Bom dia!
Quando Marc Jacobs fala a gente para para escutar. E em sua mais nova entrevista ele faz muitas revelações. O tipo de informação que normalmente a moda só ousa repetir nos bastidores, de preferência aos sussurros. Na entrevista que é capa da Vanity Fair deste mês, publicada no longo perfil assinado por José Criales-Unzueta, e que mescla depoimentos de grandes nomes da moda e declarações do estilista, Jacobs fala com uma franqueza rara na moda sobre dinheiro, fracassos e o futuro ainda pouco claro da própria marca, vendida, depois de quase 30 anos no grupo LVMH, à joint venture da WHP Global e e G-III Apparel Group (50% para cada).
O designer também venderá a participação que ainda possui. Ou seja: quando o negócio for concluído, ele não será mais dono da Marc Jacobs, embora continue como diretor criativo, e os novos controladores afirmem que querem mantê-lo envolvido nos desfiles e na criação se ele topar as condições.
Praticamente sem marca, Marc Jacobs, porém, segue sendo relevante ainda hoje, e uma das provas é que, entre tantos estilistas, foi ele que Charli XCX convidou para representar a moda na capa de Music, Fashion, Film, ao lado de John Cale e Martin Scorsese.
Há, porém, uma incerteza real sobre o futuro. Aos 63 anos, o estilista que, como a crítica de moda do New York Times Vanessa Friedman lembra na entrevista, deveria ter sido a grande esperança da moda americana, “o próximo Ralph Lauren, Calvin Klein, Donna Karan”, agora vive um momento de incerteza sobre qual será seu próximo capítulo.
Entre as histórias, a matéria aborda o período em que Marc precisou se internar devido ao vício em cocaína e heroína, da demissão da Perry Ellis que não teria acontecido por causa da coleção grunge de 1992. Ele também critica a gestão da LVMH e fala sobre a real importância dos desfiles para ele e para a indústria da moda.
A gente destaca aqui alguns dos trechos que valem a pena:
"Tudo o que sempre fui é uma vítima da moda."
Sobre suas coleções de passarela, apesar do impacto midiático, nunca terem sido sucesso de vendas:
“Vamos ser honestos. Minhas coleções de desfile nunca foram um sucesso comercial. A gente não fez dinheiro com desfiles. E duvido que alguém faça.”
Sobre o real objetivo e sentido de seus desfiles grandiosos:
“Esperamos que o desfile motive, estimule e inspire as pessoas que trabalham com a Marc Jacobs, os editores e o pessoal da moda. Que dê energia a eles.”
Sobre a realidade de sua marca sob a gestão do grupo de luxo de Bernard Arnault:
“A LVMH nos manteve e fez o mínimo possível em termos de fazer nosso negócio crescer.”
Sobre a importância da linha Marc by Marc Jacobs que foi encerrada:
“Quando a Marc by Marc existia, ela trazia o espírito daquilo que todos nós passamos a conhecer como o espírito Marc Jacobs.”
Sobre a coleção grunge para a Perry Ellis que a moda afirma ter sido motivo de sua demissão:
“Aquele desfile [da Perry Ellis de 1992] e aquele período foram os que melhor traduziram a sensação de fazer parte de uma onda criativa maior, que representava uma mudança. Acho que nada jamais superará aquilo."
Sobre sobreviver ao hype e se manter relevante:
“Quando esse momento passa, isso não significa que [os artistas] não possam produzir trabalhos excelentes. Não significa que não possam fazer coisas interessantes. Não significa que o que eles dizem deixará de ser relevante. É apenas uma questão de existir aquele ponto ideal.”
Sobre ser fashion victim assumido e a dificuldade de conseguir comprar a jaqueta de leopardo da Chanel desenhada por Matthieu Blazy para a coleção Métiers d'Art:
“Nunca tive que me esforçar tanto por uma peça de roupa na vida."
Carolina Vasone e Augusto Mariotti
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