A tirinha de hoje é uma tentativa mais otimista de falar sobre essas coisas todas. Essas mesmo, que deixam a gente com o coração palpitando enquanto espiamos as notícias nessas redes sociais movidas a pânico e horror (ou será o mundo todo que tem se alimentado desse combustível?).
Tentando recordar da origem dessa ideia, pensei que talvez ela tenha partido da frase “um coração é um fardo pesado”, do filme do Estúdio Ghibli “O Castelo Animado” (que é simplesmente um tesouro; se ainda não assistiu, recomendo muitíssimo). É uma frase querida para mim, assim como aquela atribuída a Che Guevara: “é preciso endurecer, mas sem perder a ternura jamais”. Chegar até o fim com um coração molinho, capaz de sentir pelos outros e se emocionar com coisas miúdas, é a maior ostentação possível diante da dureza do mundo. Ou, pelo menos, é no que teimosamente decidi acreditar.
Isso me fez pensar em um poema do divo Jorge Luis Borges que diz assim:
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“Um homem que cultiva o seu jardim, como queria Voltaire. O que agradece que na terra haja música. O que descobre com prazer uma etimologia. Dois empregados que num café do Sul jogam um silencioso xadrez. O ceramista que premedita uma cor e uma forma. O tipógrafo que compõe bem esta página, que talvez não lhe agrade. Uma mulher e um homem que lêem os tercetos finais de certo canto. O que acarinha um animal adormecido. O que justifica ou quer justificar um mal que lhe fizeram. O que agradece que na terra haja Stevenson. O que prefere que os outros tenham razão. Essas pessoas, que se ignoram, estão a salvar o mundo." (Tradução de Fernando Pinto do Amaral)
Sobre a estética da tirinha, talvez seja meio diferente do que faço normalmente. Estou frequentando um curso livre de desenho na UEMG e tenho mexido bastante com giz pastel oleoso, que, na minha opinião, tem um resultado bagunçadinho lindo. Não tentei reproduzir propositalmente o aspecto desse material na imagem, mas acho que acabei trazendo um pouco do gestual mais solto que tenho aprendido com ele. O que acham?
Como sempre, pode baixar e compartilhar as imagens! Só peço que dê meus créditos e, se possível, me marque ✨
Andei produzindo várias pequenas coisinhas nos últimos tempos. Acho que o curso de desenho que mencionei acima me animou a voltar a rabiscar por prazer. Eu tinha perdido um pouco do gosto pela coisa desde que o algoritmo do Instagram ficou irreconhecível e fico feliz de sentir que estou superando aos poucos o vício na dopamina das curtidas.
E não, não vou mostrar na Internet nada do que ando criando nas aulas porque o foco é experimentação e não produzi nada que não seja absolutamente horroroso. Mas vocês deviam ver as criações das minhas colegas aposentadas. Continuar fazendo algo pela vida toda, sem esmorecer, é o maior dos talentos.
Enfim, vou trazendo outras coisas: desenhos e, quem sabe, bordados e cerâmicas que tenho feito a partir desse novo ânimo que surgiu nas aulas. Começando por essas aqui:
Essas tirinhas vieram na esteira da última que enviei na newsletter, também nascidas do incômodo com os difíceis tempos que estamos enfrentando enquanto mulheres no Brasil e seres humanos no sul global. Desde então, já fui no endocrinologista e posso confirmar que não é a tireoide.
Já esse desenho surgiu assim que vi o anúncio do novo mascote do TSE, criado para comemorar os 30 anos da urna eletrônica. O original é o Pilili e a minha versão falsificada e boca-suja, chamei de Trilili. A pedidos (na verdade, foi uma única unidade de pedido, mas eu não sou de decepcionar meus leitores), virou camiseta e ecobag.
✸ A leitura desse texto da maravilhosa Paula Fábrio que tive o prazer de ilustrar. Nele, ela fala sobre conflitos familiares (e globais), distância, carinho e possibilidades. As ilustrações ficaram meio sem graça na versão online, então recomendo aos leitores paulistas que busquem a versão impressa da edição de abril da Revista E, distribuída gratuitamente das unidades do Sesc SP. No papel, elas ficaram lindas! Dá para ter uma ideia vendo esse vídeo da própria Paula.
A convite do Sesc, também gravei um pequeno vídeo falando sobre o processo de criação das ilustrações, que está disponível aqui.
✸ Dar um pulinho no meu projeto novo do Behance, em que reuni algumas ilustrações que fiz nos últimos meses para a Petz! Tem joguinhos e imagens super desafiadoras que envolvem muitos bichinhos aprontando muitas coisas. Amei fazer e vou amar mais ainda se vocês deixarem um joinha no projeto!
Nesta edição da newsletter, não tenho recomendações de filmes ou livros porque só tenho assistido novas temporadas de coisas que já recomendei (os últimos episódios de Hacks estão maravilhosos), séries de descansar a cabeça que não acho que valem a menção (One Piece e Uma Mente Excepcional, a quem interessar) e estou na metade de um livro comprido (Neuromancer) que, se gostar, volto para avisar.
Obrigada pela leitura! Sinta-se à vontade para deixar um comentário ou responder a este e-mail. Caso queira, você pode me pagar um cafezinho
Ou, se preferir, pode mandar um pix de qualquer valor para a chave ltdathayde@gmail.com, que vai alegrar meu dia.
Até a próxima,
Laura.
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