Investidor em Valor,
Existe muito ruído no mercado e pouca sabedoria atemporal.
Por isso resolvi criar uma nova seção no Investidor em Valor: uma curadoria das melhores entrevistas já concedidas.
Ao longo dos anos, aprendi mais lendo e relendo entrevistas como essas do que em muitos livros clássicos sobre investimentos. Muitas vezes, é em uma resposta simples, quase escondida no meio da conversa, que aparecem os insights mais valiosos.
A ideia não é olhar para previsões de curto prazo, mas para mentalidade, metodologia e princípios que continuam funcionando ao longo do tempo.
A entrevista de hoje é com Ivan Barboza, CFA.
Ao longo da conversa, Ivan descreve uma filosofia de investimento baseada em análise profunda de negócios, disciplina, paciência e busca por assimetrias de risco/retorno: ele procura empresas de alta rentabilidade e vantagens competitivas sustentáveis que estejam negociadas significativamente abaixo de seu valor estimado, utilizando modelos de DCF e simulações para lidar com a incerteza do valuation. Seu processo começa pela tentativa de encontrar falhas nas teses, evitando gastar tempo com oportunidades que não sobrevivem à análise, e ele busca aproveitar momentos extremos de mercado para atuar de forma contrária à maioria dos investidores. Também destaca a importância de uma margem de segurança maior em negócios mais imprevisíveis, considera risco, retorno, incerteza e correlação na definição do tamanho das posições, e evita mudanças de carteira motivadas por diferenças pequenas de valuation. Para ele, o sucesso vem menos de algum “segredo” e mais de conhecimento técnico, experiência, disciplina e capacidade de manter a racionalidade enquanto espera pacientemente por boas oportunidades.
Desfrutem.
Ivan é sócio fundador do Ártica Asset Management e Gestor do Ártica Long Term FIA.
Em pouco mais de 10 anos, de junho de 2013 a dezembro de 2023, enquanto o Ibovespa rendeu apenas 181.8%, o Ártica Long Term de Ivan rendeu incríveis 1433.1%, ou seja multiplicou o capital investido por 15x!
Ele é uma máquina de gerar valor.
IV: Ivan, poderia falar um pouco sobre você?
IB: Comecei investir em bolsa em 2008, no meio da crise do subprime. Na época, ainda estava na faculdade, tinha muito pouco dinheiro e conhecimento. Perdi parte do valor investido, mas acabou sendo uma lição de porque não se deve investir de maneira leviana. Depois desse evento é que passei a estudar economia, finanças e investimentos em geral com mais seriedade.
Me formei em engenharia física, mas nunca trabalhei em nada próximo à área técnica. Tive uma breve passagem por consultoria estratégica como recém-formado, não gostei da área e mudei rapidamente para investment banking. Trabalhei com isso vários anos, a maior parte deles já no Ártica, escritório que fundei com meus sócios. Depois, deixei essa atividade para poder me dedicar totalmente à gestão de investimentos, que é o que pretendo continuar fazendo até o final da vida.
Sou responsável pelo fundo de ações Ártica Long Term, que nasceu em junho de 2013 como um clube de ações. Começamos bem pequenos, apenas com capital próprio (meu e dos meus sócios), e fomos crescendo aos poucos, com o dinheiro que fomos ganhando com investment banking, a própria rentabilidade do fundo e investimentos de pessoas conhecidas, que se interessaram por causa dos bons retornos que tivemos ao longo do tempo. Em 2019, convertemos o clube no atual fundo de ações.
IV: Como a sua experiência em Investment Banking / M&A te ajudou no processo de investimento, de avaliação de empresas? (Pergunta Especial da Clara Sodré)
IB: Investment Banking é uma carreira que proporciona um ponto de vista muito privilegiado para aprender sobre negócios. Atuei em algumas dezenas de operações bem-sucedidas de compra ou venda de empresas, e para cada operação fechada há uma porção de alternativas exploradas antes. Cada operação dessas trazia a oportunidade de acompanhar muito de perto o desenvolvimento de cada empresa, conhecer os principais sócios e executivos envolvidos, investidores de private equity e advogados de grandes escritórios, todos profissionais de altíssimo nível. Conhecer centenas de pessoas deste calibre me trouxe aprendizados riquíssimos sobre negócios.
Também vi várias empresas fracassarem completamente ou terem seus planos de negócios ambiciosos frustrados. O conhecimento dos casos de fracasso é até mais importante que o dos casos de sucesso. Entender o que leva pessoas inteligentes e sofisticadas a errar em grandes decisões de investimento é uma parte vital da formação de um bom investidor.
IV: Como é o seu processo para garimpar uma nova oportunidade de compra?

Comments
Nothing yet. Say the first thing.
Sign in to join the conversation.