Vale discorrer sobre a minha “desonestidade” sobre o apoio ao Motta, porque é exatamente o tipo de raciocínio que nos trouxe até aqui.
“Vamos apoiar o Centrão podre para ganhar presidência de comissões.”
Bolsonaro foi eleito para REFUNDAR o Brasil, não para compor com um sistema PODRE.
E isso não é hipótese. Em fevereiro de 2025 o PL formalizou apoio a Hugo Motta, ficou com a vice-presidência da Mesa e com as comissões, e recuou da anistia. Motta nunca pautou a anistia. Depois se posicionou publicamente contra as sanções aplicadas a Moraes, e agora declara voto em Lula:
Qual foi o resultado das concessões? No que deu encher as ruas do Brasil no 7 de setembro de 2021 contra a censura e a perseguição? Quarenta e oito horas depois veio a “Declaração à Nação”, assinada por Bolsonaro e escrita por Michel Temer, que confirmou a autoria: nunca houve “intenção de agredir” os Poderes, e as palavras duras vieram do “calor do momento”. A rua foi mandada para casa com uma cartinha de desculpas.
Bolsonaro cumpre 27 anos e 3 meses em prisão domiciliar, proibido de usar a internet, proibido de receber os próprios filhos no Dia dos Pais por decisão de Moraes. Está em situação melhor do que centenas de presos políticos e exilados, e isso é verdade. Mas é esse o saldo da negociação.
Cumpriu-se o que o professor Olavo escreveu em 2020:
“Se o seu governo não fizer nada para proteger contra a censura e a perseguição policial os internautas que o apoiaram, logo todas as vozes a seu favor serão caladas e você só poderá viver da caridade dos seus inimigos.”
Mesmo depois de tudo isso, parte significativa da direita insiste em negociar com o mesmo sistema.
Sabem por quê? Porque o sistema paga os dois lados.
De um lado, a indignação é remunerada por clique, ou por outros interesses. De outro, a acomodação é remunerada por fundo público. Ninguém precisa agir de má-fé para o resultado sair assim. Basta responder ao incentivo. Quem construiu audiência com a promessa de enfrentamento descobre que o enfrentamento tem preço, e que explicar o recuo custa menos. Quem depende de fundo partidário acaba votando no que a Mesa precisa aprovar. Nos dois casos, o simulacro da luta virou MEIO DE VIDA, e a luta virou custo a ser evitado.
E vale a pergunta que ninguém faz. Quando um influenciador passa a defender exatamente o que interessa a um parlamentar, e o faz contra tudo o que ele mesmo dizia antes, a serviço de quem, exatamente?
O que aconteceu com boa parte do movimento de direita nascido em 2013 foi o mesmo que ocorreu com o petismo: foi ABSORVIDO pelo establishment. Só que para a direita o custo foi muito mais alto. Lula e sua turma foram presos no âmbito do maior esquema de corrupção da história, ficaram um tempinho na cadeia, no caso do Descondenado uma cadeia de luxo transformada em QG político, e saíram de lá descondenados, posando de “defensores da democracia”. A direita foi criminalizada não por corrupção, não por crime cometido, mas porque ameaçou a cleptocracia em curso, e hoje opera sob repressão constante.
E o que restou do movimento? A busca por comissões.
Enquanto o gado vem me xingar, os caciques contam os BILHÕES. Não é força de expressão: R$ 4,9 bilhões de fundo eleitoral mais cerca de R$ 1,4 bilhão de fundo partidário em 2026. O PL é o maior beneficiário individual, R$ 881,7 milhões, quase um em cada cinco reais do fundão. E já estão fazendo a conta do próximo ciclo.
Aliás, reparem no xingamento. Quem vive de agradar essa audiência não escreve este texto. Escreve o contrário dele.
E há um custo que ninguém contabiliza. Ao disputar comissões dentro do arranjo que prendeu seu líder, a direita não está apenas perdendo. Está assinando o atestado de que o arranjo é legítimo. O regime não precisa de aplauso. Precisa de adversário disputando.
E nem falo só de omissão. Em março de 2026 o Senado aprovou o PL da “misoginia” por 67 votos a zero. Zero. Uma lei que equipara opinião a racismo, com prisão inafiançável e imprescritível, e a bancada inteira da direita, os mesmos que discursam contra a censura, não produziu um único voto contra. Na Câmara alguns reagiram. No Senado, ninguém. É o mesmo Senado que engaveta o impeachment de Moraes.
Vejam o que foi o auge da via parlamentar. Depois de anos de mobilização, com a maior bancada da Câmara, o que se conseguiu produzir foi a dosimetria: um texto que mexia nas penas pela margem e não devolvia a liberdade de ninguém. Era o pedido, não a vitória. Foi aprovado na Câmara, aprovado no Senado, teve o veto derrubado e foi promulgado em 8 de maio. E não vigorou um único dia, porque no dia seguinte um homem sozinho suspendeu a aplicação com uma canetada.
E esse homem sabe que conta com a proteção desse mesmo sistema para tomar essa decisão sem consequência alguma.
Quando foi a última vez que você viu os nossos intrépidos líderes cobrando a implementação imediata da medida? Pois é.
É por isso que minhas expectativas com o resultado das eleições são as mais baixas possíveis, para a presidência e para os demais cargos.
Se o máximo que se almeja é uma comissão, e o que se produz é lei esquerdista, já perdemos.
O Estadão, assim como o resto da militância de redação nacional, forma o PRINCIPAL mecanismo de repressão do regime autoritário brasileiro.
São eles que sistematicamente JUSTIFICAM a censura e a perseguição política, e agora operam contra o único mecanismo de correção disponível contra a transformação do Supremo num órgão de repressão política.
Além de tudo, MENTEM!
A direita não faz “guerra contra o Supremo”, mas sim busca resgatar o Supremo da captura por agentes totalitários.
Já pensou como seria viver numa ditadura, onde jornalista é preso, e suas fontes são perseguidas, por expor algum poderoso?

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