A IA já não quer esperar você abrir uma conversa. Nesta edição, isso aparece no Claude Fable 5, na Apple tentando transformar a Siri em um “ChatGPT para chamar de seu” e na OpenAI querendo fazer do próprio ChatGPT uma central de trabalho completa. Esses movimentos apontam numa direção bem clara: depois da fase de encaixar IA no que já existia, começa a fase em que rotinas de criação passam a nascer com IA desde o início. E, como lembra a frase que abre esta edição, talvez o ponto não seja ter todas as respostas, mas saber quais perguntas ainda precisam acompanhar esse avanço.
Poucos dias depois de defender que empresas de IA deveriam saber a hora de segurar modelos muito poderosos antes que eles saiam do controle, a Anthropic fez o movimento inverso e colocou mais potência em circulação. O Claude Fable 5 é a primeira versão pública da família Mythos e chega como a IA mais capaz que a empresa já disponibilizou para uso geral.
O que muda na prática não é só a força do modelo, mas o tamanho do trabalho que ele promete sustentar. Segundo a Anthropic, o Fable 5 se sai melhor em tarefas longas e complexas, daquelas em que a IA precisa lembrar o que já foi feito, testar caminhos e continuar trabalhando sem se perder no meio do processo. Em um teste citado pela empresa, o modelo resolveu em um dia a migração de um sistema com 50 milhões de linhas de código. Na mão, esse tipo de trabalho levaria mais de dois meses para uma equipe.
Também houve avanços em análise de documentos, gráficos, tabelas e tarefas visuais, como reconstruir código a partir de screenshots. Na camada científica, a Anthropic afirma que o Mythos 5 consegue produzir hipóteses novas e convincentes com mais consistência. A promessa agora não é só entregar uma resposta melhor logo de cara, mas acompanhar problemas difíceis por mais tempo, inclusive quando eles ainda não têm uma solução pronta.
Só que esse lançamento vem com uma camada importante de controle. O Fable 5 usa a mesma base do Mythos 5, mas chega ao público com uma espécie de parede de segurança em volta. Quando o sistema entende que um pedido entra em áreas sensíveis, como cibersegurança, biologia, química ou desenvolvimento de modelos de IA mais poderosos, ele pode recusar, limitar a resposta ou repassar a tarefa para o Claude Opus 4.8.
Ou seja: em alguns casos, o usuário acha que está falando com o Fable 5, mas a experiência pode estar sendo mediada por outro modelo ou por uma resposta mais limitada.
A Anthropic está tentando vender duas ideias ao mesmo tempo: modelos mais capazes precisam chegar às mãos de mais pessoas, mas não podem circular sem algum tipo de controle. É uma posição desconfortável, mas bem alinhada ao momento atual da IA, em que cada avanço já chega acompanhado de uma conversa sobre risco e responsabilidade.
O Fable 5 importa menos por ser “mais um modelo poderoso” e mais pelo tipo de relação que ele cria com o usuário. Você ganha acesso a uma IA muito mais forte, mas essa força passa por regras que nem sempre ficam visíveis: o que ela responde, quando muda de modelo, quando limita uma resposta e quando entende que determinado pedido cruzou uma linha.
E isso também passa pelo bolso. Até 22 de junho, o Fable 5 fica incluído nos planos Pro, Max, Team e Enterprise. A partir de 23 de junho, o uso deve passar a exigir créditos. A mensagem é clara: IAs mais poderosas estão chegando à rotina, mas não de um jeito totalmente livre. Em alguns casos, o limite aparece na segurança. Em outros, no acesso ou no custo.
A Apple apresentou uma nova Siri com app próprio, histórico de conversas e mais contexto sobre o iPhone. A ideia é aproximar a assistente de uma experiência tipo ChatGPT, com IA funcionando como camada nativa do ecossistema Apple. No Apple Intelligence, agora também entram recursos de escrita, busca, automação e edição de imagens, como reenquadrar fotos, expandir cenas e remover elementos.
Enquanto a Apple tenta colocar IA dentro do iPhone, a OpenAI prepara a maior reformulação do ChatGPT desde o lançamento. A mudança deve abrir mais espaço para Codex, agentes, geração de imagens e integrações com Canva e Booking, transformando o ChatGPT em uma central para criar, programar, pesquisar e concluir tarefas.
O Google transformou o NotebookLM em um agente de pesquisa mais ativo, capaz de escrever e rodar código a partir dos materiais enviados pelo usuário. A ferramenta também passa a gerar entregáveis mais prontos, como PDFs, planilhas e apresentações. Na prática, o NotebookLM deixa de ser só um lugar para guardar fontes e começa a trabalhar melhor em cima delas.
Depois de anos como investidora, parceira comercial e provedora de nuvem da OpenAI, a Microsoft apresentou o MAI-Thinking-1, seu modelo próprio para raciocínio, código e matemática. Ele chega junto de uma família maior de modelos para imagem, voz e fala, sinalizando que a empresa quer ter IA própria rodando em produtos como Azure, GitHub, Windows e Copilot.
