05 mar. 2026 | Número 386 | ISSN 3086-383X
Saudações arquivísticas,
Como avisamos na edição anterior, a partir desta semana o Giro circula em novo dia, sempre às quartas-feiras, bem cedinho. Nesta edição, tratamos do resultado do processo seletivo que escolheu 16 novos membros para o Conselho Nacional de Arquivos.
Foi divulgado na última quinta (30) o resultado preliminar da seleção de entidades que comporão a nova nominata do Conselho Nacional de Arquivos (Conarq). No total, foram selecionados 16 representantes de entidades em seis categorias diferentes.
Os arquivos públicos municipais passarão a ser representados por titulares vinculados ao Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro (AGCRJ) e da Fundação Arquivo e Memória de Santos (Fundasantos). Na categoria arquivos privados, foram escolhidos representantes da Fundação Fernando Henrique Cardoso e do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB).
Os arquivos comunitários serão representados por titulares indicados pelo Movimento de Justiça e Direitos Humanos, de Porto Alegre (RS) e pelo Zumvi Arquivo Afro Fotográfico, de Salvador (BA).
Das quatro vagas destinadas a organizações e instituições de ensino e pesquisa em Arquivologia, Biblioteconomia, Ciência da Informação, História e outras seis áreas, duas ficaram com cursos de Arquivologia (da Universidade Federal da Bahia e da Universidade Federal Fluminense). As outras duas ficaram com representantes da Associação Nacional de História (Anpuh) e do Instituto Brasileiro de Ciência e Tecnologia (IBICT).
Três associações de arquivistas – de São Paulo, da Paraíba e do Rio de Janeiro – também foram selecionadas. Já no quesito “personalidades de notório saber sobre arquivos”, Jair Martins de Miranda (Comunidades Catalisadoras), Ana Célia Rodrigues (Centro de Estudos Políticos, Econômicos e Sociais) e Daniel Beltran Motta (Associação de Arquivistas do Amazonas) foram os escolhidos.
A nominata de entidades e representantes escolhidos revela que, apesar dos esforços, o Conselho Nacional de Arquivos conseguiu renovar, mas não diversificar amplamente sua composição. A maior parte dos novos conselheiros são homens e nove das 16 entidades que tiveram candidaturas escolhidas localizam-se na região sudeste do país (sete delas no Rio de Janeiro). Pela nova configuração, o Conarq não terá nenhum representante da região Centro-Oeste.
Por outro lado, apesar do discurso de ampliação das áreas cotejadas pelo conselho, a Arquivologia seguirá predominante no novo colegiado. 13 dos 16 novos conselheiros escolhidos possuem graduação em Arquivologia e sete atuam como docentes em cursos da área.
Cinco novos conselheiros – incluindo Jaime Antunes da Silva, que o conselho entre 1994 e 2015 – já atuaram em outras nominatas no Conarq. Leide Mota de Andrade, que atualmente é conselheira do colegiado, será a única integrante que faz parte do órgão e será reconduzida ao posto.
Três anos e meio depois de iniciado o governo Lula, finalmente o Conarq caminha para superar a nominata formada em 2020 – quando os conselheiros dos arquivos estaduais, municipais e da sociedade civil foram escolhidos por seleção pública pela primeira vez. O resultado final das entidades e dos representantes selecionados ainda precisa ser oficializado.
A expectativa é de que o novo Conarq se reúna a partir de agosto. Entre muitas demandas pendentes, caberá à nova composição do conselho se debruçar sobre as propostas da II Conferência Nacional de Arquivos – em especial a que estabelece que o órgão deverá elaborar a política nacional de arquivos em prazo previamente estipulado.
Depois de quase um ano de espera, o Arquivo Nacional divulgou os vencedores do Prêmio Nacional de Arquivologia Maria Odila Fonseca. Na categoria tese de doutorado, venceu o trabalho “A terceirização da guarda e da gestão de documentos na Prefeitura de Belo Horizonte e suas implicações na gestão, difusão e acesso”, de Suellen Alves de Melo (UFMG). Dentre as dissertações, foi premiado o trabalho “O papel do arquivista para a implementação da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais: as relações conceituais entre o gerenciamento arquivístico e a governança arquivística”, de Daiane Coutinho da Rocha Ferreira (UFMG). Na categoria monografia, venceu “Os arquivos saindo do armário: uma análise dos acervos LGBT+ custodiados pelos arquivos públicos estaduais”, de Christine Alves Justo (UFRGS).
O Fórum Nacional de Ensino e Pesquisa em Arquivologia (Feparq) realiza hoje, às 19h, a live de lançamento da IX Reunião Brasileira de Ensino e Pesquisa em Arquivologia (Reparq). Além de anunciar a data da próxima Reparq, a coordenação do fórum também vai apresentar os projetos desenvolvidos pelo Feparq nos últimos dois anos. A live será transmitida através do YouTube do Feparq.
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Este boletim é um produto do projeto de extensão “Giro da Arquivo – Fase II: políticas públicas arquivísticas em pauta”, desenvolvido pelo Honório – Grupo de Pesquisas em Políticas Públicas Arquivísticas e vinculado ao Departamento de Arquivologia da Universidade Federal de Santa Maria. Contato: girodaarquivo@ufsm.br
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