“Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota.”
Madre Teresa de Calcutá
Tem uma pergunta escondida na frase de Madre Teresa: como é que alguém saberia que a gota faltou? Esta semana, a indústria de IA passou a responder isso na marra. Começou a marcar o texto que sai de suas máquinas, a checar se o artista existe de verdade, a exigir que cada peça diga de onde veio. E quanto mais ela conta as gotas, mais fica evidente que nenhuma empresa aqui é o mar inteiro. Sem enrolação, vamos ao que importa nesta quinta.
A Replit acabou de lançar o Replit Design, uma suíte criativa completa, disponível até para quem não paga nada. Não é lançamento de empresa pequena querendo aparecer: em março ela levantou US$400 milhões e passou a valer US$9 bilhões, o triplo do que valia seis meses antes. São 50 milhões de pessoas usando a plataforma.
A aposta central é o repertório. A Replit embutiu o Mobbin dentro da ferramenta: uma biblioteca com mais de 600 mil telas de aplicativos reais, tiradas de mais de mil apps, que 2 milhões de designers já usam como referência. Antes era um serviço à parte, com conta e assinatura próprias. Agora vem junto, sem precisar de cadastro separado.
Junto vieram centenas de modelos prontos assinados por designers de verdade, e a possibilidade de subir as regras visuais da sua marca, como cores, fontes, botões e espaçamentos, para que tudo o que você criar já nasça dentro delas, num clique. O recurso que dá nome à coisa, a Ambient Intelligence, inverte a lógica do assistente: em vez de esperar você pedir, ela sugere variações e caminhos enquanto você trabalha. A ferramenta propõe, não só obedece.
O Claude é a inteligência artificial da Anthropic, e virou o padrão silencioso de boa parte dessa nova geração de ferramentas: é ele que muitos programadores usam para escrever código, e é sobre a tecnologia dele que várias plataformas de criação foram construídas. Vocês viram por aqui quando o Opus 5 chegou perto do Fable 5 cobrando metade do preço. Em abril, a Anthropic decidiu que não queria mais só vender o motor e estreou sua própria ferramenta de criação visual, o Claude Design. No dia do anúncio, as ações da Figma caíram cerca de 6%.
O Claude Design ainda está em fase de testes e só está disponível para quem já assina os planos pagos. A Replit foi pelo caminho oposto: a porta é aberta, você entra sem pagar e recebe uma cota diária de créditos. Continuar é que custa: os planos vão de US$25 a US$100 por mês, e só o mais caro libera o que a Replit chama de "acesso aos modelos mais poderosos"
É aí que a história fica estranha. Dentro do Replit Design, você escolhe qual inteligência artificial vai executar o trabalho: Claude, GPT-5, Gemini, Kimi ou GLM. Nenhuma delas é da própria Replit… todas são alugadas. Ou seja, o dinheiro que você paga para chegar a esses modelos vai, em boa parte, para as empresas que a Replit está enfrentando. A Anthropic é uma delas: fornece o motor nos fundos e disputa o mesmo cliente na frente.
Já vimos esse filme. A Netflix passou anos sendo a melhor vitrine para o catálogo dos outros estúdios, até que eles perceberam que estavam alimentando quem ia disputar o público com eles, puxaram seus filmes de volta e abriram as próprias plataformas. A pergunta que sobrou nunca foi quem fazia o filme melhor. Foi quem ficava com a assinatura do cliente no fim do mês.
A diferença entre as duas não está no preço, está em onde fica a catraca. A Anthropic cobra para deixar entrar. A Replit deixa entrar e cobra para você ficar. É a velha disputa entre encher a casa e escolher a plateia, e cada uma resolve um problema diferente, porque só uma das duas precisa comprar da concorrente o produto que revende.
A Anthropic faz o motor e a loja: verticaliza, e ganha se a qualidade do resultado depender da profundidade da tecnologia. A Replit não faz motor nenhum, aluga cinco: se protege, e ganha se a inteligência artificial virar item de prateleira, igual em todo lugar, e o que sobrar de valor for o repertório, a interface e o gosto. É o velho dilema do “Intel Inside”: ser o ingrediente famoso dentro do produto dos outros é ótimo até o dia em que o ingrediente deixa de ser o que diferencia.
A camada que vai concentrar o valor dessa história ainda não foi decidida. Pode não ser nem a tecnologia nem a interface, mas o lugar onde o trabalho de fato acontece, e, por enquanto, o mercado segue exibindo concorrentes que faturam um com os outros enquanto disputam a mesma tela.
No dia 5, a Meta lançou o Muse Code, agente que assume tarefas de programação inteiras. O chefe de IA da empresa não o apresentou como o melhor do mercado, e sim como um dos mais baratos. Os números explicam a escolha: 82,9% num teste padrão da indústria, contra 86,7% do Claude Code com Opus 5. No dia 10 veio a outra metade da jogada: o Muse Glimmer, modelo open-source que roda no seu computador, com placa de vídeo comum, 24 horas, com ou sem internet.
Tudo o que o Claude escreve tem uma marca embutida no próprio texto: invisível, ela acompanha o conteúdo quando você copia e cola em outro lugar e pode sobreviver a algumas edições. Não foi escolha moral, foi a lei europeia de transparência de IA, que entrou em vigor no mesmo dia e que Google, Meta, Microsoft e OpenAI também assinaram. Vale para os modelos novos, com promessa de alcançar os antigos. O que ninguém explicou ainda é quanto de edição basta para apagar a marca.
