanhando uma narrativa found footage à la A Bruxa de Blair, com raízes na teoria ecossocialista e na nossa relação com a IA generativa. Foi, inclusive, o mistério favorito de um repórter que entrevistou o Dan na última semana.

Ao apresentarmos as ideias, o Dan parou o próprio almoço para mandar um áudio dizendo o quão “fodidamente incrível” achava e que, em anos de trabalho, aquele havia sido “genuinamente um dos textos mais bem escritos que já lera”. Ao apresentar para o responsável pela IP, a reação foi: “Quem são elas e por que elas não são conhecidas no mundo todo?”. Na entrega, os comentários de adequação foram mínimos — dois, se não me engano — e eu ainda tive a honra de experimentar o jogo em uma sessão de playtest. Cheguei a chorar depois, do quão feliz estava com o que tinha criado junto de pessoas tão maravilhosas.

E bom, o resultado tá aí: nosso trabalho no World of Horror está praticamente finalizado e o Dan já nos confirmou em diversos outros projetos. Depois de tanto sofrer com experiências abusivas no mercado brasileiro — desde desrespeitos com a minha identidade até pagamentos irrisórios e impedimento de realização das minhas funções —, sinto que finalmente encontrei minha casa. E tenho dado o meu melhor para apresentar, aos fãs, o melhor da minha expertise como escritora e designer de jogos.

Genuinamente, esse é o meu principal orgulho no momento. E prometo: ainda há muito por vir.

Idealizado por Thales “Bif” Cunha — roteirista de Ordem Paranormal — e distribuído pela New Order, Brutal RPG nada mais é do que um RPG de mesa de terror slasher em que você joga como uma Sobrevivente escapando de um Assassino. A temática do jogo gira ao redor dos clássicos do cinema slasher das décadas de 1980 e 1990, com foco em mesas curtas durante eventos sociais.

Capa dessa belezinha, hihi!

Fui escalada como editora-chefe do Brutal RPG em 2024, quando o projeto ainda engatinhava. De lá para cá, assumi o escopo completo da função: criei o guia de estilo; coordenei o fluxo editorial; dei feedback estrutural para os demais escritores; fiz revisão, preparação e leitura de sensibilidade — avaliando, com cuidado, as representações de gênero e violência que o gênero slasher inevitavelmente convoca. Escrevi e reescrevi uma boa parte do material, e trabalhei lado a lado com a diagramadora para que texto e layout conversassem — função que o nosso gerente, autor e querido amigo, Bruce Barbosa, também desempenhou muito bem.

O resultado fala por si: o material original dos autores tinha 29.247 palavras e 86 páginas. O manuscrito finalizado chegou a 52.710 palavras e 268 páginas. Quase o dobro, com um texto muito mais marcante e dinâmico.

Brutal é um daqueles projetos em que todo mundo que trabalha nele se apaixona pelo que está sendo criado. Houve, sim, atrasos na entrega — que vieram de infortúnios na vida dos colaboradores (eu inclusa) e de uma recusa coletiva em entregar algo aquém do que o jogo merecia. O que importa é: o livro está na reta final e, em breve, chegará às mãos de quem tanto esperou por ele.

No futuro, pretendo falar sobre cada uma das mudanças que realizamos em Brutal a partir da minha percepção como game designer e o que eu quis trazer à discussão com os autores na editoria.

Por fim, mas não menos importante: em abril, eu me tornei colunista da Simple Media, o projeto editorial da Simple Escort, uma plataforma de acompanhantes sexuais. Eles chegaram até mim por causa da minha experiência como ex-trabalhadora sexual e pelo meu ativismo em prol da diversidade sexual e de gênero. Agora, todo mês, um texto meu sairá pelo site deles — e também aqui na newsletter —, abordando um assunto que orbite o trabalho sexual sob um viés crítico, bem pesquisado e argumentado.

No que diz respeito à escrita, pretendo continuar criando cada vez mais: não ficção, ficção, jogos (de tabuleiro e digitais — vem aí!!!), roteiros e muito mais. No exterior, continuo publicando textos de não ficção ali e aqui, mas minha energia criativa tem se centrado nas revistas de fantasia, terror e ficção científica. Sonho muito em ser publicada na TractorBeam, na Reckoning e na Clarkesworld — três revistas que me encantam pela seriedade com que tratam temas ambientais e pelo espaço que abrem para vozes como a minha.

Nessa mesma veia criativa, também estou desenvolvendo um sistema próprio de RPG sobre um coven de bruxas que gerenciam um escritório de investigação particular em um cenário de fantasia urbana. Imagine fantasmas, lobisomens, vampiros e todo tipo de criatura sobrenatural andando pela porta enquanto você precisa aceitar jobs paralelos que inevitavelmente trarão novos clientes (e mais problemas) — falei um pouquinho mais sobre isso lá no Bluesky e em breve trago mais notícias desse projeto.

Em um futuro não muito distante, quero abrir um cantinho para a gente conversar mais sobre nossas criações e poder auxiliar quem está nessa caminhada de criação. A arte pode ser bem solitária, mas é no compartilhamento da trajetória que encontramos certa magia. Por agora, recomendo a comunidade de escritores da qual eu faço parte: o Fantástico Guia, gerido pela maravilhosa Jana Bianchi e pelo amável Diogo Ramos — dois amigos e escritores cujas vitórias celebro com muito carinho.

De tudo um pouco, tenho certeza.

Já me podei demais no passado, sabe? Me encolhi diante do mercado, diante do algoritmo, diante de figuras poderosas e outras pessoas que não mereciam — nem merecem — o que eu tinha e tenho a oferecer. Ouço muito da minha psicóloga que há um quê de Clarice em mim: uma profundidade artística que clama por vazão a todo momento, mesmo nos diálogos mais ordinários. Gosto dessa imagem, pois não fala de produtividade, nem de entrega ou disciplina. É sobre ser artista ao ponto da alma precisar gritar arte; senão, adoece.

Então é isso que continuarei fazendo: arte. Criar sem me punir.

Há muito vindo por aí. Um podcast, um audiodrama, um punhado de jogos, alguns livros e, quem sabe, até histórias em quadrinhos. Não posso revelar muito por ora — sempre tem os contratos de confidencialidade segurando nossas línguas (ainda bem!). Mas saibam que, como uma boa criatura multifacetada, continuarei criando nas mais diversas frentes. Na hora certa, vocês vão ver tudo de pertinho.

Espero, de coração, que vocês tenham gostado do que leram por aqui hoje. É só uma forma meio verborrágica de dizer, depois de três meses de sumiço das redes sociais, que:

  1. eu estou viva.

  2. eu estou bem.

  3. eu estou criando pra caramba!

Aguardo vocês em cada um desses passos e, por favor, me contem: o que andam aprontando por aí? Amarei saber!

Essa cantiga é tecida por apenas duas mãos.
Quaisquer erros compõem sua melodia acidentada.

Por aqui, sempre com transgressões e travessuras,

Read the original on liswelch.substack.com

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