O ano era 2021.
Depois de sobreviver à crise dos 40 anos e ter mudado completamente minha vida ao abandonar uma carreira de sucesso na área cultural para me tornar Astróloga, eu estava vivendo um dos momentos mais incríveis da minha vida fazendo leituras de mapa natal e revolução solar de minhas primeiras clientes online.
Naquela época, em meio à pandemia, quando eu não estava atendendo no zoom, ou gravando meu curso de astrologia para que outras mulheres lessem seu próprio mapa astral, eu estava me aprofundando cada vez mais no estudo da astrologia.
Não lembro bem como o tarô conseguiu se enfiar aí no meio e superar toda a minha desconfiança sobre ele.
Se a astrologia é uma ferramenta secular, o tarô é “apenas” milenar. Se a astrologia se baseia em um mapa matemático, as cartas focam no contato com o inconsciente, um vasto mundo de segredos e escuridão. Se a astrologia traz conceitos simbólicos profundamente estudados, o tarô usa estes mesmos símbolos para acessar aquilo que não somos capazes de ver a olho nu. Um grande mistério…
Eu tinha todos os argumentos válidos para não confiar no tarô. Ainda assim, em uma tarde qualquer recebi pelos correios uma pequena caixa com um tarô Rider-Waite-Smith, meu primeiro (e para sempre preferido). Um dia falo mais sobre isso por aqui.
Eu não confiei no tarô de uma hora para a outra. Enquanto estudava as cartas, me tornava a cobaia de meus próprios estudos colocando à prova cada vez mais aquelas 78 lâminas de papel.
Comecei a criar o hábito (que mantenho até hoje) de tirar uma carta todos os domingos para entender as energias da semana que estava por se iniciar. Naturalmente, vendo meu espanto com o que acontecia, Alê (vulgo marido-sócio-partner) se rendeu ao hábito comigo. Hoje ele tem seus próprios tarôs em sua gaveta.
Eu me lembro como se fosse hoje o momento em que me rendi completamente ao tarô. Foi no domingo que tanto eu quanto marido tiramos a mesma carta: O Pendurado. Algo estranho estava por acontecer e iria envolver nós dois, já que, pela primeira vez em muitas semanas, a gente tinha tirado exatamente a mesma carta.
O Pendurado (ou O Enforcado, no tarô clássico) é a carta da pausa sagrada.
Visualmente, na carta vemos um homem suspenso de cabeça para baixo por um dos pés, preso a uma espécie de árvore em formato de T. Seu rosto não parece ter sofrimento, mas uma calma serena. Ao redor de sua cabeça tem uma auréola simbolizando a iluminação que nasce da aceitação.
Essa carta costuma surgir quando o mundo lá fora exige uma ação imediata da nossa parte, mas a vida força a gente a parar. É aquele momento em que os planos empacam, o controle escapa e a sensação é de estar literalmente com os pés atados. Nosso primeiro impulso é lutar contra a corda gastando uma energia imensa… tentando fazer as coisas andarem na marra. Só que não rola…
O Pendurado ensina o poder da rendição consciente. Ele diz pra gente que nem todo atraso é um castigo e que muitas vezes a estagnação é uma proteção. Ficar suspenso obriga a gente a mudar de perspectiva: quando vemos o mundo de cabeça pra baixo (ou sob outro ponto de vista), tudo o que parecia urgente perde o valor, e o que realmente importa ganha nitidez.
Sob a ótica de Carl Gustav Jung, este arquétipo representa a necessidade de sacrifício do Ego. Para alcançar uma nova etapa de maturidade psíquica a gente precisa abrir mão da ilusão de controle, do orgulho e das certezas antigas.
- Tá, Let… e aí? O que rolou na semana em que vocês dois tiraram o Pendurado?
Pegamos COVID e ficamos de cama!
E foi justamente esse movimento que eu precisava para refletir, confiar no tarô, trazê-lo para minha vida e compreender que era tempo de soltar as rédeas (e ficar na cama) para que uma transformação profunda pudesse acontecer dentro de mim.
Eu não sou apenas taróloga e tarotista. Sou uma defensora do uso das cartas no dia-a-dia de qualquer mulher 40+ que está em busca de seguir vivendo seu caminho para o si-mesma.
