Itália, Espanha e Portugal na mesma semana. A vitrine desta semana foi montada para quem quer explorar além do habitual, com garrafas de regiões distintas que compartilham uma qualidade: personalidade sem concessão.
Escolhemos um italiano do Piemonte, um espanhol com bagagem e um português de identidade regional clara. Três vinhos de origens completamente diferentes, todos escolhidos pelo mesmo critério: cada um deles tem algo a dizer que vai além do que está no rótulo.
Piemonte encorpado e expressivo. Notas de cereja madura, especiarias e mineral. Para quem aprecia a complexidade italiana sem precisar de uma tese para entender o copo.
Espanhol com presença. Taninos firmes, fruta concentrada e passagem equilibrada por carvalho. Sabedoria que só o tempo e o método entregam, e o nome já avisa isso.
Portugal em sua expressão mais direta. Caráter regional bem definido, equilíbrio e uma versatilidade que faz dele uma das escolhas mais certeiras do portfólio Havana.
O Piemonte e a arte dos vinhos que não têm pressa
A Nebbiolo, base do Dezzani Otto Bucce, é a uva do Barolo e do Barbaresco: duas das denominações mais exigentes da Itália. O Piemonte é uma escola de paciência. Os vinhos de lá melhoram por décadas, porque a região entendeu que a qualidade não tem prazo de entrega. O Dezzani é o ponto de entrada para essa história, acessível sem abrir mão do caráter.Tempranillo, Garnacha, Monastrell: o guia das uvas espanholas que o mercado subestima
A Espanha tem um dos portfólios de uvas tintas mais ricos do mundo. O Tempranillo, base do El Abuelo Reserva, cruzou fronteiras com nomes diferentes: Tinta Roriz em Portugal, Aragonez no Alentejo. Onde parou e decidiu ficar, o resultado é concentração, equilíbrio e finalização que não tem pressa de acabar.Portugal além do Porto: as regiões que o mundo está aprendendo a pronunciar
Douro, Alentejo, Dão, Bairrada. Cada denominação portuguesa fala um idioma diferente dentro do mesmo país. O Cruzeiro dos Arcos DOC vem de uma dessas regiões que o mercado internacional ainda está descobrindo. E é exatamente essa posição que torna a garrafa especial: boa antes de virar referência.
A estrela desta semana carrega uma das histórias mais curiosas do vinho mundial. Redescoberta depois de mais de um século, o Carmenere chileno virou símbolo nacional. Esta garrafa é a porta de entrada para essa narrativa.
Carmenere, Nebbiolo e Tempranillo: três uvas que não pedem permissão
Existem uvas que se adaptam ao gosto do mercado. Que aceitam intervenções no vinhedo e na vinificação para ficar mais redondas, mais frutadas, mais palatáveis para o consumidor de fim de tarde.
E existem uvas que simplesmente não negociam.
O Carmenere passou 150 anos sendo chamado pelo nome errado no Chile. Quando descobriram quem ela era de verdade, não mudou nem um pouco. Continuou produzindo aquela combinação de frutas negras, pimenta verde e estrutura que é impossível imitar em qualquer outro território. A identidade estava lá o tempo todo.
A Nebbiolo, base do Dezzani Otto Bucce, tem fama de difícil por razões exatamente opostas: ela é perfeitamente consciente de quem é. Taninos firmes, acidez alta, necessidade de tempo para abrir. Não foi feita para agradar na primeira taça. Foi feita para durar décadas.
O Tempranillo espanhol, por sua vez, tem a sabedoria de quem já viajou o mundo. La Rioja, a Ribera del Duero, o Alentejo. A mesma uva com nomes diferentes em cada fronteira que cruzou. O El Abuelo Reserva representa o que acontece quando ela para de viajar e decide ficar: concentração, equilíbrio e um final que não tem pressa de acabar.
Três uvas que não pedem permissão para ser o que são. Garrafas que merecem o mesmo tratamento.
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