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Leandro Ruschel · Aug 14, 2026

Caio Junqueira expõe golpe que está moldando a eleição brasileira

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Leandro Ruschel · Leandro Ruschel

Segundo Caio Junqueira, jornalista da CNN (que ninguém pode acusar de bolsonarista), houve um fator judicial-policial atuando nos bastidores para que partidos investigados, principalmente no caso Master, não fechassem uma aliança com Flávio Bolsonaro.

A aliança natural seria com Flávio. Mas esses partidos receberam recados.

Ministros e juízes em Brasília teriam avisado lideranças do Centrão que, se fechassem acordo com Flávio, as investigações contra eles avançariam.

É preciso parar aqui, porque isso, em qualquer país minimamente democrático, seria motivo para interromper o debate eleitoral e abrir uma investigação.

Não estamos falando de um partido fazendo cálculo normal de campanha. Não estamos falando de tempo de televisão, palanque regional, fundo eleitoral ou conveniência política. O que nós estamos falando é de uma liderança partidária ouvindo que, se apoiar determinado candidato, pode ver investigações avançarem contra si.

Durante anos, acusaram a direita de ameaçar a democracia. Mas o que está descrito aqui é a verdadeira captura institucional: um grupo político usando as instituições para perseguir adversários e proteger aliados.

Ora, essa é a definição de um regime autoritário: ou você faz o que o sistema manda em termos de aliança partidária, ou pode ser investigado. Pode ser condenado. Pode ser destruído.

Que tipo de eleição acontece quando a instituição que deveria arbitrar a disputa já define qual lado pode se aliar, qual lado não pode crescer e qual lado não pode ganhar? Porque democracia não é apenas ter urna.

Democracia exige que os candidatos possam formar alianças, falar com o eleitor e disputar poder sem ameaça judicial pairando sobre cada movimento.

Se um partido deixa de apoiar Flávio por medo de investigação, a eleição já foi interferida antes do voto.

Se o Centrão calcula risco de cadeia antes de calcular voto, o processo já está viciado.

Se o árbitro escolhe um lado, a disputa deixa de ser disputa. E esse é o verdadeiro golpe. Não precisa de tanque na rua., nem de fechamento formal do Congresso.

Não precisa de um grande anúncio na televisão.

Basta capturar as instituições e usá-las para condicionar o comportamento político de quem deveria ser livre para escolher.

A eleição continua acontecendo. As urnas aparecem. As pesquisas circulam. Os debates vão ao ar. As manchetes falam em normalidade democrática. Mas, por trás da fachada, partidos já foram pressionados, alianças já foram inviabilizadas e candidatos já foram isolados.

Então, nesse ambiente, qual é o propósito das eleições?

A não ser simplesmente fazer de conta que ainda existe democracia?

Quando quem deveria arbitrar a disputa usa o poder para moldar o resultado antes do voto, o problema já não está na urna, e sim em tudo que acontece antes dela.

E isso não é democracia. É o inverso dela.

“Carta aberta aos jornalistas – Claudio Dantas

O Brasil é governado por uma Junta Cívico-Jurídica que tem como expoentes Lula, Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes. Um consórcio autoritário que submete a todos, inclusive a imprensa que o apoia deliberadamente e por interesses mesquinhos.

Essa Junta destruiu a Lava Jato e sufocou um movimento político de massa de origem popular, legítimo e democrático. Acusado de radicalismo, por mera questão de forma e não de conteúdo, esse movimento amadureceu e agora entrega um candidato adaptado à forma.

Mesmo apanhando todo dia dessa mesma imprensa, Flávio e seus aliados absorvem acusações falsas e críticas desonestas; e ainda mantêm o diálogo com todos. Da última vez que esteve no meu programa, há mais de um ano, declarou ao vivo seu respeito ao meu trabalho, citando minhas críticas duras, mas honestas. Teve a coragem de ser entrevistado pelo jornalista que publicou a história da compra de sua casa em Brasília. Não foi à Justiça tentar derrubar a matéria, não fez ameaças, não pediu para a PF quebrar meu sigilo para descobrir a fonte da reportagem. Seu pai (Jair) também me recebeu no Planalto, mesmo quando criticado por mim por suas escolhas para a PGR e para o STF.

Já fui censurado pela Junta, nunca por qualquer bolsonarista. Despertei para isso há alguns anos e estimo que o mesmo aconteça com outros jornalistas, acadêmicos, financistas etc.

Me lembro que, em 9 de janeiro de 2023, ao questionar um advogado do PT — bastante conhecido e educado — sobre os abusos de direitos humanos contra cidadãos comuns indignados com a eleição de Lula, ouvi a frase “que Moraes tranque todos eles e jogue a chave fora”. Essa frase funcionou na minha cabeça como um gatilho, foi literalmente uma “virada de chave”. Percebi ali que a “forma” é irrelevante diante do conteúdo e, muitas vezes, tem até sentido tático.

Por isso, coloquei meu microfone em defesa dessa gente vítima do arbítrio da Junta. Por isso, nado contra a maré da conveniência. Coloco minha experiência de quase 30 anos de jornalismo político e investigativo para ajudar na qualificação também desse debate, que é o mais importante de todos: queremos viver a divergência de maneira democrática, no estado de direito, fazendo o embate de ideias pela política, ou pacificar o país na marra, no medo, trocando o barulho das redes pelo silêncio das masmorras da PF?

Rogo aos jornalistas que ainda pretendem fazer seu ofício que compreendam o atual limiar civilizatório que vivemos. Jornalistas devem fiscalizar o poder, criticar, se opor (podem até elogiar o que está certo rs), mas isso só é possível numa sociedade democrática.

É preciso colocar um fim no regime atual em outubro, antes que o próximo outubro nunca chegue.”

Read the original on leandroruschel.substack.com

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