Toda semana, eu publico uma análise da conjuntura focada no cenário eleitoral: a contagem regressiva para 4 de outubro de 2026.
Na convenção do partido do MBL, Renan Santos reafirmou sua estratégia, que é se colocar à direita da direita. O discurso do ultraliberalismo econômico permanece, mas fica em segundo plano diante da defesa de um punitivismo extremo, emblematizado na frase pronunciada sob medida para chegar às manchetes: “Vamos matar quem roubar”.
De um jeito ou de outro, ele se apresenta como o porta-voz da barbárie. A barbárie do mercado e a barbárie da violência física. Milei, Bukele, “el Tigre” Espriella e Pablo Marçal são misturados no liquidificador para gerar a persona política de Renan Santos.
Para manter a aura de “xóvem”, a convenção teve espaço VIP com open bar...
O MBL é um fruto da imprensa paulistana. Em meados da década passada, ela foi fundamental para transformar um movimento astroturf vulgar e inexpressivo em um ator “importante” da vida nacional. De repente, Kim Kataguiri era tratado como alguém que tinha algo para falar que merecia ser ouvido. E com ele vieram os Mamãe Falei, os Holiday etc.
Ainda hoje, Renan Santos é tratado como um candidato de verdade, não como linha auxiliar da extrema-direita, útil para pintar Flávio como “moderado” e para, no final, descarregar nele o “voto útil”.
E as perguntas que devem ser feitas cada vez que se fala dele continuam as mesmas:
Quantas das assinaturas entregues ao TSE, para criar o partido “Missão”, foram obtidas fraudulentamente, dizendo para as pessoas que elas estavam apoiando uma petição em favor da saúde e da educação?
O novo partido continua com a prática do MBL, de infectar os computadores de quem acessa suas páginas para minerar criptomoedas?
As finanças do partido serão, como as do MBL, misturadas com as da família Santos?
Ele continua na carreira de “empresário” caloteiro e fraudador?
Uma vez que a legislação brasileira proíbe que partidos sejam bancados por entidades estrangeiras, o MBL vai abrir mão de seus laços íntimos com a Atlas Foundation, incubadora de organizações de extrema-direita regada a dinheiro de bilionários estadunidenses?
O Missão, assim como o MBL, torra o dinheiro de doações em puteiros? Vai ser assim com o fundo partidário?
Na reta final da definição das chapas para a eleição (o prazo termina na quarta-feira), o cenário parece mais indefinido do que de costume. Flavio Bolsonaro ainda não tem vice. Tenta desesperadamente usar o cargo para conseguir o apoio de algum partido do Centrão, mas tudo indica que será em vão.
O nome dos seus sonhos era a senadora Tereza Cristina, dos “Progressistas” do Mato Grosso do Sul (os nomes de fantasia dos partidos brasileiros são sempre uma piada). Ela era vista como a candidata preferida, na verdade para a cabeça de chapa, de setores “civilizados” da nossa burguesia. Isso diz muito sobre a nossa burguesia. Tereza Cristina parece saber usar garfo e faca, mas representa o latifúndio brasileiro em todo seu atraso: inimiga do meio ambiente, inimiga dos direitos dos trabalhadores, grande apóstola do uso indiscriminado de agrotóxicos. Não por acaso, foi ministra no governo do pai de Flávio, cúmplice de tudo que aconteceu.
Mas a chance de que o PP faça uma coligação com o PL é hoje inexistente, tanto quanto de que o partido lance uma candidatura própria. Todo o Centrão vai ficar “neutro” na eleição presidencial, permitindo que seus candidatos apoiem quem quiser, de acordo com as conveniências locais. Esta é uma grande vitória de Lula, algo que no começo do ano era considerado muito difícil de alcançar. O resultado, é justo reconhecer, foi obtido não tanto pela genialidade política do presidente, mas pelo acúmulo de barbeiragens da campanha do filho de Jair.

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