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Giseli’s Substack · Jan 29, 2024

#02 | Afinal, o que é senioridade em Gestão de Produto?

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Giseli Anversa · Giseli’s Substack

Habilidade técnica é apenas um dos pilares que sustentam profissionais de Gestão de Produto.

Uma vez que desempenhamos um papel de Negócio nos times que atuamos, as Habilidades Pessoais que trabalhamos para desempenhar este papel são tão ou mais importantes do que “o que” ou “quanto” sabemos.

“Como” aplicamos este conhecimento faz muita diferença.

A sutileza e discernimento de saber utilizar todo o conhecimento que capturamos, equilibrando com as habilidades pessoais necessárias ao momento, são características de profissionais com mais senioridade.

“Senioridade” vem do latim “senior”, que significa “mais velho” e é comparativo de “senex”, que significa “velho” ou “ancião”.

Originalmente, o termo se referia a uma pessoa mais velha em relação a outra.

Porém, o conceito de “senioridade” evoluiu para abranger não apenas a idade, mas também a experiência e a maturidade em contextos profissionais e organizacionais. Espera-se que profissionais “seniores” possuam mais experiência, habilidades e conhecimentos em suas respectivas áreas de atuação.

Em Gestão de Produto, o assunto é polêmico e gera discussões em comunidades e fóruns.

Fonte: Midjourney

A resposta não é simples.

Porém, observando e conversando com colegas da área, e analisando o mercado, vejo alguns pontos (que podem incomodar quando expostos):

Particularmente, não vejo isso como uma distorção da área. A Gestão de Produto é uma disciplina relativamente nova, e sua conceitualização como vivenciamos hoje em dia é mais nova ainda (em meu artigo anterior comentei sobre isso).

Logo, é esperado que esta trilha esteja em construção — e experimentação — por empresas e pela própria área. Estamos testando terminologias, atribuições e estruturas.

Fonte: Giseli Anversa

Os próprios nomes podem variar bastante, e em algumas empresas, em um mesmo cargo (Product Manager, Staff Product Manager, Group Product Manager, etc.), existem níveis de senioridade (I, II, III).

Isto dificulta a base comparativa entre profissionais.

Um exemplo bastante comum é a posição de “Product Lead”. Em algumas empresas, este cargo é o primeiro degrau de uma trilha de gestão. Em outras empresas, esta terminologia é adotada para gestoras de produto especialistas em um determinado segmento de negócio, semelhante à trilha de Principal Product Managers.

Muitos profissionais que atuam com Gestão de Produto tiveram uma carreira anterior, muitas vezes em outra área.

Meu cargo anterior à Gestão de Produto era um cargo de Gerência. E voltei alguns passos atrás ao começar uma nova trilha profissional. Isto não aconteceu apenas comigo: em minhas mentorias, muitas pessoas compartilham viver a mesma situação.

A expectativa da profissional é algo difícil de lidar. Um dia a pessoa é “Gerente” e ao mudar de área se torna “Analista”.

Sim, é isto mesmo.

Afinal de contas, é o início de uma nova carreira e, até que aquela profissional prove que possui as competências esperadas para assumir desafios mais complexos na nova área, levará algum tempo.

Mas existe um risco quando o dinheiro entra em jogo.

Ah, o “mercado”… essa entidade sem rosto, a qual culpamos ou agradecemos, conforme as coisas vão mal ou bem.

A partir de 2020, e até meados de 2022, o mercado de trabalho para Product Managers esteve bem aquecido. A movimentação entre empresas era comum, uma vez que existiam inúmeras oportunidades e, um dos diferenciais de atração era o cargo (além da remuneração e benefícios).

Assim, profissionais entrantes na área recentemente e atuavam como Product Owner, recebiam propostas financeiramente mais vantajosas e com um cargo de Product Manager.

Aqui, além da distorção da senioridade, existe uma distorção de cargos. Mas a diferença entre Product Owner e Product Manager já foi bastante discutida na comunidade, e não entrarei neste mérito.

Product Managers, com um ou dois anos atuando com times de Produto, recebiam propostas para atuarem como Senior Product Manager.

E a mesma história se repete para todos os níveis de senioridade.

Logo, “Senioridade” passou a ser vista como “Salários mais altos” (o que é verdade). Mas o grande ponto é o que, com os salários mais altos, vem cobranças que muitas vezes alguns profissionais não possuem repertório ou experiência suficiente para lidar.

Essa é a pergunta mais importante que devemos fazer.

Estou começando meu terceiro ano como líder de pessoas de Produto, e assumi recentemente o desafio de liderar líderes de Produto, e nesta jornada, tenho a rica oportunidade de apoiar profissionais que querem dar o próximo passo em suas carreiras.