Se você acha que ter um baralho de tarô em casa é coisa reservada a um grupo de místicas misteriosas em salas escuras, eu estou aqui pra te contar que o tarô é, antes de tudo, uma das ferramentas de autoconhecimento mais práticas e pé no chão que você pode ter na sua mesa de cabeceira.
Passar dos 40 anos dá pra gente uma maturidade incrível, mas também coloca a gente diante de um volume absurdo de decisões, ruídos e papéis para equilibrar. É a carreira exigindo direcionamento, a vida familiar cobrando limites, os relacionamentos pedindo presença e a nossa própria alma exigindo espaço.
No meio desse turbilhão, nem sempre a gente precisa de uma “previsão do futuro”. O que a gente precisa, de verdade, é de clareza para o presente.
E é exatamente aí que ter um tarô para chamar de seu faz toda a diferença.
Esqueça os rituais mirabolantes com horas de preparação. Ter um tarô no cotidiano é sobre criar momentos de pausa e escuta interna no meio do caos diário.
E já que você chegou até aqui, deixa eu te mostrar algumas situações reais em que tirar uma carta pode mudar completamente o seu dia:
Em vez de começar o dia já pegando no celular para checar e-mails ou ver o feed das redes, tire uma carta logo depois acordar. Pergunte: “Qual energia precisa da minha atenção hoje?” Se você tem o hábito de fazer as Morning Pages (páginas matinais), a carta que sai pode te trazer reflexões ainda mais interessantes sobre seu momento atual
Essa aqui é a situação clássica em que eu uso o tarô. Sabe aquela conversa complicada no trabalho que você está adiando ou um limite que precisa impor na família? Antes de reagir no automático, embaralhe suas cartas e pergunte: “O que eu não estou conseguindo enxergar sobre essa situação?” O tarot não vai decidir por você, mas vai jogar luz no seu ponto cego, te tirando da reatividade e te devolvendo a lucidez.
Quando a ansiedade bater, o cansaço acumular ou aquela sensação de estar “carregando o mundo nas costas” aparecer, faça uma pausa. Tire uma carta com a intenção: “De que forma posso ser mais gentil comigo mesma agora?”.
Antes de dormir, depois de repassar e anotar em um papel a lista de pendências de amanhã na cabeça, tire uma carta para sintetizar o aprendizado do dia. Pergunte: “O que a vida tentou me ensinar hoje?”. Esse simples hábito transforma episódios chatos ou frustrantes da rotina em matéria-prima para o seu amadurecimento.
Carl Gustav Jung explicava que os símbolos do tarô funcionam como arquétipos (imagens universais que habitam no nosso inconsciente coletivo).
Quando você tira uma carta, não está consultando uma força mágica externa que adivinha o amanhã, mas sim acessando aquilo que a sua própria intuição já sabe e que o barulho do dia a dia não te deixa ouvir (ou que você mesma não quer escutar).
Ter um tarô em casa não é sobre adivinhar o destino. É ter ao alcance das mãos um conselheiro honesto, amoroso e que nunca se cansa de te lembrar quem você é quando o mundo lá fora tenta te fazer esquecer. Aliás, deixa eu reformular: o tarô aqui não é bem um conselheiro, mas apenas uma ferramenta que ajuda você mesma a se escutar.
Se você ainda não tem o seu Rider-Waite-Smith guardado na gaveta, considere isso um convite meu. Se você já tem um tarô, mas não usa ele no seu dia-a-dia, eu te convido a começar com meu guia prático. E se você leu isso tudo aqui sorrindo por já saber o quanto as cartas são importantes na sua vida, o meu convite é de vir comigo em uma jornada um pouco mais longa, mas muito, muito gostosa.
Ah, claro que você também tem sempre a possibilidade de agendar uma consulta comigo!
Agora me conta… qual a sua relação com o tarô hoje?
Beijos, Let.
Com a sua ajuda posso manter uma frequência maior de produção de vídeos no YouTube e textos no Substack e seguir melhorando e aprimorando meus conteúdos de forma contínua. Se meus vídeos e/ou textos te inspiram ou te ajudam de alguma forma, fique à vontade para contribuir com meu trabalho.
Aqui embaixo, você pode saber mais sobre quem eu sou e como meu trabalho pode te ajudar a ter mais consciência de quem você é para que possa curtir a segunda metade da sua vida com mais leveza. E assim, seguimos juntas nessa busca de transformar chumbo em ouro.

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