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Papo de Portão · Dec 30, 2023

Organizando a casa

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IpirangaFeelings · Papo de Portão

Oi vizinho (a)!

Ai, eu sei…tenho um total de zero disciplina pra newsletter. Na verdade, ando com zero disciplina em muitas coisas e quase sempre sou ruim nisso. Desobediente de mim mesma. Não acho isso bom, não. Mas acho que o tempo e a insistência em ser assim me trouxe um certo conformismo quase astrológico: é o meu jeitinho (disse a pessoa desgraçada das ideia).

A licença poética dos tempos “modernos". Não vou nem chamar de contemporâneo, porque espero que essa desculpa de usar o signo/personalidade pra justificar qualquer merda que faça seja coisa do passado, tal qual o modernismo: está morto. Parem de usar o termo moderno para se referir a algo atual, porque ele é ultrapassado! 😅

Continuando o papo aqui, eu resolvi escrever - atrasada, obviamente - sobre organizar a casa porque é o meu mantra há alguns meses e não exatamente uma resolução de início de ano. Veja só, eu - desorganizada e indisciplinada - me antecipei! É quase um pequeno milagre de Natal isso. De agosto pra cá, começou um rebuliço dentro de mim que culminou no meu aniversário, em setembro. Inferno astral? Não, apenas inferno mesmo, de um período pós-depressivo que tive em julho, no qual eu chorava dia-sim e dia-também. As coisas precisavam mudar.

A partir desse incômodo, que pegam a gente vez ou outra, eu fui elaborando tudo dentro de mim e arregacei as mangas. Poderia ter esperado o ano virar? Lógico, afinal, o ano tá acabando mesmo…encaminharia tudo pro fim tranquilamente. E, encaminhar para o fim talvez seja a pior metáfora para o momento desconfortável que eu estava vivendo. “Mas ah, quer saber? Eu vou fazer é agora". Viver na intensidade do agora é um lema que eu gosto de colocar em prática…e sempre que me perco, volto pra esse lugar, porque talvez a movimentação - e não a inércia - seja o meu lugar de conforto.

Não sei explicar como acontece esse processo, ou como é a sensação, mas de um jeito lúdico e infantil, é quase como criar um bichinho dentro de você, que você vai alimentando a cada dia pra ele ficar quietinho fazendo as coisinhas dele tudo bonitinho e de repente ele surta pedindo outro tipo de comida. É, sei lá…ele cansou de pedir no ifood, eu acho.

Enfim, energias canalizadas no fazer-oque-precisa-ser-feito, cheguei em dezembro muito bem, obrigada, com vários planos e mudanças já em andamento, tomando as rédeas do tempo investido em rede social, me desconectando da realidade paralela (e eventuais dores de cabeça) que o mundo virtual traz, revendo meus amigos próximos, cuidando de mim, da minha casa, do meu ofício, do meu corpo e da minha cabeça.

Parece básico, mas nem é, viu? Quando a gente para pra pensar, já perdeu taaaanto tempo ou esforço mental com coisas que não preenchem mais, sabe. Fazer pequenas ou grandes mudanças antes do calendário virar é uma sensação ótima, recomendo. E se o calendário virar, não tem problema, você se organiza, tal como eu, para dar seus passos…se estiver no modo urgência-por-sobrevivência, já sabe que mudança não tem hora, tem pressa.

Todo mundo tem desafios, problemas e episódios não planejados no meio do caminho, eu sei. Pode ser que seus planos sejam atropelados, pode ser que você precise remanejar coisas. Mas pode ser, também e talvez, que a procrastinação e o desânimo tenha tomado conta do seu agora e aí tudo vai se adiando, sendo empurrado com a barriga e caindo no limbo da não-realização.

Óbvio que eu já estive nesse lugar, muitas vezes, porque acontece e nem sempre é fraqueza ou fracasso, nada é linear assim. É natural e a frase que a gente mais ouve ultimamente é “tô exausta!". Estamos. Apenas quero lembrar, como sempre lembro, da minha avó mais amada do mundo, que dizia: “é, minha filha…para morrer, basta estar vivo". Parece uma frase banal, mas como eu fui obrigada a lidar com a dor mais profunda da morte desde criança, me apeguei a isso com uma força brutal…a força que me faz querer viver muito, hoje e agora.

Você pode controlar bastante coisa, mas a passagem do tempo, esse conceito invisível, indisciplinado e desobediente às ordens dos homens, não controla, não. Cuida do seu ‘agora’, como se ele fosse um bichinho que precisa ser alimentado para não adormecer o fazer, e, em especial, os desejos que te levam aos sonhos.

