RSS Amplifier

International News · Jun 15, 2026

Minerais, poder e Brasil

0
Sign in to vote or save

International News · International News

A nova corrida por terras raras coloca o Brasil diante de uma oportunidade rara, mas também de um risco conhecido: transformar riqueza mineral em dependência externa. O país tem reservas relevantes, atrai interesse de empresas ocidentais e chinesas e pode virar peça importante na disputa por cadeias produtivas de carros elétricos, turbinas eólicas, defesa e inteligência artificial. A questão central não é apenas vender minério. É decidir se o Brasil será fornecedor de matéria-prima ou construtor de uma indústria estratégica.

A origem dessa disputa está na mudança da economia mundial. Durante décadas, petróleo, gás e rotas marítimas foram o coração da segurança energética. Agora, minerais como neodímio, disprósio e térbio ganharam peso semelhante, porque entram em ímãs, baterias, motores e equipamentos militares. A China construiu domínio não só pela mineração, mas principalmente pelo processamento e pela fabricação de componentes. Esse é o ponto que muitas análises brasileiras deixam em segundo plano: o poder real está menos no subsolo e mais na etapa industrial.

Para Washington, Bruxelas, Tóquio e Seul, o Brasil aparece como alternativa possível à dependência chinesa. Para Pequim, o país é parceiro agrícola, energético e industrial, além de ponte para a América Latina. Essa sobreposição cria margem de manobra para Brasília, mas também aumenta a pressão. A visão mais interessante vinda de veículos internacionais do Sul Global é que o Brasil não precisa escolher automaticamente um bloco. Pode negociar com todos, desde que imponha transferência tecnológica, processamento local e participação brasileira nas etapas de maior valor.

O problema é que essa estratégia exige coordenação que o Brasil nem sempre sustenta. Projetos de terras raras dependem de licenciamento, infraestrutura, energia barata, previsibilidade regulatória e financiamento de longo prazo. Também exigem cuidado ambiental e diálogo com comunidades locais, porque a disputa por minerais críticos pode repetir erros antigos da mineração tradicional. A vantagem geológica brasileira, com depósitos em argilas iônicas em alguns projetos, pode reduzir custos e impactos em comparação com rochas duras, mas não elimina riscos sociais e ambientais.

No curto prazo, a pressão externa deve crescer. A guerra no Oriente Médio, a instabilidade no Estreito de Hormuz e a competição comercial entre Estados Unidos e China reforçam a busca por fornecedores mais seguros. Ao mesmo tempo, o acordo Mercosul-União Europeia, já em aplicação provisória, amplia o debate sobre regras ambientais, acesso a mercados e padrões industriais. O Brasil pode usar esse ambiente para atrair capital e tecnologia, mas precisa evitar uma troca ruim: exportar minerais baratos e importar máquinas, baterias e equipamentos caros.

A melhor aposta brasileira seria tratar terras raras como política de desenvolvimento, não apenas como pauta de mineração. Isso significa criar exigências graduais de beneficiamento local, formar mão de obra, apoiar pesquisa pública e privada, proteger biomas e negociar com China, Estados Unidos, Europa e Índia sem entregar exclusividade estratégica. O país já perdeu muitas janelas industriais ao longo da história. Nesta, ainda há tempo de entrar melhor.

O que você precisa saber

  • Terras raras são essenciais para carros elétricos, turbinas eólicas, defesa, chips e tecnologias digitais.

  • A China domina principalmente o processamento, que é a etapa mais valiosa da cadeia.

  • O Brasil tem reservas importantes e começa a ser visto como alternativa por potências ocidentais.

  • A chance brasileira está em industrializar, não apenas exportar minério bruto.

  • O risco é repetir o padrão histórico de vender recurso natural barato e comprar tecnologia cara.

Líderes do G7 se reúnem em Evian-les-Bains, na França, com a guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã no centro das conversas. O tema importa ao Brasil porque afeta petróleo, fertilizantes, fretes e inflação. Uma estabilização do Estreito de Hormuz ajudaria importadores de energia, mas também pode reduzir parte do ganho recente de produtores de petróleo fora do Golfo, como o Brasil.

O acordo Mercosul-União Europeia já está em aplicação provisória desde 1º de maio, mas enfrenta disputas jurídicas e tensão sobre cotas agrícolas. Para o Brasil, a abertura pode beneficiar setores industriais e exportadores, mas também aumentará cobrança ambiental sobre carne, soja e rastreabilidade. A leitura sul-americana é que o acordo chega num momento em que a Europa busca parceiros fora da dependência chinesa e russa.

Com interrupções no Golfo, China e Índia buscam mais alternativas de fornecimento, e o petróleo brasileiro aparece como opção. Isso fortalece a Petrobras e a balança comercial, mas cria dilema climático: o país que quer liderar a agenda verde também pode lucrar com uma crise fóssil. A tensão entre transição energética e receita do petróleo ficará mais visível até a COP30.

A tensão entre Estados Unidos, África do Sul e Brasil no G20 mostra que o fórum virou espaço de disputa política, não só econômica. Lula tem defendido a presença sul-africana e a importância de países emergentes na governança global. Para o Brasil, esse embate reforça a aposta em coalizões do Sul Global, mas também aumenta o custo diplomático de contrariar Washington.

A Copa do Mundo de 2026, realizada em Estados Unidos, México e Canadá, já movimenta turismo, mídia e diplomacia pública. Para o Brasil, o torneio é mais que futebol: é vitrine de imagem, mercado de patrocínio e disputa por influência cultural. Em um mundo fragmentado, eventos esportivos continuam sendo raros espaços de atenção global compartilhada.

Evian-les-Bains, França, 15 a 17 de junho: a cúpula deve tratar de Irã, Ucrânia, comércio e segurança marítima. Para o Brasil, o resultado pode mexer com petróleo, fretes, fertilizantes e apetite por investimentos em energia.

Brasil, 16 a 19 de junho: o World Basin Summit reúne especialistas em gestão de rios e bacias hidrográficas. O encontro dialoga diretamente com segurança hídrica, agricultura, energia e adaptação climática no Brasil.

Japão, Estados Unidos e Reino Unido, semana de 16 a 19 de junho: decisões de juros podem afetar dólar, fluxo de capitais e moedas emergentes. Para o Brasil, juros externos mais altos tendem a pressionar câmbio, dívida e decisões do Banco Central.

Read the original on internationalnewsbr.substack.com

Comments

Nothing yet. Say the first thing.

    Sign in to join the conversation.