O Substack não me paga para publicar textos originais. Na real, ninguém está me pagando para publicar textos originais (se você quiser me pagar para publicar textos originais, estou FACINHA, me mande um email); na real, realzona, a CAPES, sim, está me pagando para realizar uma pesquisa que, obviamente, eu não vou publicar em lugar nenhum antes dos próximos dois anos. Mas as reflexões que vou fazendo ao longo do caminho, publico em um dos meus dois sites - o liaamancio.com.br, que é meu blog pessoal, e o lounge42.com, meu site profissional, onde ofereço meus serviços de consultoria, a depender da reflexão e do nível de palavreado.
Este, por exemplo, foi um post do LinkedIn que resolvi expandir para meu blog, não apenas para fins de mecanismo de busca (a Flavia Crizanto é que é a especialista em SEO, ela pode te explicar), mas também por motivos de “se a Microsoft vender o LinkedIn”, “se o LinkedIn enshisttificar de vez” (mais do que ja é), eu quero que isso que eu escrevi trabalhe para mim, trabalhe pela minha autoridade.
Então é isso: reciclei um post curto, transformei em post de blog, publiquei lá no Lounge42.com e agora trago para vocês aqui - não que eu confie totalmente na idoneidade do Substack, mas essa plataforma aqui tem um caráter social e de construção de comunidade que, pelo menos neste momento de reestruturação profissional que vivo agora, me interessa.
Neste post eu disserto de leve sobre por que a comunicação institucional precisa enfrentar a dependência das Big Techs.
Recentemente, um dado sobre a gestão pública de dados no Brasil me acendeu um alerta – que, para quem acompanha as entranhas da comunicação institucional, não é exatamente uma surpresa, mas uma confirmação amarga. A Fiocruz enfrenta um contrato com a Microsoft que, apesar de um reajuste de 35% no preço, reduziu seu espaço de armazenamento em 98%. Ao mesmo tempo, universidades federais inteiras operam sob a custódia do Google, vulneráveis a mudanças súbitas de termos de serviço e custos abusivos.
Como chegamos ao ponto em que o patrimônio intelectual e a memória das nossas instituições mais importantes estão à mercê de decisões tomadas em diretórios no Vale do Silício?
Aqui não falo apenas da parte técnica de infraestrutura de TI, mas sobre soberania e produção de sentido. No meu percurso profissional, passando pela comunicação de instituições como a ANCINE e a RioFilme, e usando incontáveis fontes oficiais como material de pesquisa para conteúdo de clientes, percebi que a gestão da imagem pública é indissociável da gestão do canal por onde ela flui. Quando terceirizamos a custódia da nossa memória para as Big Techs, estamos, na prática, construindo nossos arquivos em terrenos alugados – e o dono do lote pode aumentar o aluguel ou nos despejar a qualquer momento.
Atualmente, dedico minha pesquisa no Mestrado em Mídia e Cotidiano na UFF exatamente a esse problema: a dependência das plataformas na comunicação de interesse público. O que comunicamos quando não fazemos questão de soberania? O que sobra da nossa narrativa quando o conteúdo se torna efêmero em um “outdoor alheio”?
É fundamental fazer uma distinção aqui: não se trata de abandonar os canais comerciais. Como consultora estratégica, reconheço que a disputa de narrativas e o alcance de massa ainda acontecem no Instagram, no X/Twitter ou no TikTok. Ignorar esses espaços seria um erro estratégico de comunicação.
No entanto, a estratégia inteligente de uma instituição ou marca sólida deve ser híbrida. Ocupamos os espaços comerciais pelo controle da narrativa e pelo alcance, mas precisamos, urgentemente, explorar e fortalecer canais que comuniquem soberania.
Enquanto vemos datacenters de energia eólica sendo instalados no Brasil para servir ao TikTok, precisamos nos perguntar: onde está a nossa infraestrutura própria? Temos Serpro. Temos datacenters de instituições. Temos infraestrutura para hospedar nossas próprias redes. O setor público – e as grandes marcas que prezam por seu patrimônio – podem se descolar da lógica exclusiva das Big Techs. Algumas instituições já até começaram.
Minha pesquisa aponta para o Fediverso (redes descentralizadas como o Mastodon e o PixelFed) não apenas como uma “alternativa hipster”, mas como uma questão de sobrevivência institucional. Estar presente em protocolos abertos significa que a instituição detém a custódia dos seus dados, da sua lista de seguidores e da sua memória. É a quebra da lógica de dependência.
Se o algoritmo muda ou se a plataforma decide cobrar taxas abusivas para entregar o seu conteúdo para quem já te segue, uma instituição soberana não fica de mãos atadas. Ela possui sua própria casa.
O problema institucional de hoje é que tratamos a comunicação como algo descartável, mas ela é o registro histórico da produção de sentido de uma época. Se você quer pensar a comunicação da sua instituição ou empresa para além do próximo post – pensando em preservação de memória, segurança de dados e soberania de marca – precisamos falar sobre estratégia de infraestrutura.
A comunicação de interesse público não pode ser refém de reajustes trimestrais de empresas estrangeiras.
Gil, Flor e Bento no Tiny Desk Brasil
O guia de entrada para o Fediverso publicado pelo Ministério da Cultura: https://www.gov.br/museus/pt-br/assuntos/noticias/1o-websocialbr-reune-experiencias-do-governo-no-fediverso-e-lanca-guia-produzido-pelo-ibram/guia-fediverso-2.pdf
O chicones descobriu quem seria o Nick Fury do MPB Cinematic Universe:
E, aparentemente, o Outlook não funciona nem no espaço: https://www.wired.com/story/artemis-ii-microsoft-outlook-problems/
Um beijo e até a próxima!
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