Cada frame pensado por Michael Chapman nesse filme é uma obra-prima. Cada ruído criado pelo mago Ben Burtt não fica atrás. Já vi e revi Invasores de Corpos (1978) várias vezes e em cada uma delas me surpreendo com como o Phillp Kaufman articula tantos elementos — visuais e sonoros, físicos e dramáticos — com tanta sofisticação ao longo da narrativa para, no fim, colher os frutos das sementinhas que plantou.
É brilhante a maneira como referencia o longa clássico, mas o ressignifica para o cinismo dos anos 70, onde a paranoia ganhou mais camadas e traduziu a ansiedade e o incômodo da época. Uma energia desesperada que a música frenética e dissonante de Denny Zeitlin traduz muito bem. Todo o elenco principal é excelente e oferece empolgações diferentes para os personagens. Num mundo justo, Sutherland, Adams, Goldblum e Nimoy teriam sido indicados a todos os prêmios de atuação daquele ano.
Há tantas cenas espetaculares que fica até difícil nomeá-las sem deixar de ser injusto, mas a sequência do “nascem uns monstros” que vai do momento em que o personagem de Sutherland adormece até a primeira fuga do grupo só me parece rivalizar com a icônica cena em que Veronica Cartwright lança um dos gritos mais dolorosos e solitários da história do cinema. Ela, por sinal, não apenas deveria ter sido nomeada por sua performance, mas já poderia ter saído do set com um Oscar na mão.
Sai do Prime Video em 5 dias.
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