A Meta lançou o Business Agent, uma IA para atender clientes, responder dúvidas e ajudar empresas a venderem pelo WhatsApp, Instagram e Messenger. A ferramenta mira negócios que fecham pedido na conversa, explicam produto no chat e precisam responder rápido antes que o interesse esfrie.
O Gemini 3.5 Live Translate traduz fala em tempo real para mais de 70 idiomas, preservando tom, ritmo e entonação. Já disponível no Google Translate, o recurso deve chegar ao Google Meet e também entra em preview para desenvolvedores. A ideia é manter a presença da pessoa na tradução, com poucos segundos de atraso. Ele faz parte de uma leva maior do Gemini 3.5, com avanços em agentes, código e pesquisa.
🧪 Uma thread no X reuniu criações feitas com o Fable 5 poucas horas depois do lançamento, de clones de jogos e simulações 3D a relatórios gerados a partir de PDFs, código e até uma música original acompanhada de um visualizador de piano.
🧬 Pesquisadores de Cambridge testaram uma vacina criada com IA para mirar uma família inteira de vírus, em vez de correr atrás de cada nova variante.
🎮 Pesquisadores do MIT usaram Batalha Naval para ensinar agentes de IA a investigar melhor. A ideia é treinar modelos para tomar decisões em cenários incertos, de pesquisa científica a apoio ao diagnóstico médico.
✨ Um creator criou uma ponte entre prompt e animação de interface, com uma skill open source que gera arquivos Lottie usando Codex ou Claude Code. Além do repositório, ele também compartilhou um guia de prompts para testar o fluxo.
🛍️ A Alexa agora transforma ideias em produtos personalizados dentro da Amazon, de camisetas a copos térmicos. Você descreve a peça, a IA gera opções e o produto já nasce pronto para compra.
→ Character Design com IA: como garantir a consistência de personagens em múltiplos cenários
Manter um personagem coeso ao longo de cenas diferentes pode ser um dos maiores desafios da criação com IA. Entenda por quê isso acontece e veja dicas de como resolver.
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Sabe quando a imagem até fica bonita, mas continua com aquela cara lisa, genérica demais, sem o peso de um objeto real? Muitas vezes, o problema nem é no prompt em si, mas na forma como você descreve materialidade, luz, reflexo e superfície. Aqui, Juliana Frug mostra como usar o ChatGPT Image 2 para transformar logos, embalagens e objetos em imagens com textura mais convincente.
Vidro precisa parecer vidro. Metal precisa ter brilho, peso e reflexo. Tecido precisa ter trama. Parece detalhe, mas é justamente isso que tira a imagem do “bonita, mas fake” e faz o objeto parecer mais presente na cena. É aí que a Ju entra em:
🧱 Como aplicar materiais realistas em logos e objetos
🪞 Como trabalhar reflexo, sombra, refração e superfície
📐 Como travar a geometria sem perder a identidade visual
📦 Como criar versões mais palpáveis para branding, produto e embalagem
🎬 Como levar o resultado para o Kling e transformar a imagem em movimento
A produção criativa ainda cabe no modelo tradicional de agência? No novo episódio do Human Podcast, Rafael Nasser, CEO da WPP Production no Brasil, fala sobre produção híbrida, IA e o futuro das agências em um mercado onde talento humano começa a trabalhar lado a lado com ferramentas como GPT, Claude e Higgsfield. A conversa passa por repertório, curadoria humana e bastidores de projetos que só se tornam possíveis quando a tecnologia entra no processo e muda a relação entre custo, tempo e execução.
Clipe musical de “Lemonade” criado pelo nosso aluno Bruno Mendonça
Em clima de Copa, vale olhar para as camisas que viraram memória coletiva. A BBC fez uma lista com alguns dos uniformes mais icônicos da história do torneio e lembrou que design esportivo também é cultura visual: cor, símbolo, época, ídolos, transmissão e contexto histórico, tudo costurado na mesma peça. Spoiler: o Brasil não ficou de fora.
Madonna apresentou o curta de Confessions II no Festival de Tribeca, com Julia Garner, Kate Moss, Benedict Cumberbatch, Lourdes Leon e até João Pedro, atacante brasileiro do Chelsea. A divulgação do álbum vai além da música e transforma o lançamento em um encontro visual de moda, cinema, performance, futebol e autorreferência.
Depois da Madonna montar a própria pista de dança, foi a vez da Nike também escalar um time que mistura futebol, música e cultura pop. A campanha global “Rip the Script” reúne Mbappé, Vini Jr., Cristiano Ronaldo, Haaland, Ronaldinho, LeBron James, Travis Scott, Kim Kardashian, LISA e até Ted Lasso. O resultado reforça uma ideia antiga da Nike, a de que futebol também é criatividade, emoção e cultura em movimento.
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