Antes de detalhar as técnicas, preciso te dizer uma coisa: não há forma melhor de aprender do que ensinando e/ou vivenciando e esse “ensinando” pode ser simplesmente escrever (o que exige ainda mais precisão em suas explicações) e é justamente esse um dos motivos de eu mesma estar amando escrever essa Newsletter. Mas por ora, vamos deixar de lado essa questão do “ensinar”, porque você pode pensar: como vou ensinar algo que eu ainda nem sei direito. Pois bem, é nesse estágio que vamos discutir o tema desse artigo:
Na minha experiência como pesquisadora do assunto, não há uma técnica infalível, não há uma fórmula mágica, já entende o que quero dizer não é?
Cada pessoa tem um jeitinho de particular de fazer seus registros: canetas coloridas, folhas variadas, cadernos enfeitados, um bloco único, caderno brochura, caderno inteligente, um clips aqui, outro adereço acolá, tablet, Kindle, notebook e por aí vai… e aquela velha ideia de que uns são cinestésicos, outros auditivos… isso não é de todo verdade.
Pra início de conversa, precisamos entender como o cérebro funciona e agir a partir disso, aqui vão algumas dicas, mas ainda não é a técnica em si:
Faça anotações inteligentes
Para fazer anotações é um leque de possibilidades, mas também pode ser uma cilada, no instante em que você faz a anotação, por um instante, você perde o raciocínio ou deixa de prestar atenção na aula, se for o caso. Fazer anotações é um tema amplo, ainda vou escrever um artigo só sobre isso. O que importa nesse primeiro momento é que você tente montar uma hierarquia dos tópicos, mesmo que ainda não saiba a definição, tenha uma noção geral de toda a estrutura e anote por tópicos em formato de hierarquia.
Organização é crucial
Quanto mais organizados forem os seus registros, menos estresse mental. Sempre que possível, cite fontes, coloque títulos, descrição, estabeleça critérios de distinção entre seus materiais.
Clareza é a base
Escreva tão claramente a ponto de outra pessoa ler e conseguir saber exatamente do que se trata, essa é a sacada. Muitas vezes escrevemos de um jeito que somente nós mesmos entendemos, mas o que acontece é que se passar um certo tempo, nem você mesmo conseguirá lembrar porque escreveu aquilo que escreveu, por tanto, deve escrever de modo que outra pessoa entenda e acredite, essa “outra” pessoa pode ser você mesmo depois de um certo tempo.
Active Recall (Recuperação Ativa) – Esqueça a leitura passiva. O Active Recall é a estratégia de forçar o cérebro a recuperar a informação da memória, em vez de apenas colocá-la para dentro. Quando você fecha o livro e tenta explicar o conceito em voz alta ou responde a perguntas sobre o tema, você está fortalecendo as conexões sinápticas.
A lógica científica: Ao “chamar” a informação, você sinaliza ao seu cérebro que aquele dado é vital. Isso interrompe o processo natural de esquecimento e transforma o esforço mental em consolidação de memória de longo prazo. Não é sobre o quanto você lê, mas sobre o quanto você consegue recuperar sem auxílio.
Revisão Espaçada (Spaced Repetition) – O aprendizado não acontece em uma “maratona”, mas em “sprints” distribuídos no tempo. Esta técnica combate a Curva do Esquecimento de Ebbinghaus, que dita que perdemos cerca de 70% do que aprendemos em apenas 24 horas se não houver reforço.
Como aplicar: Em vez de estudar um tema por 5 horas em um único dia, você revisa esse conteúdo em intervalos crescentes: 1 dia depois, 3 dias depois, uma semana, um mês. Esse distanciamento estratégico obriga o cérebro a reprocessar a informação justamente quando ele estava prestes a descartá-la, fixando o conhecimento de forma definitiva na arquitetura cerebral.
Quando unimos essas duas ferramentas, criamos um sistema de aprendizado à prova de falhas. O Active Recall garante que a informação foi compreendida e pode ser acessada, enquanto a Revisão Espaçada garante que ela permaneça acessível ao longo do tempo.
Dominar essas técnicas é o primeiro passo para sair do “estudo passivo” e entrar no campo da maestria cognitiva. Afinal, para quem busca alta performance e produtividade, aprender a aprender é o maior hack de todos.

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