Também atuo como mentora há 4 anos, e nesta trajetória, conversei com dezenas de pessoas que sempre trazem esta expectativa.

Em ambos os casos, explorarei o que a pessoa está buscando ao iniciar este movimento. Porque, sim, atingir o próximo nível de senioridade é um movimento que exige intencionalidade.

Uma coisa está diretamente ligada à outra: ao trabalharmos nossa senioridade, nos tornamos aptas a ocupar cargos hierarquicamente mais altos.

Mas se buscamos o cargo sem pensar na senioridade, estamos começando por uma crença capciosa.

Não há problema nenhum em querer o cargo. Mas… 

  • Por que você quer o cargo?

  • Você sabe o que as responsabilidades daquele cargo?

E as duas perguntas mais importantes:

  • Como atingir este cargo, agora, beneficia seu plano de carreira?

  • Você já tem as competências técnicas e pessoais necessárias para o cargo?

É neste momento que a senioridade deixa de ser intangível e passa a se tornar mais palpável.

Esta definição não é minha. É do Joca Torres, e está presente em seu excelente livro “Liderança de Produtos Digitais” (leia o capítulo aqui).

Dimensões da Senioridade (Fonte: Joca Torres em “Liderança de Produtos Digitais", adaptado por Giseli Anversa)

Tomo a liberdade de usá-la, pois essa definição resume o senso comum, mas extrapola por uma conexão minuciosa, que tomo a liberdade de explorar.

Descoberta, desenvolvimento, lançamento e acompanhamento de um produto levam tempo.

Ainda que o primeiro produto lançado tenha sido um sucesso, a mesma fórmula se aplicará com o mesmo resultado para outro produto?

Como evoluir um produto que já existe, equilibrando pressões pelo produto ser motivo constante de reclamações de clientes e áreas internas?

É preciso tempo para vivenciar diferentes produtos e diferentes fases do ciclo de vida de um produto. 

Mas também é preciso “tempo de casa”, tempo em uma mesma empresa para construir relacionamentos, entender processos, criar alianças e gerar resultados mais sólidos.

É preciso “tempo de cadeira” para amadurecer no escopo mínimo esperado daquele profissional.

A diversidade de experiências, e a autopercepção da profissional ao longo desta trajetória, podem acelerar ou retardar seu amadurecimento enquanto profissional de Produto.

Uma das maiores preocupações de entrantes na área de Gestão de Produto é conhecer frameworks, ou ferramentas, aplicáveis às diversas fases de um Produto.

Lembre-se que o conhecimento da nossa disciplina está em construção, e que as ferramentas que utilizamos são capturadas de conhecimentos que já existem, adaptadas ao nosso contexto, ou mesmo criadas por profissionais que atuam na área.

Para o entrante, a enorme quantidade de ferramentas pode parecer um obstáculo. É natural e válido que estas profissionais se preocupem em adquirir este conhecimento.

Porém, o conhecimento de ferramentas não é suficiente para definir senioridade.

É preciso saber usar, adaptar, misturar e em certos casos, quando não é necessário ferramenta alguma.

A segurança ao saber qual e como usar as diferentes ferramentas que aquela profissional reuniu ao longo de sua carreira constroem sua senioridade.

Mais uma vez, o tempo é um atributo importante para senioridade. Mas deixar o tempo passar, sem curiosidade e intenção para aprender e saber usar uma nova ferramenta, não faz diferença alguma.

Óbvio, você me dirá. Nem tanto, te responderei.

Fiz questão de trazer a etimologia da palavra “senioridade” para nossa conversa de hoje, para fechar neste arco.

Senioridade tem tudo a ver com percepção e autoconhecimento. Ler situações e pessoas, ler a si mesma, liderar — a si e aos outros —, conseguindo assumir riscos e atuar em cenários ambíguos, propor ações, saber fazer perguntas, ter raciocínio crítico.

Quanto mais confortável nos sentimos em situações desconfortantes, maior nossa senioridade.

Porque é isso que Empresas esperam de Seniores: a profissional que será mobilizada para uma situação desafiadora e se manterá atenta, racional e estável, ajudando o time a sair do outro lado.

O que não quer dizer que uma pessoa Senior não precisa de ajuda.

Muito pelo contrário. Esta profissional busca ajuda no momento certo, mas contribui para a construção da solução, argumentando, trazendo fatos, acompanhando a linha de raciocínio de quem a apoia. E não apenas buscando respostas.

A proposta desta newsletter é te ajudar a entender os conceitos envolvidos na Gestão de Produto, sua origem e a teoria por trás, e como esses se aplicam ao nosso dia a dia. Sem jamais perder de vista o mais importante: somos pessoas de Negócio, e usamos nosso conhecimento para gerar resultado.

Nos vemos na próxima newsletter!

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Read the original on giselianversa.substack.com

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