A partir de setembro, perfis cujo nome e rosto pareçam representar uma pessoa que não existe vão receber um selo no Spotify, e a música deles sai por padrão das recomendações. Quem já segue o artista continua recebendo normalmente. A distinção importa: o selo não julga como a música foi feita, e sim quem diz ter feito, então dá para produzir a faixa inteira com IA sem ser marcado, desde que ninguém invente uma pessoa para assiná-la. A autodeclaração abriu esta semana, e o castigo de verdade é sumir do algoritmo.
No Brasil, os anúncios do ChatGPT aparecem para quem usa de graça e para quem paga o plano Go. A operação ainda é pequena perto do resto do mercado: em maio, a receita anual de publicidade da OpenAI era de US$100 milhões, contra US$294 bilhões do Google e US$196 bilhões da Meta no ano passado. Mas o documento de políticas da empresa, atualizado no final de julho, já descreve os "agentes patrocinados", assistentes de IA criados por marcas para conversar com você dentro do ChatGPT.
O Grok ganhou um novo modelo de imagem, o Imagine Image 2.0, voltado para edição. Dá para alterar só o trecho que você marcar sem mexer no resto, usar até cinco imagens de referência numa mesma geração, exportar com fundo transparente e trocar o formato da imagem, do quadrado ao vertical, com o modelo recompondo a cena em vez de cortar.
A Meta comprou a Manus por US$2 bilhões em dezembro e já tinha começado a levar as ferramentas dela para dentro dos próprios produtos. Em abril, o órgão de planejamento econômico da China proibiu a operação e mandou desfazer, porque a Manus foi fundada no país e continua sujeita às regras chinesas de controle de tecnologia. A Meta então cortou o acesso da Manus aos seus sistemas e proibiu os próprios funcionários de usar as ferramentas dela. Agora a empresa volta a operar sozinha, e parte dos dados gerados pelos usuários desde a compra vai ser apagada. Quem usa tem até 20h59 de 22 de agosto, no horário de Brasília, para salvar o que fez.
Aplicativos, sites, dashboards, agentes trabalhando juntos. Parece coisa de dev até você entender como as peças se conectam. Em setembro, vamos montar tudo isso do zero, ao vivo, na última edição do Agent Lab de 2026.
Nos dias 19 e 20 de setembro, você vai aprender tudo isso passo a passo, mesmo que nunca tenha programado. A ideia é terminar os dois dias com agentes funcionando, um site ou app publicado e muito mais clareza para continuar construindo sozinho.
🎬 Higgsfield abriu um festival global de filmes com IA com US$1 milhão em prêmios, júri vencedor do Oscar e inscrições para obras de 3 a 5 minutos até 3 de setembro.
📺 Um artigo do The Guardian pergunta por que o terror ama tanto uma TV de tubo, uma fita VHS e uma loja de discos. A resposta: tecnologia velha vem com ruído, textura e imperfeição, três coisas que o medo agradece.
🛠️ Um guia prático do Google para quem quer criar agentes que aprendem, testam, corrigem e evoluem sem precisar começar tudo do zero.
🧠 O Spotify inventou um tal de Xirp, ambiente que deixa Claude, Gemini e Codex trabalharem com o contexto real dos sistemas da empresa, sem recomeçar do zero a cada sessão.
🍿 O Magnific lançou o primeiro episódio de The Black Box, uma ficção científica de 10 minutos produzida do início ao fim na plataforma com Seedance 2.5. E já tem episódio 2 vindo aí.
→ Como criamos um shooting de marca para o iFood usando o AXIS
Criamos um shooting de marca no AXIS para o iFood, com entregadores, clientes, restaurante, mercado, farmácia e diferentes contextos de entrega.
→ 18 problemas de Pequenos Negócios que viram soluções com IA
Diagnóstico gratuito com 18 problemas reais de pequenos negócios que viram soluções práticas com IA, agentes e automações. Divididos em Atendimento, Vendas, Marketing, Operação, Pós-venda e Gestão de Equipe.
O OpenAI Codex é um ambiente que vai além de simples respostas de texto, permitindo criar imagens, editar vídeos, desenvolver sites e gerar motion graphics a partir de prompts simples.
Quer ir direto ao ponto?
00:00 - A evolução da IA: De caixa de texto para criação visual
01:01 - O que é o OpenAI Codex e como ele funciona?
01:40 - Luna, Terra e Sol: Qual modelo escolher?
03:31 - Criando ferramentas interativas e dashboards
04:11 - Teste Prático: Comparador de formatos de vídeo
06:35 - Usando o Sol Extra Alto para layouts inteligentes
08:18 - Como gerar Motion Graphics do zero com IA
12:23 - Editando vídeos e sincronizando batidas no ChatGPT
15:02 - Conclusão: Qual o nível de capacidade você precisa?
Episódio imperdível do Human Podcast, recebemos Rapha Borges, CCO da WMcCann e fundador da Tiger.ai, para uma conversa profunda sobre o papel da inteligência artificial na publicidade moderna.
Com mais de 20 anos de carreira, Rapha compartilha sua transição de assistente de arte a líder de um time de 122 pessoas, revelando como a agência centenária está se adaptando ao conceito de AI-first. Confira:
“Fotografia de um filme que não existe“ criado pelo nosso aluno Gabriel Macieira
Um episódio de Futurama precisava resolver uma bagunça de troca de corpos sem repetir nenhuma dupla. Como não existia uma resposta pronta, o roteirista Ken Keeler, que também é matemático, criou uma prova inédita para fazer a história funcionar. Ele resolveu, colocou a lógica dentro do episódio e anos depois a prova ganhou uma versão publicada por matemáticos.
Nick Knight tratava pós produção como parte da criação muito antes disso virar conversa comum. Na Dior de 2001, a roupa divide protagonismo com cor, composição e uma direção visual que ainda parece radical 25 anos depois.
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