nos intermináveis jogos da performance on e offline, a regra é só uma: maxximizar tudo e a qualquer custo. sua aparência física (looksmaxxing), sua trajetória profissional (careermaxxing) sua vida social (partymaxxing), seu gosto pessoal (stylemaxxing) ou mesmo seu consumo de fibras (fibermaxxing). até o luto pode ser mais eficiente; grief maxxing, procure saber.
a essa altura já estamos ficando saturados do sufixo “maxxing” — pelo menos se você passa algumas horas por dia alternando doses mínimas e máximas de vídeos curtos. mas é só o começo! maxxing é o apogeu da melhor versão, é a crença fundamental de que podemos devemos otimizar tudo implacavelmente, em nome da eficiência, da vantagem competitiva, da viralidade ou, de preferência, de tudo isso junto e misturado.
harder, better, faster, stronger, a ladainha é antiga. só que o imperativo da maxximização vem encontrando materializações ainda mais estapafúrdias. em uma época menos histriônica, jovens que “corrigem” suas aparências com marteladas nos ossos da face seriam rapidamente tratados como adoecidos. no nosso mundo, eles são tratados como ídolos.
“min-maxing” é um conceito que vem dos jogos. mais especificamente, a expressão ganhou tração na prática dos RPGs: uma estratégia de otimização em que se sacrificam ou se ignoram atributos considerados menos importantes para maximizar ao extremo as características principais e os pontos fortes do personagem criado pelo jogador. as críticas a essa abordagem vêm do fato de que o jogador geralmente não se preocupa de verdade com o enredo ou com o realismo do personagem. ou seja, é basicamente extrair o máximo desempenho sem nenhuma preocupação com os danos colaterais.
a origem do termo importa, sobretudo, porque a ideologia se mantém exatamente a mesma: maxxing significa otimizar para um resultado específico em detrimento de todo o resto. dar tudo de si, ALL-IN. essa é a suposta receita para estar sempre entre os primeiros, chegar ao topo, não ficar pra trás. e no atual estado do jogo da vida, quem pode se dar ao luxo de ficar para trás, não é mesmo?!
para o “looksmaxxer”, trata-se da lógica extrativista do mercado aplicada a um rosto humano: ganhos de curto prazo justificados, mesmo que nos custe alguns anos de vida no longo prazo. como bem definiu o escritor Eugene Healey, estamos falando de uma estratégia de sobrevivência individualista ao extremo:
“em vez de questionarem as condições econômicas que geram seu mal-estar, os jovens estão sendo orientados a otimizar ao máximo sua aparência. em vez de ação coletiva, otimização individual. em vez de organização sindical, cirurgia na mandíbula”.

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