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Investidor em Valor · Aug 4, 2026

Papo de Valor com Jayme Simão

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Investidor em Valor · Investidor em Valor

Investidor em Valor,

No Papo de Valor de hoje teremos um convidado especial:

Jayme Simão

Vamos conhecer essa fera?

Em pouco mais de 2 anos, de jan/24 a jun/26, a carteira de Jayme gerou um retorno de 54.32% no período, enquanto o Ibovespa gerou um retorno de apenas 28.20%.

IV: Jayme, poderia falar um pouco sobre você?

JS: Sou engenheiro de produção de formação, com MBA pelo Insper. Até os trinta anos construí carreira no mundo corporativo, em operação, na Ambev. Foi uma experiência que me deu um viés muito bom para entender de fato como as empresas funcionam, longe da bolha do valuation da Faria Lima.

Depois disso, junto com meu sócio Ricardo, fundei o Hub do Investidor, que já tem seis anos completos. Hoje somos uma das principais casas de análise do país, cem por cento focada no atendimento a clientes institucionais: assessorias, corretoras, bancos e gestoras.

IV: Qual a sua estratégia para ganhar dinheiro na Bolsa?

JS: Nossa metodologia gira muito em torno de margem de segurança. Em qualquer relatório nosso, ou em comitê para alocar um papel em alguma carteira, a gente prefere testar quais são as variáveis de formação de receita e quais são os drivers de geração de caixa daquela empresa. E, ao testar, tendemos a não ser otimistas com essas variáveis. Ou seja, procuramos um cenário em que nada dá muito certo para a companhia e, mesmo assim, ela continua barata. Esse é o caso que a gente gosta.

Não somos uma casa que especula o sucesso de uma empresa. A gente se ata a procurar margem de segurança no preço, sob cenários de condições ruins.

IV: Como é o seu processo para garimpar uma nova oportunidade de compra? Quais filtros usa?

JS: Temos alguns filtros quantitativos, mas mais na linha de liquidez, porque gerenciamos algumas carteiras grandes. Também procuramos empresas com histórico de geração de caixa, embora isso não seja uma regra rígida, já que a companhia pode estar passando por um momento mais difícil.

Fora isso, o processo é muito mais qualitativo. É entender se o negócio é bom e se ele aguenta atravessar os mais diversos ciclos. E a gente olha muito para quem está tocando o negócio, qual é a família por trás. Não somos tão fãs de corporations, gostamos de empresa com dono.

IV: Como você faz o valuation de uma ação: DCF, Múltiplos, TIR implícita, um mix dos anteriores, …?

JS: Usamos de tudo um pouco. O DCF acaba sendo o principal caminho para chegar num valor. Múltiplo a gente olha de vez em quando, normalmente no final do exercício, para comparar com os pares. E também fazemos a conta inversa, da TIR implícita, para entender se aquele preço faz sentido.

Mas, novamente, o mais importante é o que fazemos com as variáveis que compõem as principais linhas do DCF: a gente estressa essas variáveis para entender qual é a margem de segurança.

IV: Como você gosta de construir o seu portfolio de ações, considerando número de empresas, setores e concentração?

JS: Não somos muito de diversificação exagerada. É até por isso que gostamos de usar ETFs, inclusive dentro das estratégias, com uma lógica de core e satélites: o ETF forma o núcleo indexado da carteira e, a partir dele, a gente busca gerar alfa com alguns single names.

Na prática, trabalhamos normalmente com um ETF concentrando o core e, ao lado, teses que vão de seis a doze nomes.

IV: Com que frequência você gosta de rebalancear a carteira?

JS: Depende muito. Se o papel caiu e a gente entende que nada mudou na tese, chegamos a rebalancear todo mês. Mas, no geral, o nosso rebalanceamento médio fica na casa de três em três meses. Às vezes é mais frequente, às vezes passa um pouco mais de três meses sem mexer.

IV: Quanto tempo em média mantém uma posição na sua carteira?

JS: Não temos regra rígida. Mas, como procuramos muita margem de segurança, quando a tese está dando certo essa margem sustenta a posição por muito tempo num cenário de sucesso da ação. Então normalmente são anos carregando. Dos nomes que temos hoje, com certeza mais da metade está encarteirado há pelo menos dois anos.

IV: Você acredita que a análise gráfica, juntamente com a análise fundamentalista, pode ajudar nos pontos de compra e venda de ações?

JS: Sim. De novo, aqui a gente não usa a base técnica como fundamento da tomada de decisão, mas entende que o gráfico é um grande mapa do que está acontecendo na história daquele ativo. Quando você dá um zoom, consegue enxergar alguns pontos interessantes. É para isso que a gente usa.

Então, resumindo: a decisão vem do macro e do micro, mas a implementação passa sim pelo gráfico.

IV: Quais são os seus setores favoritos na Bolsa? E os que você evita? Por quê?

JS: Não temos grandes ressalvas setoriais. Tudo é válido, existem empresas boas em todos os setores, isso é o normal da economia. Mas dá para dizer que ultimamente temos alocado bastante em utilities, no sentido de procurar grandes geradores de caixa com margem de segurança. Isso não acontece sempre, mas quando você tem um momento de estresse na bolsa acaba encontrando muita empresa a IPCA mais doze, IPCA mais quinze.

Setor que a gente evita, sinceramente, não tem um. Mas, na prática, o setor de saúde está bastante complexo, difícil de fazer dinheiro com raras exceções.

IV: Você usa stop loss? Onde costuma colocar?

JS: Não usamos stop loss no sentido clássico de zerar a posição em um nível de preço. O que temos são regras internas de revisitar a tese com muita rigidez caso o papel caia mais de vinte por cento contra a nossa expectativa e essa queda não esteja conectada a um movimento macro.

IV: Você usa derivativos? Qual a sua estratégia?

JS: Não, pelo mandato das carteiras que fazemos a gestão. Mas achamos que é uma ferramenta bastante interessante para hedgear e reduzir risco. No geral, o que fazemos é gestão de ações e de outros ativos de renda variável, e quando complementamos essa diversificação acabamos usando mais ETFs de renda fixa.

IV: Qual a ação brasileira com o maior potencial de alta (ou melhor risco/retorno) na sua carteira hoje? Poderia explicar sucintamente o case?

Read the original on investidoremvalor.substack.com

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