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Amanhã não existe ainda · Aug 3, 2026

Contagem regressiva #9

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Luis Felipe Miguel · Amanhã não existe ainda

Toda semana, eu publico uma análise da conjuntura focada no cenário eleitoral: a contagem regressiva para 4 de outubro de 2026.

Na convenção do partido do MBL, Renan Santos reafirmou sua estratégia, que é se colocar à direita da direita. O discurso do ultraliberalismo econômico permanece, mas fica em segundo plano diante da defesa de um punitivismo extremo, emblematizado na frase pronunciada sob medida para chegar às manchetes: “Vamos matar quem roubar”.

De um jeito ou de outro, ele se apresenta como o porta-voz da barbárie. A barbárie do mercado e a barbárie da violência física. Milei, Bukele, “el Tigre” Espriella e Pablo Marçal são misturados no liquidificador para gerar a persona política de Renan Santos.

Para manter a aura de “xóvem”, a convenção teve espaço VIP com open bar...

O MBL é um fruto da imprensa paulistana. Em meados da década passada, ela foi fundamental para transformar um movimento astroturf vulgar e inexpressivo em um ator “importante” da vida nacional. De repente, Kim Kataguiri era tratado como alguém que tinha algo para falar que merecia ser ouvido. E com ele vieram os Mamãe Falei, os Holiday etc.

Ainda hoje, Renan Santos é tratado como um candidato de verdade, não como linha auxiliar da extrema-direita, útil para pintar Flávio como “moderado” e para, no final, descarregar nele o “voto útil”.

Francisco de Goya, Bandidos fuzilando seus prisioneiros (1812)

E as perguntas que devem ser feitas cada vez que se fala dele continuam as mesmas:

Na reta final da definição das chapas para a eleição (o prazo termina na quarta-feira), o cenário parece mais indefinido do que de costume. Flavio Bolsonaro ainda não tem vice. Tenta desesperadamente usar o cargo para conseguir o apoio de algum partido do Centrão, mas tudo indica que será em vão.

O nome dos seus sonhos era a senadora Tereza Cristina, dos “Progressistas” do Mato Grosso do Sul (os nomes de fantasia dos partidos brasileiros são sempre uma piada). Ela era vista como a candidata preferida, na verdade para a cabeça de chapa, de setores “civilizados” da nossa burguesia. Isso diz muito sobre a nossa burguesia. Tereza Cristina parece saber usar garfo e faca, mas representa o latifúndio brasileiro em todo seu atraso: inimiga do meio ambiente, inimiga dos direitos dos trabalhadores, grande apóstola do uso indiscriminado de agrotóxicos. Não por acaso, foi ministra no governo do pai de Flávio, cúmplice de tudo que aconteceu.

Mas a chance de que o PP faça uma coligação com o PL é hoje inexistente, tanto quanto de que o partido lance uma candidatura própria. Todo o Centrão vai ficar “neutro” na eleição presidencial, permitindo que seus candidatos apoiem quem quiser, de acordo com as conveniências locais. Esta é uma grande vitória de Lula, algo que no começo do ano era considerado muito difícil de alcançar. O resultado, é justo reconhecer, foi obtido não tanto pela genialidade política do presidente, mas pelo acúmulo de barbeiragens da campanha do filho de Jair.

Read the original on lfmiguel.substack.com

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