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Lia lia e escrevia · Oct 21, 2025

A internet que queríamos, a internet que temos, a internet que podemos (re)construir: reflexões do Congresso AoIR2025 (Niterói, outubro de 2025)

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Lia Amancio · Lia lia e escrevia

Na semana passada, Niterói recebeu a FLIN - Festa Literária de Niterói, um grande evento dedicado à literatura e ao setor editorial na cidade. Muitas celebridades, muitas atrações, muitas pessoas incríveis participando do evento.

Ali do lado do Reserva Cultural, no Instituto de Artes e Comunicação Social da UFF, situado no Campus do Gragoatá, com menos holofotes mas não menos importante, acontecia o congresso internacional da AoIR, a Associação dos Pesquisadores de Internet - uma associação acadêmica dedicada aos estudos da - como você pode imaginar - internet.

Digo “não menos importante” com muita convicção: sob o tema “Rupturas”, e pela primeira vez na América Latina, vimos trabalhos sobre tudo o que envolve internet - mídias digitais, discurso de ódio, plataformização, dissidências tecnológicas, futuros sustentáveis (e insustentáveis), IA, mapeamento de comunidades e culturas, desinformação, disrupções em modelos audiovisuais em plataformas digitais, privacidade, dados, infância, algoritmos, comunidades, moderação, cultura de fãs, popularização da ciência, creator economy, periferias, midiativismo, aspectos sociais, econômicos, filosóficos, estéticos, legais e políticos da internet, e muito mais.

Welcome to the internet

Basicamente tudo o que você pode imaginar sobre internet, a conferência da AoIR em Niterói cobriu.

O FOMO (fear of missing out) foi real, mas eu era uma mulher com uma missão: me aprofundar nas discussões sobre mídias sociais alternativas (notadamente o Fediverso, mas não apenas); entender um pouco melhor sobre a estrutura de pesquisas acadêmicas, metodologias de pesquisa e apresentação de insights; e saber mais ou menos o que está acontecendo nessa área. E posso dizer que cumpri minha missão com honras.

“Ah, mas discussões acadêmicas são centradas na Academia, auto-referentes, não dialogam com a sociedade etc etc etc”

Não, é aí que você se engana.

Os problemas discutidos foram reais. As pesquisas levantam questões reais e urgentes - da regulação de plataformas à precarização do trabalho, passando pela soberania digital de nações do Sul Global, questões climáticas, domínio das big tech, moderação de discurso de ódio na internet, até o seu ícone pop favorito (infelizmente ainda não tinha K-Pop Demon Hunters quando a chamada para submissão de trabalhos foi realizada). Muitas das pesquisas ali apresentadas vão embasar políticas públicas, políticas de uso de plataformas, políticas de moderação de conteúdos, aplicativos, soluções tecnológicas. Outras vão apenas botar a gente para pensar. O que, em tempos de terceirização do cérebro para LLMs, até que é bastante coisa.

*

Por aqui, estou imersa no estudo das mídias sociais que se apresentam como uma alternativa à merdificação da internet - e que, mesmo não sendo comerciais, podem ser canais de comunicação bastante consistentes - permitindo que você seja realmente dono do seu conteúdo, construa reputação junto a um público altamente qualificado, e não dependa nem de big tech, nem da mediação de um algoritmo para fazer sua mensagem chegar.

É possível, juro. A internet não precisa ser esse monte de lixo gerado por IA para fins de autopromoção e marketing, não precisa necessariamente depender do que uma plataforma decide por você e diz que você acha relevante, não precisa “postar todo dia, postar toda hora”, não precisa de dopamina barata.

*

Pergunte-me como.

*

Em 1997 a gente acreditava mesmo que a internet seria uma maravilha para acesso à informação. 

Em 2025 temos acesso à desinformação, inteligência artificial produzindo textos sem alma e cheio de erros factuais, quatro empresas controlando tudo o que você vê, TDAH torando em todo mundo, grandes acervos digitais fechando, você paga para ouvir música e ler livros mas não pode ser dono do que você comprou; você não é dono nem do que escreve, já que publica em redes sociais de terceiros.*

Essa não era bem a internet que eu imaginei.

*

Gifs de gatinhos sim, esses eu defendo:

*

Obrigada, AoIR, pelo acolhimento a esta pesquisadora iniciante, sem vínculo acadêmico atual, mas com muita vontade de ajudar a construir a internet que a gente sempre quis.

*Estou no Substack pela comunidade. Mas também tenho um blog pessoal com meu domínio, com backups periódicos, com meu nome. Se um dia isso aqui enshittificar ou fundir com o Twitter, me ache em https://www.liaamancio.com.br.

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Read the original on liaamancio.substack.com

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