É só (ou tudo) o que posso desejar enquanto estou aqui hoje, porque o momento presente, tão efêmero, é o que temos de mais valioso.

✭  Minha paixonite do momento:

Eu não sei se você já teve a felicidade miserável de entrar na psicanálise, mas eu sou adepta dessa seita porque me salvou em tantos sentidos, que é difícil de explicar. É um mergulho profundo, denso, escuro, que te coloca em risco e afogamento para depois te ensinar apneia, entende? Você flui no mar como se água fosse…

Enfim, estando toda devota, a minha paixonite do momento tem a ver com os processos de descobertas, coisa que eu venero também. Já admirava bastante o trabalho do Lucas Liedke e da Float Vibes, mas só no último mês peguei pra ouvir o podcast Vibes em Análise.

De um jeito sério, sem muita musiquinha ou risadinha, ele e o André Alves discorrem sobre assuntos que pairam sobre o coletivo, o individual e as mudanças do nosso tempo, cada vez mais rápidas. Eles são extremamente certeiros nas colocações, o que me dá até certa inveja da dialética e da inteligência dessa dupla. São colocadas pra jogo diversas reflexões que atravessam o nosso cotidiano e nos colocam para pensar. Os assuntos ecoam na cabeça. Dá vontade de anotar tudo num bloquinho feito estudante.

Quero destacar aqui dois episódios que considero fundamentais para o momento, que acabam refletindo no meu trabalho de criação de conteúdo e no contato humano mais amplo e diverso que ele proporciona:

  1. Manual Impossível da Rejeição

  2. Em Defesa do Descanso

Acho que ambos dialogam com todos nós e, de certa maneira, traduzem os alguns dos principais sintomas que eu enxergo no mundo contemporâneo: ressentimento, exaustão e narcisismo. E, dada a minha revolta com as redes, acredito que são três sentimentos super-hiper-mega inflamados (e inflados) com as tecnologias na palma da nossa mão.

Já faz uma década que estamos no Instagram não apenas rolando uma tela, mas absorvendo, de forma consciente e inconsciente, tudo aquilo que os olhos veem. É papo de coach, de autoaceitação, de você ser sua melhor versão, somado a um autocentrismo que considero extremamente perigoso e nada saudável.

A intocável bolha que faz uma pessoa com mais, ou menos, discernimento ou senso crítico acreditar que TUDO deve ser pra ela ou sobre ela. Assim, vem a tríade da minha elaboração: o algoritmo te impulsiona ao narcisismo (seu e dos outros), vem o ressentimento por tudo aquilo que não me agrada (eu no papel de quem rejeita) ou aos espaços (virtuais ou não) onde sou rejeitada, e uma exaustão de estar não apenas intoxicada de conteúdo, mas presa nesse círculo feito um ratinho de laboratório correndo numa rodinha.

Enfim, apenas um breve devaneio, bem do mais ou menos, se a gente for comparar com o trampo sensacional que Lucas e André fazem. É, estou me auto-rejeitando.

✭  Ódio do mês:

A privatização da Sabesp com certeza é meu ódio do mês. Talvez do ano. Não vai ser fácil ver o desmantelamento de algo que, dentro dos conformes de Brasil, funcionava. Agora privatizou-se um bem-comum, o maior e mais valioso deles, eu diria: a água. Impossível achar que aqui, na terra do lobby e do contatinho e da emenda, isso vai funcionar de um jeito decente. Quem viver, verá.

✭  Diquinha do dia:

Tá, eu vou dar uma dica que é pra ser segredo. Não pode sair dessa newsletter, hein. (ou pode, porque eu não vou fazer nada kkkk)

Eu amo pizza. Com todas as minhas forças. E faz um tempo, pouco mais de um ano, que estou traindo as pizzarias da província com a 430 Gradi, na Vila Mariana. Seria a Di Bari deles, vai…mas assim, que massa deliciosa! Acho que já provei quase todas as pizzas, mas minha favorita é a Paris, com cogumelo paris refogado e queijo fontina. Sempre bem acompanhada de uma taça de Sangria (abençoados sejam os que vendem isso em taça), porque eu não resisto.

Só que ontem, meus amigos, eu provei a Bologna, novidade da casa. SE LIGA NESSE PECADO: pizza bianca feita com molho pesto de manjericão e pistache, muçarela fresca fior di latte, finalizado com mortadela Bologna, creme de ricota e granulado de pistache.

Não quero saber de mais nada nessa vida. Não me mande flores, me mande pizza.

É isso o que eu tinha pra dizer,

✭ ✭ ✭ beijoca da Feelings

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